| Logotipo da Estrada de Ferro Central do Brasil |
Em 8 de dezembro desse ano, completar-se-ão os 100 anos da chegada da prinmeira locomotiva à Lima Duarte. Para entendermos hoje a importância dessa data, precisamos voltar no tempo.
Em 1925, a distancia hoje percorrida até Juiz de Fora em 40/50 minutos, consumia, na melhor das hipóteses, um a dois dias de viagem a cavalo, com as necessarias paradas para pouso e alimentação dos animais e descanso dos cavaleiros. Transporte de cargas via tropas ou carros de boi, levavam mais alguns dias. Mesmo com a chegada dos automóveis, esse tempo podia chegar a semana, dependendo das condições das estradas, principalmente nos Morros da Fumaça e do Caracol, onde as subidas ingremes se somavam aos atoleiros e pontes levadas pelas enchentes. Tudo que se produzia aqui saía e chegava por tropas, carros de boi ou pelos pioneiros caminhões, que trafegavam por toscas estradas, disputando espaço com carros de bois e tropas. Tropeiros traziam nas suas famosas arcas, miudezas e armarinhos, tecidos finos, e artigos de toucador, previamente encomendados.
O
telégrafo chegou mais cedo, em 1920, permitindo comunicação mais rapida. Os
jornais vinham pelo Correio, que levava cerca de quatro dias da estação de João
Aires até Lima Duarte. A partir de 1924, C correio passou a vir da estação de
Valadares, inaugurada com agencia postal.
A
ausencia de transporte decente que nos interligasse à “civilização” foi
inclusive motivo para que a Comarca fosse transferida para Palmira (atual
Santos Dumont) em 1890, sendo restaurada em 1891. Um juiz nomeado se recusou a
ter que se deslocar a cavalo até Lima Duarte e “mexeu os pauzinhos” para que a
sede da Comarca fosse transferida para Palmira, “...cidade moderna e bem situada,
servida pela Linha do Centro da Central do Brasil..."
O
município de Lima Duarte, por volta de 1915, experimentou um processo de
decadência econômica, visível na queda na arrecadação, motivo pelo qual a
Comarca acabou sendo extinta, uma vez que não atingímos o valor minímo de
arrecadação previsto em Lei.
A
chegada da ferrovia que nos interligaria a Juiz de Fora e a Bom Jardim se
tornou então a salvação da economia, uma vez que permitiria o escoamento da
produção de produtos agrícolas, lenha, madeiras, toucinho, aves, leite e
derivados, além de abastecer o comércio local com produtos manufaturados e
industriais.
A
chegada das turmas para a construção do leito da ferrovia, a partir de 1911,
trouxe novas tecnologias à cidade, aplicadas na abertura da Rua da Barreira e
nas demais vias públicas. Muitos imigrantes chegaram à cidade nessa época,
alguns radicando-se aqui para sempre. Os “da Turma da Central “ foram os
principais motivadores do Carnaval de rua, formando animados blocos e
desenvolvendo a cultura do samba na cidade.
Coincidencia
ou não, em 1925 o município em 1925 recupera sua arrecadação, cumpre o
estabelecido em lei e tem de novo seu Juiz de Direito empossado. O fato
reafirma o clima de desenvolvimento e ânimo que a aproximação dos trilhos
trouxe à cidade.
Mas o que teremos para comemorar em 08 de dezembro?
Nos dias de hoje, uma das pontes da ferrovia agoniza, ao lado do Postinho, no Jardim Primavera. A estação da Barreira perdeu suas plataformas, demolidas por pessoas bem intencionadas, mas ignorantes da importância de uma plataforma extensa e larga, numa estação. A Caixa d’agua que abastecia as caldeiras, segue, aguardando tombamento que a valorize, sendo repintada a cada exposição, servindo até de propaganda de ração. A adutora de água da estação, jaz agonizando no meio do mato, em terras particulares. O pontilhão, obra de arte em ferro, jaz debaixo de uma mão de cal, cal que também tampou a bela alvenaria de pedra, por ocasião de uma procissão de Corpus Christi que saiu da capela do Albergue, sem falar do seu entorno, que o descaracteriza, ao ter invandido o espaço das estruturas de contenção dos aterros. De noite, só dá pra imaginar quanto belo seria ver a estrutura bem iluminada, como bem observou um dia o Professor Flavio Riolino, filho de ferroviário que chefiou a Estação da Paradinha.
E
por falar em Paradinha, onde chegou a primeira locomotiva, é pessima a
conservação das estruturas metálicas, e se faz necessária a reconstrução da
plataforma cortada e das instalaçoes, tal como estabelecido no TAC , gerado
após o tombamento em 2015 (dez anos!!!).
Ver
a Paradinha ajustada às condições previstas no TAC, e com uso para os dias de
hoje, como Memorial Urbano, seria a melhor forma de comemorarmos sem
Centenário.
Seria
um sonho?
Não.
Recursos temos. Basta priorizar!
Patrimônio
Historico também é Cultura!
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