terça-feira, 12 de agosto de 2025

Cem anos da Chegada do trem a Lima Duarte – 2025 – A importância do Ramal de Lima Duarte.

 

 

            Nos meados do século XIX e início do século XX, a Zona da Mata e o Sul de Minas eram as regiões mais ricas e desenvolvidas do estado de Minas Gerais.

            Juiz de Fora, vizinha de Lima Duarte, detinha sem rivais ou ameaças, o posto de cidade mais desenvolvida e rica de Minas Gerais, alavancada pelo capital gerado pelas plantações de café, que financiou estradas, ferrovias, energia elétrica, bondes, industrias e comércio.

            Para entender a questão, quem seguia por exemplo, de Juiz de Fora a Caxambu, no sul de Minas, tomando o trem em Juiz de Fora, teria que passar por Três Rios, Barra do Piraí, e daí seguir até Cruzeiro, donde se subia a Mantiqueira por ferrovia até Caxambu, numa distância de 424 quilômetros por ferrovia, ou dois dias de viagem em cálculo otimista.

            Para as mercadorias era um grande empecilho. As cargas passavam por barreiras de divisas, sendo tributadas a cada divisa de estado, além das baldeações causadas por diferenças de bitola, horários de trens, atrasos, acidentes e interrupções de tráfego.

            Na época, as duas cidades da Zona da Mata e Sul de Minas mais próximas eram, Lima Duarte e Turvo (Andrelândia). No município de Turvo já havia ferrovia no distrito de Bom Jardim, (por isso denominado Bom Jardim do Turvo) o qual já era ligado por ferrovia a Caxambu. Bastava então, ligar Juiz de Fora ao distrito de Bom Jardim do Turvo, num total aproximado de 120 quilômetros, reduzindo a distância entre Juiz de Fora e Caxambu para algo em torno de 256 quilômetros, uma economia de 168 quilômetros.

            O melhor caminho para a ferrovia de Juiz de Fora a Bom Jardim, seria acompanhando o vale do Rio do Peixe até seu afluente mais a oeste, e daí dobrar a vertente e tomar o vale do Rio Grande, em cuja margem direita estava o distrito de Bom Jardim. Nossa querida Lima Duarte, a velha Rio do Peixe, estava justamente no meio desse caminho.

            Por isso, e só por isso, a ferrovia passou por aqui.

            Na medida em que Juiz de Fora e a Zona da Mata perdem importância econômica, perdem também influência política, fazendo com que cada vez menos recursos federais fossem aplicados nas obras, vetados pelas bancadas fluminenses e paulistas, representantes de regiões de estados que seriam prejudicados pela ligação Juiz de Fora a Bom Jardim do Turvo.