Em 1925, transposta a ponte sobre o Rio do Peixe em Valadares, os trilhos avançaram pelo território de Lima Duarte, buscando atingir a cidade, primeira etapa da ligação Juiz de Fora a Bom Jardim do Turvo.
Na altura da localidade de Manejo, uma ação judicial havia embargado as obras, impedindo-as de prosseguirem.
O limaduartino Alcebíades de Oliveira, nomeado juiz federal substituto em 1923 pelo presidente Arthur Bernardes, recebeu um ofício do secretário da Presidência da República, solicitando que tomasse as providencias cabíveis relativas à uma ação de embargo impetrada na Justiça contra a União, pelo advogado de João de Deus Duque Neto, proprietário da Fazenda dos Órfãos em Manejo, na qual solicitava que a Central não “tocasse o paiol nem atrapalhasse o rego de água”.
Buscando apoio com seu
amigo e advogado de confiança Alfredo Catão, este orientou-lhe que procurasse
Nestor Neves e marcasse uma audiência no fórum, solicitando o comparecimento de
dois engenheiros para junto com eles, em diligência, dirigirem-se ao local do
paiol e rego de agua de forma a lavrarem auto, avaliarem o paiol e o rego de
agua, arbitrando valor a ser pago pela União.
O paiol era velho e bem
deteriorado, tendo sido avaliado em 600 mil réis. Quanto ao rego de água, em
nada seria prejudicado pela “linha”, bastando que se fizesse um bueiro de
concreto adequado à sua passagem sob os trilhos.
A União prontamente
acolheu os autos, efetuando o pagamento da indenização.
O velho paiol foi
demolido, o bueiro construído.
E a linha seguiu.
Os dados que me
permitiram recontar esse causo, foram fornecidos por Luan Paula, descendente do
sr. Alcebíades, também pesquisador da história de Lima Duarte, a quem muito
agradeço.