quarta-feira, 10 de setembro de 2025

1925 - Cem anos da Chegada do trem a Lima Duarte – 2025 – Fatores que atuaram no contexto da ferrovia


            Em 1873, foi aprovada na Assembleia Provincial de Minas Gerais a primeira concessão de ferrovia para a região onde está hoje Lima Duarte. A ligação da Mata com o Sul de Minas era prioridade para o estado, pois se tratava de suas duas regiões mais ricas e desenvolvidas. Outras concessões foram aprovadas, também estaduais, porém nenhuma obteve êxito.

            Em 1910, o Governo Federal encampou e tornou federais, várias companhias ferroviárias, concessões estaduais e projetos de ligação. O ramal de Lima Duarte, deixa então de ser uma obra estadual e passa a concorrer por verbas e créditos no Orçamento da União com outras tantas obras pelo país.

            A crise do café, a partir de 1929, diminuiu a importância da Zona da Mata e o Sul de Minas, o que implicou, por tabela em perda de poder político nas duas regiões. Com menos representação política, menos verbas, retardando o andamento das obras.

            Com a ascensão de Belo Horizonte e a decadência de Juiz de Fora como principal cidade do estado de MG, o quadro de menor representação política e econômica se acentua, diminuindo em importância a ligação ferroviária Juiz de Fora – Bom Jardim.

            Por outro lado, as bancadas federais dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, atuaram fortemente para que a ligação não fosse completada, em vista dos prejuízos que teriam, já que os trens, uma vez concluído o ramal, não beneficiariam mais seus estados, com taxas aduaneiras, movimento de passageiros, cargas e toda a infraestrutura beneficiada nos deslocamentos, como hotéis, pousadas, restaurantes e comercio em geral.

            Iniciada a implantação do ramal em bitola métrica, como demais que deveria interligar, foi logo alterada para bitola larga, fazendo com que a ferrovia perdesse sua função original, tornando-se apenas um galho da Linha do Centro, quando deveria unir a métrica da Central do Brasil, à Leopoldina e a Estrada de Ferro Sapucaí (depois Rede Mineira de Viação).

            No pano de fundo, as duas grandes Guerras Mundiais (1914 a 1918 e 1939 a 1945), também interferiram no contexto do Ramal de Lima Duarte, provocando paralisações de obras (1917 a 1921 e 1939 a 1945), assim como a Revolução de 1930, que paralisou a continuação das obras além da estação de Lima Duarte e fechou a Parada de Lima Duarte.

            Reiniciadas as obras em 1945, num Brasil cada vez mais rodoviário, seguiram em ritmo lento, sofrendo a concorrência de outros ramais que estavam sendo implantados pelo pais e a concentração de poder nas zonas Centrais e Metalúrgica de Minas Gerais, alavancadas pelo capital gerado pela exploração e exportação do minério de ferro, que inicialmente escoado pela Estrada de Ferro Vitória a Minas, gerará a Ferrovia do Aço.

            Completando o elenco dos fatores que interferiram na implantação do ramal de Lima Duarte, a transferencia da capital da Republica do Rio de Janeiro para Brasília em 1960, reduz ainda mais a importância econômica e política da Zona da Mata, tornando a ligação ferroviária cada vez mais sem sentido prático, fazendo com que Lima Duarte abraçasse de braços abertos a BR 267.