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Nos
meados do século XIX e início do século XX, a Zona da Mata e o Sul de Minas
eram as regiões mais ricas e desenvolvidas do estado de Minas Gerais.
Juiz
de Fora, vizinha de Lima Duarte, detinha sem rivais ou ameaças, o posto de
cidade mais desenvolvida e rica de Minas Gerais, alavancada pelo capital gerado
pelas plantações de café, que financiou estradas, ferrovias, energia elétrica,
bondes, industrias e comércio.
Para
entender a questão, quem seguia por exemplo, de Juiz de Fora a Caxambu, no sul
de Minas, tomando o trem em Juiz de Fora, teria que passar por Três Rios, Barra
do Piraí, e daí seguir até Cruzeiro, donde se subia a Mantiqueira por ferrovia
até Caxambu, numa distância de 424 quilômetros por ferrovia, ou dois dias de
viagem em cálculo otimista.
Para
as mercadorias era um grande empecilho. As cargas passavam por barreiras de
divisas, sendo tributadas a cada divisa de estado, além das baldeações causadas
por diferenças de bitola, horários de trens, atrasos, acidentes e interrupções
de tráfego.
Na
época, as duas cidades da Zona da Mata e Sul de Minas mais próximas eram, Lima
Duarte e Turvo (Andrelândia). No município de Turvo já havia ferrovia no
distrito de Bom Jardim, (por isso denominado Bom Jardim do Turvo) o qual já era
ligado por ferrovia a Caxambu. Bastava então, ligar Juiz de Fora ao distrito de
Bom Jardim do Turvo, num total aproximado de 120 quilômetros, reduzindo a
distância entre Juiz de Fora e Caxambu para algo em torno de 256 quilômetros,
uma economia de 168 quilômetros.
O
melhor caminho para a ferrovia de Juiz de Fora a Bom Jardim, seria acompanhando
o vale do Rio do Peixe até seu afluente mais a oeste, e daí dobrar a vertente e
tomar o vale do Rio Grande, em cuja margem direita estava o distrito de Bom
Jardim. Nossa querida Lima Duarte, a velha Rio do Peixe, estava justamente no
meio desse caminho.
Por
isso, e só por isso, a ferrovia passou por aqui.
Na
medida em que Juiz de Fora e a Zona da Mata perdem importância econômica,
perdem também influência política, fazendo com que cada vez menos recursos federais
fossem aplicados nas obras, vetados pelas bancadas fluminenses e paulistas,
representantes de regiões de estados que seriam prejudicados pela ligação Juiz
de Fora a Bom Jardim do Turvo.