segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Cem anos da ferrovia: No meio do caminho havia um paiol...


            Em 1925, transposta a ponte sobre o Rio do Peixe em Valadares, os trilhos avançaram pelo território de Lima Duarte, buscando atingir a cidade, primeira etapa da ligação Juiz de Fora a Bom Jardim do Turvo.

    Na altura da localidade de Manejo, uma ação judicial havia embargado as obras, impedindo-as de prosseguirem.

           

    O limaduartino Alcebíades de Oliveira, nomeado juiz federal substituto em 1923 pelo presidente Arthur Bernardes, recebeu um ofício do secretário da Presidência da República, solicitando que tomasse as providencias cabíveis relativas à uma ação de embargo impetrada na Justiça contra a União, pelo advogado de João de Deus Duque Neto, proprietário da Fazenda dos Órfãos em Manejo, na qual solicitava que a Central não “tocasse o paiol nem atrapalhasse o rego de água”.

            Buscando apoio com seu amigo e advogado de confiança Alfredo Catão, este orientou-lhe que procurasse Nestor Neves e marcasse uma audiência no fórum, solicitando o comparecimento de dois engenheiros para junto com eles, em diligência, dirigirem-se ao local do paiol e rego de agua de forma a lavrarem auto, avaliarem o paiol e o rego de agua, arbitrando valor a ser pago pela União.

            O paiol era velho e bem deteriorado, tendo sido avaliado em 600 mil réis. Quanto ao rego de água, em nada seria prejudicado pela “linha”, bastando que se fizesse um bueiro de concreto adequado à sua passagem sob os trilhos.

            A União prontamente acolheu os autos, efetuando o pagamento da indenização.

            O velho paiol foi demolido, o bueiro construído.

            E a linha seguiu.

 

            Os dados que me permitiram recontar esse causo, foram fornecidos por Luan Paula, descendente do sr. Alcebíades, também pesquisador da história de Lima Duarte, a quem muito agradeço.

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