Em 1873, foi aprovada na
Assembleia Provincial de Minas Gerais a primeira concessão de ferrovia para a
região onde está hoje Lima Duarte. A ligação da Mata com o Sul de Minas era
prioridade para o estado, pois se tratava de suas duas regiões mais ricas e
desenvolvidas. Outras concessões foram aprovadas, também estaduais, porém
nenhuma obteve êxito.
Em 1910, o Governo
Federal encampou e tornou federais, várias companhias ferroviárias, concessões
estaduais e projetos de ligação. O ramal de Lima Duarte, deixa então de ser uma
obra estadual e passa a concorrer por verbas e créditos no Orçamento da União com
outras tantas obras pelo país.
A crise do café, a
partir de 1929, diminuiu a importância da Zona da Mata e o Sul de Minas, o que
implicou, por tabela em perda de poder político nas duas regiões. Com menos
representação política, menos verbas, retardando o andamento das obras.
Com a ascensão de Belo
Horizonte e a decadência de Juiz de Fora como principal cidade do estado de MG,
o quadro de menor representação política e econômica se acentua, diminuindo em
importância a ligação ferroviária Juiz de Fora – Bom Jardim.
Por outro lado, as
bancadas federais dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, atuaram fortemente
para que a ligação não fosse completada, em vista dos prejuízos que teriam, já
que os trens, uma vez concluído o ramal, não beneficiariam mais seus estados,
com taxas aduaneiras, movimento de passageiros, cargas e toda a infraestrutura
beneficiada nos deslocamentos, como hotéis, pousadas, restaurantes e comercio
em geral.
Iniciada a implantação
do ramal em bitola métrica, como demais que deveria interligar, foi logo alterada
para bitola larga, fazendo com que a ferrovia perdesse sua função original,
tornando-se apenas um galho da Linha do Centro, quando deveria unir a métrica
da Central do Brasil, à Leopoldina e a Estrada de Ferro Sapucaí (depois Rede
Mineira de Viação).
No pano de fundo, as
duas grandes Guerras Mundiais (1914 a 1918 e 1939 a 1945), também interferiram
no contexto do Ramal de Lima Duarte, provocando paralisações de obras (1917 a
1921 e 1939 a 1945), assim como a Revolução de 1930, que paralisou a
continuação das obras além da estação de Lima Duarte e fechou a Parada de Lima
Duarte.
Reiniciadas as obras em
1945, num Brasil cada vez mais rodoviário, seguiram em ritmo lento, sofrendo a
concorrência de outros ramais que estavam sendo implantados pelo pais e a
concentração de poder nas zonas Centrais e Metalúrgica de Minas Gerais,
alavancadas pelo capital gerado pela exploração e exportação do minério de
ferro, que inicialmente escoado pela Estrada de Ferro Vitória a Minas, gerará a
Ferrovia do Aço.