Temas Lima Duartenses
Um espaço onde o tema é Lima Duarte, com foco na História, mas com passeios pela Geografia, Natureza, Arquitetura, Literatura..
domingo, 8 de fevereiro de 2026
sábado, 18 de maio de 2024
LIMA DUARTE e seus distritos.
A formação do território do municipio de Lima Duarte,
como o conhecemos hoje, passou por muitas mudanças, anexações e
desmembramentos. Até 1881, quando ainda era chamado de Distrito do Rio do
Peixe, integrava o território do município de Barbacena, junto com outros
distritos vizinhos, como Conceição de Ibitipoca, Santana do Garambéu, Rosário
do Curral (atual Rosário de Minas), Quilombo (atual Bias Fortes), dentre
outros. Por essa época, por meio de diversas leis, viu transferido a seu
território uma grande porção de terras, desde a Serra da Rancharia ao Ribeirão
Rosa Gomes e da Várzea do Brumado às localidades de Macacos e Caeté ao pé da
Serra de Ibitipoca, antes pertencentes ao distrito de Olaria, municipio de Rio
Preto. Essas terras estão hoje distribuídas parte no território de São Domingos
e parte no território de São José dos Lopes.
Tornado
sede de município em 1881, o então distrito do Rio do Peixe teve anexado a seu
território o distrito de Conceição de Ibitipoca, compondo os dois o território
municipal inicial.
Em
1884, o munícipio do Rio do Peixe recebe o nome de Lima Duarte, é instalado e
tem anexado ao seu território o distrito de Santana do Garambéu, criado em 1836
e também pertencente à Barbacena. Assim permaneceu até 1891, quando na revisão
territorial feita pelo governo Republicano, foi anexado o distrito de São
Domingos da Bocaina, conforme preceitua a Lei Estadual 2, de 14 de setembro de
1891
São
Domingos da Bocaina é distrito pelo menos desde 1864. Havia pertencido antes a
Rio Preto. Com a transferencia da sede do municipio de Rio Preto para a Vila
Bela do Turvo (atual Andrelândia) em 1864, passou a integrar o municipio do
Turvo. Em 1870 o municipio de Rio Preto é desmembrado do Turvo e o território
de São Domingos da Bocaina retorna ao município de Rio Preto.
Em
1923 o senador estadual Alfredo Catão, atendendo a pedido dos moradores,
apresentou e viu aprovada a Lei Estadual 843, que transferiu à Lima Duarte e
anexou ao seu território os distritos de Santo Antonio de Olaria e Pedro
Teixeira.
Santo
Antonio de Olaria era distrito desde 1872, pertencendo a Rio Preto, sendo a
partir de 1938 denominado apenas de Olaria. Pedro Teixeira era distrito desde
1911, quando foi desmembrado do território do distrito de União (Bias Fortes),
ambos pertencentes à Barbacena.
Em
1953, o deputado estadual Lourival Brasil Filho apresentou o projeto de lei que
elevava à categoria de distrito o povoado de São José dos Lopes, o qual foi
aprovado, acrescentando-se mais um distrito ao municipio.
Em
1962, em nova reorganização geográfica e política do estado de Minas Gerais foi
aprovada a Lei 2764, de 30 de setembro de 1962, que desmembrava de Lima Duarte
e elevava à categoria de sede de municipio as vilas de Olaria, Santana do
Garambéu e Pedro Teixeira. Lima Duarte então sofre diminuição em sua área
territorial, passando a contar com os distritos da Sede (entorno da cidade),
Conceição de Ibitipoca, São Domingos da Bocaina e São José dos Lopes.
A
situação permaneceu sem alteração até 2022, quando pela Lei Municipal número
2090, de 20 de setembro de 2022, foram criados os distritos de Manejo e
Orvalho. O município de Lima Duarte então passa a contar com seis distritos:
Lima Duarte (sede), Conceição de Ibitipoca, São Domingos da Bocaina, São José
dos Lopes, Manejo e Orvalho.
domingo, 21 de abril de 2024
Lima Duarte e o mito Tiradentes
Até
o final do século XIX, Joaquim José da Silva Xavier – o Tiradentes, era um
ilustre desconhecido da maioria do povo brasileiro.
A
Indepência do Brasil até então, tinha como “heróis” o Proclamador Dom Pedro I e
seu mentor José Bonifácio de Andrada e Silva, cognominado o “Patriarca da
Inedpendencia”. Localmente, cada região tinha seu “herói”, quase sempre um
personagem que se destacou nas guerrilhas de combate às forças portuguesas que
não aderiram a São Paulo e Rio de Janeiro de imediato, caso dos estados do
Norte e Nordeste. Na Bahia, por exemplo sobressaiu a figura de Maria Quitéria.
Com
o golpe de Estado perpetrado por militares do Exército, é implantada a
República no Brasil, em 15 de novembro de 1889. Rapidamente, os articulistas
“republicanos” trataram de construir uma imagem positiva para o novo regime. E
precisavam de alguém que de certa forma, traduzisse os ideais de independencia
na ótica da República, já que Dom Pedro e
José Bonifácio eram monarquistas.
Surge
então o mito Tiradentes.
As
poucas informações a respeito do personagem podem ser obtidas nos Autos da
Devassa, nome pelo qual ficou conhecida a transcrição dos depoimentos, petições
e sentenças proferidas no julgamento dos inconfidentes. Propositalmente de seu
conteúdo extraíram o que melhor convinha para a narrativa republicana,
ignorando pontos basilares.
O personagem recebe uma nova paginação. Foi representado com aparencia próxima à de Cristo Salvador, barbado e de olhar altivo, corda atada ao pescoço, facilitando a assimilação por parte do povo de seu suposto papel de “salvador da Pátria”. Palavras por ele ditas, nos Autos da Devassa, sofrem releituras e ganharam novo sentido, favorável aos tempos republicanos. A traição dos companheiros é reforçada, potencializando o ser heróico, digno de representar os que queriam “o bem do Brasil”.
Jornais
e publicações eram controlados pelo Governo Republicano. Logo, divulgaram-se
muitos artigos que martelaram até que a massa assimilasse o “novo herói”.
De
um momento para outro, tudo que se relacionava ao ilustre enforcado, ganhou
ares de importância, sendo extremamente valorizado. Neste contexto, uma
informação surge de Lima Duarte…
Em
1892, três anos após a Proclamação da Republica, foi localizado em Conceição de
Ibitipoca, aos 115 anos, um contemporâneo de Tiradentes.
Severino
Francisco Pacheco, nascido em São Miguel do Piracicaba, declarou haver
conhecido e convivido com o Tiradentes. Servindo no Regimento de Cavalaria de
Ouro Preto, aos 14 para 15 anos, Pacheco conheceu de perto o Alferes, que
reunia os amigos numa casa que alugou no Largo do Rosário daquela cidade, onde
iam cantar modinhas e tocar violão, arte em que Joaquim José Xavier era perito.
Pacheco descreveu Tiradentes como alto, simpático, de belos graços e gênio
alegre e folgazão.
As
informações sobre Pacheco correram o Brasil. Logo foram solicitadas pelo
Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, agora à serviço da narrativa
republicana mais informações detalhadas sobre o “Herói”. O Presidente da Câmara
e Agente Executivo Municipal de Lima Duarte na época, Major Manuel Victor de
Mendonça, dirigiu-se pessoalmente à Ibitipoca, onde entrevistou longamente o
lúcido Severino Pacheco, coletando o maior volume de informações que foi
possível.
As
informações foram publicadas em jornais de São Paulo, Rio de Janeiro e Juiz de
Fora. Pacheco tornou-se famoso e recebeu uma pequena pensão da Câmara Municipal
de Lima Duarte que permitiu-lhe melhoras
suas parcas condições de vida, até sua morte.
Visitantes
de todas as partes do Brasil vieram à Ibitipoca, conhecer o “amigo” de
Tiradentes.
Severino
Francisco Pacheco faleceu em Conceição do Ibitipoca aos 22 de abril de 1894,
com 117 anos. Seu funeral, custeado pelo Municipio de Lima Duarte, foi muito concorrido, com a presença das
autoridades municipais, chefiadas pelo Presidente da Câmara Tenente Coronel
Major Manuel Victor de Mendonça, o qual, tornando-se amigo do falecido, fez
questão de tomar a si uma das alças do caixão e levá-lo à sepultura, onde foi dignamente
inumado.
sábado, 16 de março de 2024
Cinema: A Sétima Arte em Lima Duarte.
O século XX trouxe muitas inovações à Lima Duarte. A maior delas, certamente foi a chegada à cidade dos primeiros aparelhos de transmissão de som e imagens, conhecidos como cinematógrafos. As imagens, até então vistas apenas fixas em fotos, reproduções ou pinturas, agora poderiam ser vistas em movimento e com som.
A
iniciativa pioneira de trazer à Lima Duarte um cinematógrafo ou projetor de
imagens, coube à Manoel Delgado da Silva, o “Tineca França”, que em 1914,
adquiriu e trouxe para a cidade o primeiro projetor de imagens, instalando-o em
sua residência no Bairro Matosinhos, onde recebia os que desejavam conhecer a
novidade.
A
população da época concorreu com entusiasmo às precárias exibições, pelas
quais, a título de cooperação com o empreendimento, cobrava Tineca a quantia de
um tostão, equivalente a cem réis. Tal iniciativa, até onde se sabe, permaneceu
na esfera particular, sem gerar um estabelecimento especificamente destinado à
atividade.
Ao
mesmo tempo, outras iniciativas foram tomadas, como a vivenciada por Afrânio de
Paula ainda menino, que relatava ter participado da exibição do primeiro filme
em espaço publico na cidade de Lima Duarte. A película, trazida pelo Sr
Diógenes Salgado, de Andrelândia, foi exibida no Salão nobre da Prefeitura,
para onde se deslocaram alguns bancos da igreja. Certamente trata-se de
iniciativa posterior à pioneira, de melhor qualidade e melhor recurso técnico.
Posteriormente,
dois filhos do Major Francisco Neves, fundaram aquele que pode ser considerado
o primeiro estabelecimento cinematográfico da cidade. Sabemos de sua existência
por informações orais, sem contudo dispor de maiores detalhes.
Em
1936, Afrânio de Paula assume a diretoria da firma Nogueira & Cia, que
administrava o Cinema Ideal, em sociedade com Isaías Nogueira da Gama. O Cinema
Ideal funcionava em prédio situado na Rua XV de Novembro, atual Rua Antonio
Carlos, com entrada ao lado do atual Clube do Minas e ao fundo do prédio onde
hoje funciona o Empório.
Cine Ideal
Dotado
de palco e cadeiras para os frequentadores, o cinema passou a ocupar lugar de
destaque na sociedade, seja como fonte de lazer ou servindo de palco a
acontecimentos sociais de vulto. Jornais da cidade em 1930 davam conta da
programação do estabelecimento, anunciando com entusiasmo a peça Acabaram-se os
Otarios, “… o primeiro grande filme brasileiro synchorizado, cantado e
fallado em portuguêz …” A peça era protagonizada por Genezio Arruda e foi
grande sucesso no Cinema Nacional.
Em
1940 Afranio de Paula afasta-se da direção da empresa que administrava o Cinema
Ideal a qual é assumida por João Paulo de Abreu Guedes, sendo rebatizado o
cinema com o nome de Cine Theatro Ìris.
O
primeiro filme colorido foi exibido em 1958, recomendado pelo Vigário da época,
Padre João Severo Ramos de Oliveira. Trata-se de Marcelino Pão e Vinho, de
Ladisláo Vajda, filme que marcou época, ficando em cartaz por muitos meses.
Filas imensas se formaram na entrada do cinema.
Outra
experiência relacionada à exibição cinematográfica diz respeito a um projetor
adquirido por Afrânio de Paula na década de 50, exibindo dezenas filmes em
espaços públicos, como a Praça da Matriz, depois da missa, ou no pátio do
Albergue de São Vicente de Paulo, nos finais de semana e em ocasiões de festa,
onde se tornou uma das mais esperadas e prestigiadas atrações. Eram exibidos
filmes de humor como os protagonizados por Charles Chaplin, a dupla O Gordo e o
Magro, as chanchadas brasileiras, dentre outros.
As
apresentações eram noticiadas sempre com antecedência por meio de faixas e
anúncios pelo Serviço de Alto Falantes da Igreja Matriz e capela do Albergue. A
exibição de filmes na festa era feita num espaço coberto, destinado a esse fim,
com cobrança de ingressos a preços módicos, auxiliando nas despesas e
abrilhantando as festividades, que ocorriam durante todo o mês de julho. Os
filmes eram alugados e chegavam em grandes rolos, embarcados na mala do
Correio, via Estrada de Ferro Central do Brasil.
O
Cine Teatro Ìris marcou a vida de toda uma geração de limaduartinos. Ir ao
cinema fazia parte do rolê daquela época, ficando os jovens agrupados em
pequenos grupos ou mesmo passeando pelo Centro. O início das sessões de cinema
era anunciado por um sistema de altofalantes instalado na entrada do cinema por
meio de músicas que a tradição recolheu e mantém viva memória. Uma delas era o
“Tema de Lara”, música tema do filme Doutor Jivago, composta em 1965 por
Maurice Jarre.
O
Cine Thetro Íris encerrou suas atividades no fim da década de 1970, Seu último
proprietário foi Paulo dos Reis Modesto. A decadência do cinema ocorreu
paralela à chegada e popularização da televisão e a facilidade de acesso a Juiz
de Fora, onde se dispunha de casas de exibição de melhor qualidade, melhor
estrutura e maior poder aquisitivo, com exibição de filmes de sucesso e mais
modernos.
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024
Roda Seca – o coração que pulsa na memória

Roda Seca
Foto: Robertson Oliveira
1985
Uma
geração inteira de limaduartinos foi marcada pela existência e memória afetiva
ligada à Roda Seca, monumento que se erguia bem no coração da cidade, no antigo
Largo da Liberdade, atual Praça Nominato Duque.
Antes
do monumento, o local recebeu, em tempos remotos, um chafariz em coluna de
ferro, erguido sobre uma base em degraus, que fornecia água para a população.
Fotos das décadas de 1910 e 1920 trazem este chafariz, rodeado de pessoas em
festas, enterros, procissões, sessões solenes do Tiro de Guerra e festas.
A
medida em que as residências passam a contar com a rede de água encanada, o
chafariz perde um pouco de sua importância, entrando em decadência e abandono,
como símbolo de um tempo de “atraso”, sendo demolido na década de 1930. Segundo
relatos orais, o velho chafariz foi enviado para Olaria, na época parte do
município de Lima Duarte.
O
Largo da Liberdade foi trocando de nome ao sabor da politica, sendo denominado
Praça Getúlio Vargas e depois Praça Nominato Duque. Na
memória dos moradores dos bairros, segue denominado como Largo, como o
denominam até hoje os moradores com mais de 40 anos da Barreira, Bairro
Cruzeiro e Afonso Pena.
A
“Roda Seca” surge no contexto de mudanças ocorridas na década de 1960, quando a
cidade passa por um processo de modernização, com a chegada da BR 267,
construção de prédios em linhas modernas, calçamento de ruas, construção de
novo prédio para o Fórum e uma nova rede de energia elétrica, mais potente e
atualizada.
O Governador do Estado Israel Pinheiro (PSD) deu um prazo de 12 dias para o Prefeito Análio Moreira (UDN), construísse um monumento para abrigar a Placa de inauguração do novo sistema de distribuição de energia elétrica, que substituiu a Companhia Regional de Eletricidade, que forneceu energia à cidade de Lima Duarte desde 1918. Apesar de adversário politico do prefeito municipal, o que por lógica seria improvável, coube ao cidadão Lindomar de Paula Guimarães, professor do Ginásio Estadual de Lima Duarte e estudante de Direito em Juiz de Fora, aceitar o desafio proposto pelo governador, de que era correligionário e projetar e executar a construção do monumento em apenas 10 dias.
O
próprio professor Lindomar nos traz a descrição do monumento e seu simbolismo:
“…
As duas hastes como ponteiros de um relógio simbolizavam o tempo. Eram
revestidas com pastilhas cerâmicas nas cores vermelha (Luta) e branca (Paz),
uma metáfora da vida, feita de lutas e paz. A luta na paz levaria à vitória,
simbolizada no V formado pelo encontro dos ponteiros.
A
placa documentando a inauguração do novo sistema de distribuição de energia
elétrica era ligada a uma roda denteada, simbolizando a indústria, destacando o
papel da energia elétrica para o bem estar e o desenvolvimento humano.
No
ponteiro horizontal havia um registro rotativo emissor de água e embaixo, um
canteiro de grama (água e verde), mostrando o respeito à sustentabilidade
ecológica, com base em principios defendidos por Le Corbusier. A posição dos
ponteiros indicava qual deveria ser o sentido do caminhar, individual e
coletivamente, ou seja, andar para frente e para cima, nunca para baixo.
O monumento, inaugurado dia 30 de agosto de 1969 segundo Lourival Brasil, seria apelidado popularmente de Roda Seca, certamente pela interrupção do fluxo de água em seu aspersor. Sua existência marcou profundamente a vida de toda uma geração, que fez dele ponto de encontro, local de longos bate papos, ponto de referência. Os jovens se aproveitavam de sua posição privilegiada para paqueras, tendo sua silhueta, iluminada pela lua, testemunhado muitos encontros, que redundaram em namoros, noivados e casamentos. Durante o dia, era a vez dos mais velhos se reunirem ao seu redor, comentando fatos do cotidiano, relembrando velhas histórias.
Nos
Carnavais e festas todos nele se apinhavam, para ver a banda e os blocos
passarem. Os veículos, naquela época podiam circulá-lo, e dependendo do
movimento na “rua” descer ou voltar tomando outros rumos.Quem queria ser visto
ou lembrado, passava pela “Roda Seca”
Apesar
de sua importância como marco histórico, presença significativa na cena urbana,
memória coletiva e lembranças individuais, o monumento foi demolido pela
Prefeitura de Lima Duarte em 1989, dando continuidade ao processo de obstrução
e secção da principal rua da cidade, para a construção do Calçadão.
domingo, 7 de janeiro de 2024
ALICE DELGADO - uma vida dedicada ao Social.
Hoje
destacamos a figura de Alice Delgado, limaduartina ilustre, que será
homenageada no Iº Forum de Desenvolvimento, que acontece em Lima Duarte, de 20
a 23 de fevereiro deste ano. A homenagem é um tributo à atuação da cidadã Alice
de Paula Delgado na promoção do desenvolvimento das pessoas, como base do
desenvolvimento da sociedade.
Nosso
objetivo é apresentar essa sua faceta, sem detrimento de outras, uma vez que
pesquisas básicas revelam à cada dia novas atividades e experiências que
desenvolveu, sozinha ou em grupo, sem que nunca possamos concluir. Seguiremos
nas pesquisas...
Dados Biográficos
Alice
de Paula Delgado nasceu em Lima Duarte aos 06 de janeiro de 1938, filha de
Pedro Cândido Delgado, cirurgião-dentista e de Alzira de Paula Delgado,
professora de ensino primário no Grupo Escolar Bias Fortes.
Por
parte de pai, era neta de Maria Venância Delgado e Joaquim Cândido da Silva.
Maria Venância era filha de Francisco Delgado Mota e Ana Cândida de Jesus.
Joaquim Cândido era filho de Joaquim Inácio da Silva e Cândida Maria de Jesus,
ambos de Rosário de Minas.
Alzira e Pedro Candido
Por
parte de sua mãe Alzira, Alice era neta de Benvindo José de Paula e Maria
Carlota de Paiva. Bemvindo de Paula descendia de Manoel José de Paula Rodrigues
e de Inocência Jesuína da Cunha. Maria Carlota por sua vez era filha de Joaquim
José de Oliveira e Carlota Augusta de Paiva.
Alice
Delgado fez os estudos primários básicos em Lima Duarte, seguindo para Juiz de
Fora, onde formou-se professora. Em Juiz de Fora exerceu o Magistério por
longos anos até se aposentar, quando passa a dividir seu tempo entre Juiz de
Fora e Lima Duarte, onde ainda vivia e residia sua mãe.
Atuação na comunidade
Católica
praticante, exerceu por toda a existencia a função de catequista, preparando
criancas e adolescentes para a Primeira Eucaristia, Perseverança e Crisma.
Atuou também na Ordem Franciscana Secular, como membro da diretoria e
formadora.
Seguindo
em sua ação na Igreja e inspirada nos ideais de Dona Zilda Arns, funda em 1998
em Lima Duarte, um núcleo da Pastoral da Criança, desenvolvendo com um dedicado
grupo de agentes todas as práticas relacionadas à diminuição da desnutrição e
mortalidade infantil,como produção e difusão da multimistura, pesagem periódica,
uso do soro caseiro, distribuição de agasalhos, roupas e medicamentos,
encaminhamentos para tratamentos e palestras instrutivas aos pais. Atuou também
na formação de agentes da Pastoral da Criança, ampliando as ações nos bairros
de periferia e comunidades mais distantes e carentes, trabalhando pela melhoria
da qualidade de vida das crianças e suas famílias. O núcleo da Pastoral da
Criança de Lima Duarte tornou-se referência em toda a Arquidiocese de Juiz de
Fora, por sua atuação e eficiência.
Oriunda
de uma família com elevado grau de comprometimento social, participou,
incentivou e colaborou com todas as iniciativas de caráter filantrópico e
assistencial ocorridas na cidade, notadamente as realizadas em apoio ao
Albergue da Sociedade São Vicente de Paulo, comandado por seu tio Afrânio de
Paula e à Santa Casa de Misericórdia de Lima
Duarte, idealizada por sua avó, Maria Carlota.
Produtora
rural, manteve e desenvolveu a Fazenda Bom Retiro, administrando-a em nome de
seus irmãos e co-herdeiros, envolvendo-se pela mesma forma em todas as questões
relacionadas ao produtor rural.

Alice Delgado
Foto: Jornal O Sabiá
Pensando
na política partidária como forma de promover o desenvolvimento social e
cidadão, filia-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) em 02 de abril de 1992,
seguindo os passos de seu sobrinho Paulo Delgado, professor universitário, um
dos fundadores do PT e Deputado Federal reeleito para várias legislaturas, de
1987 a 2011. Uma vez filiada, desenvolve intensa atividade partidária, sendo
indicada para concorrer ao cargo de vice-prefeita pelo Partido dos
Trabalhadores na chapa que compôs com o professor Julio César de Paula,
candidato a prefeito nas eleições municipais de 1992. A chapa, apesar de não
sair vencedora, produziu uma campanha diferenciada, conciliando arte,
entretenimento e engajamento social, reunindo em todas as localidades
lideranças comunitárias para diálogo e troca de experiências, marcando época.
Numa
atuação cada vez mais marcante no meio social, recebe em 08 de março de 2002 a
homenagem do Poder Legislativo de Lima Duarte no ensejo das comemorações do Dia
internacional da Mulher. Nesse mesmo ano,em agosto, vamos vê-la festejando a
inauguração de importantes melhoramentos nas dependências do Albergue de São
Vicente de Paulo em Lima Duarte, realizados em sua maior parte, por meio de
recursos obtidos por seu sobrinho e então deputado federal Paulo Delgado, junto
à empresa CBMM – Cia brasileira de Mineração e Metalurgia.
Participou
como delegada municipal, representando Lima Duarte na Conferência Estadual de
Segurança Alimentar, realizada em Belo Horizonte nos dias 2 e 3 de dezembro de
2002, tendo como companheiros Adélo de Souza Fernandes e Francisco Carlos
Evangelista. Nessa conferência estebeleceu-se as bases da política de segurança
alimentar do Estado de Minas Gerais.
Vale
realçar também sua participação e atuação nas atividades da Associação Mãos
Mineiras de Manejo, transmitindo conhecimentos por meio de palestras e
oficinas, além de um forte engajamento.
Atuou
na Comissão Paroquial que promoveu adesão e coletou assinaturas viabilizando o
abaixo assinado que solicitava a apreciação, pelo Congresso Nacional do
anteprojeto de lei de iniciativa popular, punindo a compra de votos e o uso da
máquina pública. Obtida a aprovação da lei, que recebeu a denominação de Lei Federal
9.840, de 1999, fomentou e fez criar em Lima Duarte um Comitê, destinado a
conscientizar a população eem geral e o eleitorado em específico sobre as
consequências da compra de votos, além das implicações penais. O Comitê
promoveu distribuição de folders, divulgação de mensagens por meio de carros de
som e reunião com candidatos e chefes políticos.
A
atuação de Alice na área social vai muito além do que aqui citamos. Sua
residência era diariamente ponto de convergência de dezenas de pessoas, em
busca de auxilio material, aconselhamentos, troca de idéias, um bom papo, um
cafezinho e mesmo encaminhamentos. Com sua vasta rede de contatos em Lima
Duarte, Juiz de Fora e outras cidades, obtinha todo tipo de apoio à demandas,
principalmente nas áreas de saúde e assistência social. Com seu apoio e
influência, aliados a uma tenacidade e perseverança sem igual, muito se fez em
beneficio do socorro e da promoção da dignidade humana, num esforço em que
contava com apoio de irmãos, primos e
amigos.
Os
de melhor memória lembrar-se-ão de um Fiat 147 na cor azul, veículo pau para
toda obra, que, conduzido por “Dona Alice” era sinal de esperança e luz
para muitas pessoas.
Ao
longo do tempo, sentindo o peso dos anos, Alice Delgado reduziu, sem contudo
paralisar totalmente, suas atividades sociais. Permaneceu atuante,
principalmente em demandas familiares, seguindo seus propósitos e princípios.
Após
um período adoentada, veio a falecer em Juiz de Fora, aos 22 de junho de 2021.
Terminava assim a trajetória de uma grande liderança de Lima Duarte, cuja
ausência se faz sentir ainda hoje, num momento em que, com raras exceções, é
quase nula a existência de ações cidadãs, desprovidas de interesses
partidários, ideológicos ou eleitoreiros.
quinta-feira, 7 de dezembro de 2023
O slogan oficial de Lima Duarte
Ao longo do tempo, foi-se convencionando adicionar aos nomes das cidades, slogans e títulos, que por vezes até chegam a substituir os nomes em documentos oficiais ou mesmo publicações. Estes títulos ou slogans, muitas vezes extraoficiais, acabam sendo dotados pela Municipalidade de forma oficial, tornando-se as vezes até mesmo obrigatórios em publicações e documentos oficiais.
Temos
ao lado o exemplo de Juiz de Fora, cognominada de “Manchester Mineira”, uma
comparação feita nos tempos áureos da industria na cidade, pujante de tal forma
a poder ser comparada à cidade de Manchester, na Inglaterra. A mesma Juiz de
Fora foi também chamada de Barcelona Mineira, pelos mesmos motivos, por Rui
Barbosa. Mas oficialmente seu título é “Princesa de Minas”, que inclusive
consta no hino da cidade.
Barbacena é a “Cidade das Rosas”, uma alusão à forte produção de mudas de roseiras e rosas que se desenvolve em suas terras. O Rio de Janeiro é a Cidade Maravilhosa, por seus atrativos naturais e ótima localização, além de pólo cultural e artístico. Petrópolis ostenta o título de “Cidade Imperial”, por ter sido erguida a mando de Sua Alteza Dom Pedro II, que ali fez construir uma catedral e um palácio de verão.
No
caso de Lima Duarte foi adotado um slogan, que buscou traduzir a preciosidade e
o valor que a cidade representa para seus cidadãos e para o Estado de Minas
Gerais.
A
Lei nº 561, aprovada em 09 de dezembro de 1977, determina que seja adotado
oficialmente nos impressos municipais um slogan, como consta a seguir:
“O
POVO DO MUNICÍPIO DE LIMA DUARTE, POR SEUS REPRESENTANTES NA CÂMARA MUNICIPAL,
VOTOU E EU EM SEU NOME SANCIONO A SEGUINTE LEI:
Art.
1º - Fica o Executivo e Legislativo Municipal autorizados a adotarem
oficialmente em todos seus impressos o seguinte Slogam: "LIMA DUARTE,
PÉROLA INCRUSTADA NAS MONTANHAS DE MINAS GERAIS".
Art.
2º - Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as
disposições em contrário. Mando, portanto, a todas as autoridades a quem o
conhecimento e execução desta Lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir tão
fiel e inteiramente como nela se contém.
Prefeitura
Municipal de Lima Duarte, aos 09 de dezembro de 1977.
Era
Prefeito Municipal na época o Dr. Domingos Octaviano Lima, que exercia o
mandato de Prefeito pela terceira vez.
Vc
sabia?
terça-feira, 7 de novembro de 2023
Caxias em Lima Duarte
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Duque de Caxias |
sábado, 7 de outubro de 2023
A Agência de Correios e Telégrafos de Lima Duarte
A agência de Correios de Lima Duarte foi criada pelo Governo Imperial em 17 de setembro de 1866, quando o município ainda era um Distrito de Barbacena, como o nome de Dores do Rio do Peixe. Antes dessa data, as correspondências, impressos e jornais eram trazidas quase sempre por tropeiros, que as recolhiam nas agências postais circundantes, acondicionados em bornais de couro impermeáveis, sendo entregues pessoalmente aos destinatários, muitos deles aproveitando o mesmo portador para o encaminhamento das cartas-resposta.
Nessa época, o transporte de mala postal era feito em animais de carga, que seguiam um trajeto de ida e volta, alguns dias da semana.
No caso de Lima Duarte, a mais antiga referência do trajeto da mala postal, pode ser visualizada na “Carta das Comunicações Postaes da Província de Minas Geraes, projetada pelo Engenheiro H. Gerber, por ordem do Exmo. Sr. Presidente da mesma Província, o Conselheiro Joaquim Saldanha Marinho”, datada de 1867 (recorte abaixo). Por ela, reconhece-se o trajeto da mala postal, que tinha como origem a Capital Imperial, Rio de Janeiro, de onde seguia em direção a Juiz de Fora, Barbacena, e Ouro Preto (capital provincial)
O trajeto para Dores do Rio do Peixe, no mapa assinalada apenas como Dôres, seguia de Juiz de Fora a João Gomes (atual Santos Dumont), de onde era despachada para Quilombo (atual Bias Fortes) e Santa Rita de Ibitipoca. De Quilombo, seguia para “Dores” (Lima Duarte). De Santa Rita seguia para Conceição de Ibitipoca (no documento apenas Conceição). O retorno se fazia de forma inversa pelo mesmo trajeto.
As
mudanças nos meios de transporte, advindas com a chegada da ferrovia,
possibilitaram mais rapidez e eficiência na prestação de serviços dos Correios.
Dessa forma, os antigos trajetos foram sendo adaptados a essa nova realidade.
Em 1889, o trajeto da mala postal para Lima Duarte era feito no seguinte trajeto: Estação Ferroviária de João Aires/Santa Rita de Ibitipoca/Conceição de Ibitipoca/Lima Duarte e Quilombo (Bias Fortes), de 5 em 5 dias.
Em 1892, partia ainda da estação ferroviária de João Aires para Santa Rita de Ibitipoca, Conceição de Ibitipoca, de três em três dias; entre Conceição de Ibitipoca e São Domingos da Bocaina, de cinco em cinco diass e entre a estação de Palmira seguindo para Quilombo e Lima Duarte de três em três dias.
Ao tempo do Dr. Pádua Resende no comando dos
Correios, o trajeto passou a ser feito de dois em dois dias, a partir da
estação ferroviária de Chapéu de Uvas, mais próxima de Lima Duarte e não pela
estação de João Aires (atualmente Antonio Carlos - MG)
Por
volta de 1909, os negociantes e fazendeiros residentes no Distrito de São
Domingos da Bocaina encaminharam pedido à Diretoria Geral dos Correios do
Estado de Minas Gerais, solicitando que o entroncamento da linha de Correio
daquela localidade fosse feito com a agência da Freguesia de Bom Jardim de
Minas, por onde já transitava, desde 1897, a Viação Férrea Sapucaí e muito mais
próxima da localidade de São Domingos da Bocaina que as demais estações
ferroviárias existentes na época. Apesar da logica evidente, funcionalidade e
eficiência muito maiores, o pedido não foi atendido, seguindo a mala postal pelos
velhos e tortuosos caminhos.
Em 1915, o itinerário da mala postal dos correios: seguia de Chapéu D’Uvas, para Rosário de Minas, Lima Duarte, São Domingos, Ibitipoca e Santana do Garambéu, com retorno pelo trajeto inverso.
Com a construção do Ramal de Lima Duarte, da Estrada de Ferro Central do Brasil, o despacho da mala postal passou a ser feito de Juiz de Fora à última estação inaugurada, seguindo viagem em animal de carga, até a agência postal telegráfica da cidade. Dessa forma o trajeto da mala postal foi feito até 1924 até a estação de Penido, de 1924 a 1926 até Valadares e após isso até a estação Deocleciano Vasconcelos (Paradinha). As correspondências para Rosário de Minas e União (Bias Fortes) eram desembarcadas na estação mais próxima (Valadares), onde havia posto do Correio, desde 1926.
Com
a extinção do ramal ferroviário em 1968, as correspondências passaram a ser
expedidas via empresa de ônibus Lima Duarte S/A, que fazia regularmente a linha
Juiz de Fora a Lima Duarte. Após a substituição da Viação Lima Duarte S/A, a
remessa da mala postal seguiu sendo feita pelas empresas que assumiram a
concessão.
Com o aumento do volume de correspondências e volumes a serem recebidos e despachados, a “mala postal” passou a ser transportada em veículos da própria empresa.
sábado, 16 de setembro de 2023
Jurandyr Pires de Castro Ferreira, engenheiro chefe do Ramal de Lima Duarte.
A construção do ramal ferroviário
que ligaria Juiz de Fora a Bom Jardim, passando por Lima Duarte, foi uma obra
federal muito custosa, que se arrastou por longos anos, consumindo vultosos
recursos públicos e demandando muito esforço de corpos técnicos, empreiteiros,
fornecedores e operários.
Iniciada
em 1911, dividiu-se em duas grandes etapas: o trecho de Benfica a Lima Duarte e
o trecho de Lima Duarte a Bom Jardim do Turvo (atual Bom Jardim de Minas). As
obras foram marcadas por várias paralisações e corte de verbas, fazendo com que
muitos engenheiros se sucedessem na chefia das obras neste período.
Um deles, o Dr Jurandyr de Castro Pires Ferreira, ficou famoso por chefiar as obras no seu final de primeiro trecho, a chegada a Lima Duarte, tornando-se o mais conhecido dos vários engenheiros que chefiaram as obras.
Jurandyr de Castro Pires Ferreira, foi engenheiro civil, geólogo, professor universitário, jornalista e político brasileiro. Nasceu no Rio de Janeiro a 22 de fevereiro de 1900. Fez o Curso de humanidades no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro e formou-se Engenheiro Civil pela Escola Politécnica no Rio de Janeiro..
Começou sua carreira aos 20 anos
como Fiscal no Porto do Rio de Janeiro. Ainda jovem, como engenheiro, atuou na
Estrada de Ferro Central do Brasil, assumindo em 27 de dezembro de 1922 a
chefia de construção do Ramal Juiz de Fora a Bom Jardim de Minas, no trecho de
Benfica a Lima Duarte. As obras da ferrovia estavam paralisadas desde 1914 em
Penido, havendo até próximo de Lima Duarte apenas o leito, faltando a conclusão
das obras de arte menores, da ponte sobre o Rio do Peixe e estação em Várzea do
Carmo (atual Valadares), do túnel, e principalmente da passagem da ferrovia
pelo centro de Lima Duarte, colocada como um “grande desafio”.
O jovem engenheiro logo “mostra
serviço”, fazendo com que as obras avançassem, executando logo as ações de
prolongamento dos trilhos até Várzea do Carmo. Por outro lado, apresentou à
Central um novo projeto de passagem pelo centro da cidade, determinando o
prosseguimento das obras até atingir o Barulho, trecho onde foram necessárias
muitas obras de contenção de encostas e longos e elevados aterros e cortes.
Projetou também as plantas das estações ferroviárias de Várzea do Carmo (atual
Valadares), Orvalho, Manejo, Parada de Lima Duarte e Estação de Lima Duarte
(Barreira).
Seu maior objetivo era fazer com que
os trilhos atingissem a cidade de Lima Duarte,
fato que ocorreu pela primeira vez em 08 de dezembro de 1925, com a
chegada de uma comitiva vinda de Juiz de Fora num “trem de lastro”, na Parada
de Lima Duarte, construída em terrenos de João Avelar, hoje área conhecida como
bairro Paradinha!
Atingindo seu objetivo, o Dr.
Jurandyr permanece em Lima Duarte, chefiando as obras do ramal até 29 de
dezembro de 1927. Meses antes havia pedido afastamento da função por não
concordar com os valores majorados pagos pela Estrada de Ferro Central nas
medições...
De Lima Duarte vai assumir a chefia
das obras do ramal Petrolina a Teresina. Logo em seguida assume a função de
Chefe de Gabinete do Ministro da Viação e Obras Públicas.
Inicia então sua carreira politica.
Foi também deputado federal nas legislaturas de 1946-1951 e 1959-1963, sendo
Deputado Federal Constituinte pelo Estado da Guanabara, filiado à UDN. No mesmo
ano, deixa a UDN e filia-se ao PSD.
Paralelas
às atividades partidárias segue sua carreira profissional. Em 1950 é nomeado
Diretor comercial da Estrada de Ferro Central do Brasil. Em 1951 é nomeado
Presidente do IBGE. Exerce também a Cadeira de Professor de Urbanismo e
Arquitetura, Escola de Engenharia da Universidade do Brasil.
Como
jornalista, dirigiu a revista Técnica e Arte, colaborou nas revistas O
Brasil Técnico, Viação, Diretrizes, Revistas das Estradas
de Ferro e Revista do Clube de Engenharia.
Foi
também Presidente da Confederação das Associações de Engenheiros Ferroviários
do Brasil.
Como
estudioso e pesquisador compôs e publicou o Trato de Mecânica econômica;
Derrocada de preconceitos; Esnobismos técnicos; Príncipios
gerais da higiene hospitalar; Tendências do estilo; Abaixo as Máscaras.
Faleceu no Rio de Janeiro a 4 de
maio de 1982.
terça-feira, 8 de agosto de 2023
Oscar Baumgratz, o grande construtor.
No século XIX, quando a povoação
do Rio do Peixe deu seus primeiros passos em direção à urbanização, com a
formação do núcleo original da atual cidade, as construções eram feitas com
materiais encontrados na própria natureza.
As
árvores de lei, como perobas, braúnas e aroeiras, por sua resistência aos
cupins, viravam esteios, linhas e vigas das paredes e telhados. Os cedros e
canelas, macios e facilmente trabalháveis, viravam folhas de portas e janelas,
resistentes às chuvas e ao sol. As
palmeiras eram derrubadas e abertas a machado, gerando as ripas que suportavam
as telhas de capa e bica, por aqui mesmo fabricadas.
As
paredes eram feitas de trançados de bambus, ripas de coqueiro ou bambu,
barreadas com uma mistura de terra de barranco, esterco de boi, capim picado e
tabatinga.
Tudo
isso repousava sobre alicerces de pedra seca, tiradas dos matacões no meio dos
pastos ou nas pedreiras. Assim foram construídos todos os prédios, da mais
humilde casa dos homens à Matriz, até 1872.
Por
volta de 1870, uma família de imigrantes alemães chega à cidade, liderada por
Carlos Frederico Baumgratz, que acabara de construir a Igreja de Nossa Senhora
da Boa Morte em Barbacena. O fazendeiro João Ribeiro de Paiva o convidou para
construir em nossa cidade a Igreja do Rosário.
Aqui
chegando, Carlos se estabeleceu na “Várzea”, entre a Barreira e o centro,
formando sua olaria e construindo em 1872, a primeira casa erguida em tijolos
da vila do Rio do Peixe, atual cidade de Lima Duarte. Casando-se com Ana Hotun,
em 1876, Carlos teve com ela, cinco filhos, dos quais um se destaca, seguindo a
tradição construtora do pai.
Oscar von Baumgratz nasceu na então vila do Rio do Peixe, atual Lima Duarte, aos 8 de setembro de 1881. Foi sem dúvida, um dos maiores construtores do início do século XX em Lima Duarte.
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| Oscar Baumgtatz e Rita Venâncio |
Naquela época era comum o empreiteiro assumir toda a cadeia de produção, desde a preparação do terreno com aterros e desaterros, a extração e transporte de pedras para os alicerces, a fabricação de tijolos, derrubada e preparação de todo o madeirame para telhados, assoalhos, portas e janelas. Os tijolos fabricados por Oscar são conhecidos por sua qualidade e dimensões, em torno de 24cm x12cm x7cm, além de suas iniciais “OB” gravadas em baixo relevo numa das faces. Alguns dos casarões que ergueu ainda se mantém na Rua José de Sales e outras ruas do centro, testemunhando sua obra na cidade.
Nos quadros de segunda linha do
Exército, atingiu a patente de Coronel, sendo relacionado nos Almanaques da
República compondo grupo de oficiais com José de Sales, João Honório de Paula
Mota, Jacinto Honório, Carlos Moreira, dentre outros.
Faleceu em Lima Duarte aos 21 de
abril de 1950, deixando ilustre e numerosa descendência, fruto de seu casamento
com Rita Venância.
quarta-feira, 12 de julho de 2023
Maximiano Nepomuceno, pioneiro da música em Lima Duarte.
Um dos mais destacados cidadãos
lima duartinos de seu tempo, com realizações que persistem ativas até o dia de
hoje, Maximiano Estevão Nepomuceno marcou sua trajetória com atuação no
magistério, na vida forense, no apostolado católico, nas atividades sociais
e filantrópicas.
Como
tantos outros, não nasceu em Lima Duarte, mas para cá se transferiu e galgou
posição muito mais elevada e distinta que muitos “nativos”, por sua honradez,
honestidade e fino caráter.
Nascido
aos 2 de setembro de 1855 na histórica cidade de São José d’El Rei, atual
Tiradentes, onde viveu até que se fizesse jovem e completasse os estudos,
transferiu-se posteriormente para Lima Duarte.
Em
Lima Duarte radicou-se inicialmente na Fazenda da Samambaia, onde vivia de
ensinar as primeiras letras.
Como
era oriundo de uma região com muita tradição na música, o jovem Maximiano
também era músico e passou a ensinar a teoria e prática musical aos que se
interessavam, formando logo um pequeno grupo musical. A prática levou os jovens
a tomar gosto pela música, surgindo logo a idéia de fundar-se uma banda de
música.
Juntamente com Jerônimo Rodrigues de Oliveira e Carlos José da Silva, Maximiano funda a primeira banda de música de Lima Duarte, a Banda Sagrado Coração de Jesus, que estreou na então Vila do Rio do Peixe, seus primeiros acordes públicos em 24 de junho de 1884.
Transferindo-se
da fazenda da Samambaia à cidade, prossegue no Magistério com ótima atuação.
Prestando concurso para a carreira forense, é aprovado, e em fevereiro de 1896
tomou posse do cargo de escrivão do Primeiro Ofício profissão, encerrando sua
carreira forense como Tabelião do 1º Ofício.

Na foto ao lado, extraída do Album dos Municipios de 1925, vemos Maximiano Nepomuceno, integrando a Família Forense. Da esquerda para a direita, sentados: Senador Alfredo Catão, advogado -- Dr. José Maria Filgueiras, juiz municipal--Major Maximiano Nepomuceno, escrivão--- Major Francisco Neves-Escrivão De pé: Aderbal Neves, escrevente-- Pedro de Oliveira Coelho, contador, distribuidor, partidor -- Dr. Hesichio Seabra Azaror, advogado-- Tenente Nestor Neves, escrivão do crime.
Católico praticante, frequentava assiduamente as missas e eventos paroquiais, compondo o Coral Sacro que tocava nos ofícios divinos, juntamente com Dona Altina Pires Tavares. Atuou também na Irmandade dos Passos no Apostolado da Oração e na Sociedade de São Vicente de Paulo.
Casou-se
com Dona Ambrosina Nepomuceno, de Lima Duarte, com quem teve duas filhas: Rita
Nepomuceno e Maria Nepomuceno, ambas formadas professoras no Colégio Nossa
Senhora das Dores em São João del Rei exrcendo por longos anos o magistério no
Grupo Escolar Bias Fortes, com louvor.
Mas
nem só de música se fez a vida de Maximiano!
Participou
ativamente da criação do Grupo Escolar Bias Fortes, sendo tesoureiro da Caixa
Escolar; atuou forte e incisivamente na criação da Santa Casa de Misericórdia de
Lima Duarte, destacando-se no empenho pela construção das instalações e tomando
posse como tesoureiro em 1923.
Faleceu
em Lima Duarte, aos 16 de novembro de 1930.
Por
seu pioneirismo na introdução da música em terras lima duartinas, foi honrado
como patrono da Escola e Banda de Música Maximiano Nepomuceno.
quarta-feira, 14 de junho de 2023
Dom Rodrigo: A visita que abre o Sertão !
Em 08 de Junho de 1781, uma
comitiva deixa a cidade de Vila Rica, capital da Capitania de Minas Gerais. Em
destaque, montado ricamente, desloca-se um jovem governador, conhecido por sua
perícia e fino trato, Dom Rodrigo José de Meneses, que tinha o título de Conde
de Cavaleiros, que tomou posse como Capitão General da Capitania de Minas
Gerais em 20 de fevereiro de 1780, sucedendo ao governador Antonio Noronha.
Informado
dos desvios e extravios de ouro no Sertão do Rio do Peixe, resolve ele mesmo
por fim àqueles crimes, integrando o Sertão Proibido ao mapa da capitania. O
chamado Sertão Proibido ou Àrea Proibida” se estendia à quase
toda a região banhada pelo Rio do Peixe e seus afluentes, compreendendo hoje
parte do Município de Lima Duarte (distrito da Sede), parte de São Domingos da
Bocaina que verte águas para o Ribeirão da Bocaina (atual Ribeirão Rosa Gomes),
município de Olaria, distrito de Taboão (hoje pertencente a Bom Jardim de
Minas), parte de Rio Preto (vale do Pirapetinga e Ribeirão Monte verde),
município de Bias Fortes e município de Pedro Teixeira
De
Vila Rica, Dom Rodrigo chega dia 15 ao local denominado Passa Três, bem próximo
às cabeceiras do Rio Paraibuna, de onde embrenha-se pelo Sertão Proibido,
atingindo o vale do Ribeirão Santa Rita, atual Ribeirão Vermelho, atualmente
municípios de Santa Rita de Ibitipoca e Bias Fortes, descendo 5 léguas pelo
Sertão abaixo, que achou densamente povoado e ocupado por caminhos largos e
trafegados, picadas, roças, ranchos e garimpos, numa área em que oficialmente
ninguém poderia morar, plantar ou criar, em vista de leis promulgadas por seus
antecessores desde 1736…
Seguindo
o ribeirão, a comitiva de Dom Rodrigo foi ter ao Rio Grão Mogol e deste às
margens do Rio do Peixe, onde era aguardada por grande número de posseiros, com
suas famílias e escravos.
Formou-se
no local logo um povoado, pontilhado de ranchos toscos, abrigando a comitiva e
os posseiros, avisados da vinda do Capitão General. Este povoado foi denominado
por anos seguidos de Quartel General do Rio do Peixe ou simplesmente Quartel
General, como se vê em alguns mapas da época. Pela posição em que está nos
primitivos mapas, a localidade situava-se em algum lugar próximo a Manejo.
Dom
Rodrigo se fez acompanhar de seu ajudante de Ordens tenente Francisco Antonio
Rabelo, que estivera meses antes no sertão do Rio do Peixe elaborando a lista
de posseiros, e do Ouvidor Geral da Comarca do Rio das Velhas Dr. Luís Beltrão
de Gouveia e Almeida, que lhe serviu de auxiliar, escrivão e secretário.
Permaneceu
quatro dias neste povoado improvisado, aproveitando para recolher e despachar
mais de oitocentos requerimentos de posseiros, pretendentes à posse de
sesmarias e datas minerais. Neste intervalo, fabricaram-se canoas, utilizadas
pela comitiva para navegarem pelo Rio do Peixe, investigando seu potencial
aurífero com uso de ferros. Na mesma
ocasião, o governador nomeou um Inspetor, Guarda Mores e seus substitutos, de
forma a fiscalizarem a extração de ouro, concederem novas sesmarias e datas
minerais e a arrecadação de tributos.
Do
Quartel General, Dom Rodrigo foi à barra do Rio Pirapetinga, cujo vale subiu,
atingindo a região de Rio Preto. Desta localidade subiu ao vale do Rio Grande,
tomando o caminho para Rio das Mortes (São João del Rei), dirigindo-se daí à
Borda do Campo e Vila Rica
Assim
nasceu o Distrito do Rio do Peixe, origem do atual município de Lima Duarte.
quarta-feira, 10 de maio de 2023
Inauguração do Prédio do Fórum, Prefeitura Municipal de Lima Duarte até 2024
Erguendo-se
numa das pontas da Praça Juscelino Kubistcheck, o prédio da Prefeitura
Municipal ocupa espaço privilegiado no espaço urbano de Lima Duarte.
Construído
para sediar a Comarca de Lima Duarte, que desde 1889 funcionou em prédio
provisório, o edificio foi projetado em 1896, pelo Engenheiro do Estado de
Minas Gerais Ernesto Von Sperling, que deu à construção as severas e sóbrias
linhas herdadas do estilo clássico, renovadas e simplificadas, sem perda de
essência.
De
sua inauguração trazemos as seguintes notas, publicadas pelo Jornal Diario de
Minas, em 26 de abril de 1899;
INAUGURAÇÃO DO FÓRUM
A
9 do corrente (abril de 1899) realizou-se festivamente a instalação do Fôro e
das prisões no novo edificio da Cadeia, cujas obras foram contratadas por 69
contos de réis com o Major Joaquim Delgado Motta.
É
uma casa muito elegante pela sua moderna arquitetura.
Essa
festa, promovida pelas autoridades e membros do Fôro, revestiu-se de grande
solenidade e foi muito concorrida.
Presidiu
a sessão o honrado Juiz de Direito da Comarca, Dr. Hamilton de Paula, tendo aos
lados o Dr. Canuto Peixoto, juiz substituto, Alfredo Catão – Promotor de
Justiça, Alferes Jerônymo Rodrigues de Oliveira Junior – Delegado de Polícia e
Jacintho de Paula – 1º Juiz de Paz, servindo o escrivão Francisco Neves.
Antes
da instalação, pelo Reverendíssimo Padre Pedro Nogueira, foi dada a benção ao
edifício. O Dr. Hamilton de Paula proferiu um belo discurso que foi muito
aplaudido e depois falou o Promotor de Justiça. Entusiásticas aclamações foram
feitas pelos oradores aos nomes dos Drs. Bias Fortes, Henrique Diniz, Alfredo
Pinto e major Joaquim Delgado Motta, bem como ao governo do Dr. Silviano
Brandão.
Tocou
durante o ato a excelente banda de Música Guarani.
quarta-feira, 5 de abril de 2023
Vila Belmiro ou Vila Belmira?
È comum vermos as duas formas sendo ditas, repetidas e defendidas.
Até mesmo órgãos do Governo Municipal tropeçarem na grafia deste belo bairro, situado à margem da BR 267, tendo como vizinhos os bairros Patrimônio e Afonso Pena.
Dos bairros da cidade é relativamente recente, posterior à abertura da BR 267, na década de 1960, que cortou e isolou terras de pasto pertencentes à Chácara dos Duque.
Neste local residia Lincoln Moreira Duque, um dos herdeiros, que vislumbrou a possibilidade de lotear a área isolada pela “Estrada Nova”, transformando-a em mais um bairro da cidade.
A iniciativa obteve pleno êxito, sendo afixada uma grande placa no local, anunciando a venda de lotes no local.
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| Lincoln Duque em momento de descontração com jovens desportistas Acervo Clodoveu Riolino |
Para denominar o novo bairro, Lincoln Duque e herdeiros escolheram homenagear sua mãe Belmira Moreira Duque.
Dessa forma, fica claro que o nome do bairro é VILA BELMIRA e não Vila Belmiro.
Mas de onde vem o tal Belmiro?
Machismo à parte, todo bom lima duartino sabe da importância e do amor de Lincoln Duque para com o esporte, principalmente o futebol, de que foi grande incentivador. Como sabemos, Vila Belmiro é a sede do Santos Futebol Clube, cremos que acabou ocorrendo aí uma associação de idéia do amor pelo futebol com uma homenagem a um grande clube.
Se você já sabia, parabéns, tem boa memória e informação.
Se não sabia, ajude outros a
conhecer, compartilhando a informação!
quarta-feira, 15 de março de 2023
Ibitipoca x Campos do Jordão: uma saudável disputa
No início do século XX, a tuberculose ceifava vidas em todas as classes sociais, levando à sepultura milhares de pessoas, muitos deles ainda muito jovens. A sociedade da época mobilizou-se criando em cada estado grandes movimentos de combate à doenca, que cuidaram de buscar o que de melhor havia na profilaxia e tratamento. Em Minas Gerais foi criada a Liga Mineira contra a Tuberculose, tendo como principal articulador o médico Dr. Eduardo Augusto de Menezes.
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| Dr. Eduardo Augusto de Menezes |
A fama do clima de Conceição de Ibitipoca, facilitado pela elevada altitude, fez com que para ali se dirigissem por recomendação médica, muitas pessoas em busca da cura, caso do proprietário da Fazenda do Tanque, do Padre Manoel Maria e do famoso Cônego Carlos Octaviano Dias, todos "curados" pelo bom clima de Ibitipoca.
Em 1906, João de Deus Duque Neto animado pela idéia de cooperar na luta contra a tuberculose, entrou em contato com as autoridades do município de Juiz de Fora, com o objetivo de instalar na Serra Grande (Ibitipoca) um grande hospital para tratamento de tuberculosos. Destes encontros, formalizou-se a criação de uma comissão de notáveis, que de Juiz de Fora veio a Lima Duarte em agosto de 1906, chefiada pelos médicos Eduardo de menezes e João Penido Filho. A "Comissão Científica" visitou a cidade e também a Serra Grande, onde efetuou vários testes e experimentos, comprovando a excelência do clima da "Serra"para o tratamento da tuberculose. Destes experimentos elaborou minucioso relatório que foi apresentado às autoridades sanitárias e governamentais, solicitando recursos para a instalação do empreendimento no planalto ao pé do Pico do Pião.
Ao mesmo tempo, os paulistas buscavam apoio para a instalação de empreendimento de mesma proporção em Campos do Jordão, região também notável pela excelência de seu clima. Nos dois locais, a dificuldade era o acesso, comprometendo-se o Dr. Eduardo deMenezes a promover, ele mesmo a construção de uma rodovia ou ramal ferroviário de Juiz de Fora a Lima Duarte e de lá à Ibitipoca.
Dos dois lados nenhum esforço foi poupado pelo sucesso da iniciativa, tendo em vista o terror provocado pela doença e o grande numero de perdas por ela provocadas. O governo do Estado de São Paulo saiu na frente e em 1910, assumiu o compromisso de implantar uma ferrovia entre a cidade de Pindamonhangaba e os "Campos do Jordão". Ibitipoca, apesar de todos os requisitos favoráveis, e do empenho da grande cidade de Juiz de Fora, a mais desenvolvida de Minas Gerais na época, perdeu a disputa, caindo em esquecimento o projeto e todos os benefícios que poderia oferecer.
De minha parte fico a imaginar como seria Ibitipoca hoje, caso o empreendimento tivesse sido implantado...





