domingo, 3 de outubro de 2021

Poetas lima duartinos II

 

POETAS LIMA DUARTINOS II


YMAH THÉRES

    Imaculada Therezinha Miranda Ribeiro, conhecida literariamente como Ymah Théres, nasceu em 28 de julho de 1939,em Lima Duarte- MG., e faleceu no dia 12 de setembro de 2008, aos 69 anos em Juiz de Fora, cidade para onde emigrou ainda criança, com seus pais.

    


Seu pai, João leitor voraz e também poeta,muito influenciou sua escrita, e ela o dedicava muito amor e admiração.A poetisa tinha a saúde debilitada e sua produção poética fala de uma solidão sem limites. Formou-se Bacharel em Jornalismo pela antiga Faculdade de Filosofia e Letras - Fafile (UFJF). Apesar do formação de jornalista entrou para a História como uma grande poetisa. Era dona de uma poética rica e delicada.

    Aos 24 anos, ingressou na Câmara Municipal de Juiz de Fora, onde, por 28 anos, serviu como chefe e posteriormente, como Diretora da Seção de Expediente, aposentando-se em 1991.
    Durante mais de 30 anos, colaborou como articulista em inúmeros periódicos mineiros.

    JORNAIS COM OS QUAIS A POETISA COLABOROU:
1. GAZETA COMERCIAL- Juiz de Fora, MG.
2. JORNAL RODA VIVA ( Órgão das ex-alunas do Colégio Stella Matutina)- Juiz de Fora, MG.
3. FOLHA DA MANTIQUEIRA Juiz de Fora, MG.
4. DIÁRIO MERCANTIL - Juiz de Fora, MG.
5. O IMPARCIAL de Rio Pomba, MG.
6. CORREIO DO SUL - Varginha, MG.
7. TRIBUNA DE MINAS - Juiz de Fora, MG.
8. JORNAL DO POVO - Lima Duarte, MG.
9. JORNAL O LUME - Juiz de Fora, MG.
10. JORNAL VIVA A VIDA( de Cida Rigotti)- Juiz de Fora, MG.
11. BOTIJA PARDA de Araguari, MG.
12. SUPLEMENTO LITERÁRIO DE MINAS GERAIS - Belo Horizonte, MG.
13. VOZ DE SÃO JOÃO DE São João Nepomuceno - MG.

    Ymah Theres e
ra membro titular e fundadora da Academia Juizforana de Letras (1982). Teve seu talento reconhecido por meio de inúmeras premiações e menções honrosas recebidas em diversos concursos literários.

    SEUS LIVROS:

1973 - ELEGIAS. Juiz de Fora: Esdeva. (poemas)
1985 - ESCRÍNIO/ ASA DE BORBOLETA). Juiz de Fora: Cave. ( poemas em parceria com seu pai, poeta João Ribeiro de Oliveira
1986 - MUSGOS E GERÂNIOS Juiz de Fora: Esdeva. ( poemas em prosa e verso):
1987 - BIGODINHO, O GATO ENJEITADO. Juiz de Fora: Cave. ( infantil).
1988 - CANÇÔES DE CONVÉS OU DO AMOR PRESSAGO. Juiz de Fora: Gráfica e papelaria Gonçalves. (poemas).
1989 - HAICAIS. Juiz de Fora: Gráfica e Editora FORMIGA MARIA..
1991 - NA CONCHA DO OUVIDO. Juiz de Fora: Zas Gráfica e Editora. (prosa poética)
1992 - DIÁRIO ESPARSO DE MARIANA. Juiz de Fora: Zas Gráfica e Editora. (prosa Poética).
1992 - SOLO DE FLAUTA DOCE. Juiz de Fora: Edições de Minas. (poemas).
1992 - ACERVO DE CRISTAIS. Juiz de Fora: Edições de Minas. (contos e outros textos).
1992 - TREZE CARTAS DOS VENTOS DE AGOSTO). Juiz de Fora: Edições de Minas. (prosa poética).
- Dos arquivos do anjo dromedário.
1993 - ANJO, ALAÚDE ; PAIXÕES. Juiz de Fora:Edições de Minas .
1994 - FLOR e CIPRESTE: JOâO RIBEIRO DE OLIVEIRA. Juiz de Fora: Edições de Minas (Publicação / Póstuma de poemas do Pai da autora).
1994 - MENINA COM FLOR. Juiz de Fora: Edições de Minas. (poemas).
1998 - RAMILHETE E ALECRIM. Juiz de Fora. (editoração eletrônica: William F. Ruheno).
1999 - FLOR DE OUTONO. Juiz de Fora
2003 - ANELO DE LUA NOVA . Juiz de Fora: Funalfa.

    A Associação Caminho da Serra, na Beira Rio, em Lima Duarte é a guardiã de pertences e objetos pessoais de Imah Théres, doados após seus falecimento em 2009, por sue primo - irmão Alexandre de Miranda Delgado. Uma sala chamada Sala da Poesia, foi construída para resguardar esse acervo, aberta à visitação. Lá estão sua rica bilioteca(prova de sua erudição e bom gosto literário, suas fotografias e quadros pintados por amigos artistas. Um local para se reverenciar e louvar sua memória a poesia!

    Segue um de seus poemas, de que muito gosto...

ENIGMA


Desarmado, o coraçãoo
reborda a orla do poço,
que segue além do limite
do alcance amorfo da mão.
E
as coisas vãs se transformam,
se transmigram, se mitigam
no consumido silêncio
que redime esse sol-posto
das ventanias possessas.
É
o amor devagarinho
formando o ocaso do enredo
que folgou de brisa e invento
no eterno e puro brinquedo.
E
os anjos, com seus arminhos
de alaúdes afagados,
sorriem, leves, sorriem
mas fogem com suas asas
pra longe, prum outro lado.
S
em flor ou cor, sem perfume
de gerânio macerado
no inenarrável segredo
vencido, desvencilhado.

Ymah Théres
Juiz de Fora, 24 . 03. 99

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Poetas lima duartinos

 Poetas lima duartinos



Lima Duarte também tem seus poetas!

    Seres de alma elevada, que conseguem traduzir em palavras os amores a as dores do mundo, tecer versos sobre o palácio ou um barraco, a flor ou o estrume, a treva, ou o lume... Avivam a chama do desejo, abrandado no sentimento puro. E cantam sem pejo, da traição, o golpe duro...

    Trazem a lembrança dos dias de sol, a força das tempestade sombria, das luzes em arrebol ou da manhã fria...

   


    Em 
seu tempo, o maior poeta da terrinha foi Pedro Mendes da Paz, nascido em Sapucaia-RJ em 21/11/1878 que aqui chegou, com 22 anos, recém formado em Barbacena, no ano de 1900. Seus versos ilustraram jornais, sua oratória ecoou em dias solenes ou tristes. Orador oficial da cidade, era convidado a saudar visitantes e autoridades, o que fazia com maestria, seja em prosa ou verso.

    Muitos versos compôs, a maioria inédito, escondidos em cadernos, que pude ainda ver, com folhas amarelecidas pelo tempo. Muitos lima duartinos ganharam de presente, poesias suas, sonetos guardados ainda hoje com carinho. Faleceu em Juiz de Fora em 19/07/1940, sendo sepultado em Lima Duarte.

Segue um de seus inspirados sonetos:


O pior dos males


Que há pior que o temporal infando,

Que tudo estrue, derriba, arrasa, leva,

Pior que os vagalhões do mar na treva,

De encontro à rocha, as naus, esmigalhando?


Que há pior que o incêndio devastando,

Numa fúria infernal, medonha, seva,

Tudo o que encontra, num furor nefando,

Da choupana ao palácio que se eleva?


Que existe mais horrendo que a peste,

Do que a guerra feroz que ruge, investe,

Trazendo a fome, o luto, a mortandade?


Pior que o incêndio, a fome, a peste a guerra,

Pior que o inferno existe sobre a terra,

Pior que tudo – a torva falsidade.




    Outro que lhe faz par, é Oranice Franco, nascido em Lima Duarte aos 02 de novembro de 1919 e falecido em São João Del Rei em 02 de novembro de 1999. 

     Oranice, cujo apelido era Orana, foi mais conhecido como jornalista e locutor da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, onde às terças e quintas, às 17h30 minutos, apresentava o prestigiado programa “Histórias do Tio Janjão”, dedicado às crianças, além da famosa e esperada “Crônica da Cidade”. 

    Lançou vários livros de poesia, todos inspirados em Minas Gerais, como o Minha Rua de Minas, Mares de Minas e O Poço da Memória, dentre outros.        Produziu ainda contos, crônicas e radionovelas. De Oranice, trazemos:


Canção do Voltará


Esta flor que lhe dou

é do país de Minas Gerais.

Ponha-a junto ao peito

-ela tem muito de céu.


Este amor que lhe dou

é um amor de mil amores.

Ponha-o junto ao seio

-ele tem muito de flor.


Quando vier, estarei à espera.

Quando chegar, terei ido embora.

O apelo das serras é um imã

-pois tem muito de céu.

O encontro de hoje fica para amanhã

ou para depois, depois, depois.

O dia está lindo demais para encontros,

Vou passá-lo comigo mesmo.

Voltarei, um dia,

Com mais flores, o mesmo amor,

e virei, transfigurado, para ficar.

Teremos, então, muita coisa de céu.




segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Epidemias em Lima Duarte

 

Epidemias em Lima Duarte


    Desde tempos imemoriais, a humanidade convive com os surtos e epidenias, comunmente designadas como pestes. Muitas dessas doenças foram ao longo do tempo erradicadas, seja pela melhoria das condições de higiene e saneamento, quanto pelo esforço da medicina.

    Lima Duarte também registrou ao longo de sua existência diversas epidemias, a maior parte delas relativas à Gripe Espanhola em 1918, ou à Varíola, entre nós conhecida como “Bexiga”.

    Sobre a varíola, o jornal O Pharol de Juiz de Fora traz algumas informações a respeito de nossa cidade em 1904. Nesse ano, começaram a surgir na cidade de Juiz de Fora numerosos casos da doença.     A população, alarmada, solicitou providências às autoridades. Era Agente Executivo Municipal e Presidente da Câmara Municipal o Dr. Manoel Brito de Vieira Pinto, médico de profissão, que nomeou o farmacêutico Álvaro Rangel, Delegado Municipal de Higiene, dando-lhe autoridade para tomar as medidas que fossem necessárias para que a doença não atingisse a cidade.

    Este, tão logo pode, decretou o fechamento das fronteiras e o estabelecimento de quarentena. As medidas, editadas em 2 de setembro de 1904, foram divulgadas pelo jornal “O Pharol:

O farmacêutico Álvaro Rangel, delegado de Higiene Municipal, em comissão.

De ordem do exmo. sr. Dr, Agente Executivo Municipal faço público que, enquanto durar a epidemia d varíola em diversos pontos do município de Juiz de Fora, fica proibida a entrada neste município de pessoas, tropas e veículos vindos daquela, sem terem estado de observação durante 5 dias nos postos de passagem, onde foram estabelecidos cordões sanitários.

Lima Duarte, 2 de setembro de 1904.

O Delegado de Higiene municipal - Farmacêutico Alvaro Rangel


    O rigor e determinação do Delegado de Higiene não perdoou nem o Juiz de Direito da Comarca, Dr. Canuto Gonçalves Pereira de Sá Peixoto, conforme nota publicada no mesmo “O Pharol”, sete dias após a publicação das medidas:


O cordão sanitário de Lima Duarte está sendo posto em prática com extraordinária energia. A primeira vitima foi o juiz de direito da Comarca, o qual, tendo ido desta cidade, foi obrigado a purgar, com sua família, cinco dias de quarentena no luxuoso lazareto instalado pelo Agente Executivo, especialmente para aquela autoridade.

Como o lazareto se acha situado fora da Comarca, não pode o magistrado prisioneiro despachar o expediente de sua vara nem conceder a si mesmo uma ordem de auto habbeas corpus.

A higiene pública de Lima Duarte prefere ficar sem Justiça a correr o risco de ter justiça… com bexigas!


    Apesar do esforço das autoridades, tomando todas as medidas que julgaram cabíveis, a varíola seguiu fazendo muitas vítimas em todo o município. As vitimas eram sepultadas fora das povoações, em cemitérios que ficaram conhecidos como “Cemitérios dos Bexiguentos”, alguns deles ainda hoje existentes, testemunhando o sofrimento de tantos seres humanos.

    A varíola voltaria com força em outras ocasiões, deixando marcas profundas em muitas gerações. Em 14 de setembro de 1919, a Diretoria de Higiene do Estado recebeu telegrama de Lima Duarte, pedindo urgentemente vacinas antivariólicas. Foram enviados 150 tubos. Com o avanço da doença, o Dr. Luiz de Mello Brandão, inspetor de Higiene do Estado de Minas Gerais, recebeu ordens do Governo do Estado para proceder vacinação em todos os habitantes das circunvizinhanças de Lima Duarte.

    Documentar as epidemias, resgatar as estorias de dor e sofrimento de tantos lima duartinos e preservar os Cemitérios dos Bexiguentos é manter viva a nossa História.


quinta-feira, 1 de julho de 2021

A imprensa em Lima Duarte - o primeiro jornal

 

O Primeiro jornal de Lima Duarte


    Muitos periódicos surgiram ao longo de nossa história, alguns perdurando por décadas, outros com apenas algumas edições. Muitos certamente se lembram da “Tribuna de Lima Duarte”, de Paulo Modesto, com seu Olho Vivo e Pinga Fogo. Ou ainda, do pequeno “O Sabiá”, sempre aguardado.

    Distante de outras cidades e isolada em seu início de meios mais rápidos de comunicação, a cidade não dispunha de um periodico. Por isso, jornais de outras cidades eram por aqui aguardados com avidez, alguns viajando dias em lombo de burro, trazidos pelo Correio. 

Primeira Pagina de A Tribuna.
1904
Acervo Vicentina Salgado
E assim, os leitores de O Pharol, Jornal do Comércio, A Noite, dentre outros, aguardavam ansiosamente a chegada do malote, em busca das novidades.

    A primeira iniciativa de criar em Lima Duarte um jornal, coube a Alfredo Catão, que por volta de 1900, adquiriu uma impressora, trazida a Lima Duarte em carro de boi. Uma vez instalada no andar térreo do prédio da Câmara, Catão compôs e fez imprimir o primeiro jornal de que se tem conhecimento em Lima Duarte, chamado de “A Tribuna”.

    O valente jornal circulou por cerca de 10 anos, prestando bons serviços aos cidadãos de Lima Duarte. A pena de Catão, primorosa, antenava Lima Duarte com a civilização, elevando os corações e mentes aos deveres para com a Pátria, o Civismo, a Democracia e o Direito.

    Pelo jornal travou Catão a luta pela implantação do ensino médio na cidade, a defesa da ferrovia, a melhoria do sistema de abastecimento d’água, bem como a repercussão dos fatos da política nacional.

    Matérias desse periódico são encontradas no jornal O Pharol de Juiz de Fora, de que Alfredo Catão era correspondente. Uma delas anunciava em 1911: “...Vai ressurgir até o fim do corrente ano A Tribuna, valente orgam que se publicava em Lima Duarte, sob a competente direcção do Cel. Alfredo Catão. O confrade vira bater-se dessassombradamente pelos legítimo direitos civis, dando franco combate ao hermismo daninho. Aguardemol-o.”

    Apesar do anuncio de sua reabertura, A Tribuna acabou encerrando suas atividades. Surgiram logo muitas outras iniciativas, todas importantes na trajetória da nossa imprensa.


quinta-feira, 6 de maio de 2021

Os primeiros vereadores - Manoel Victório Nardy

Emancipado do município de Barbacena em 03 de outubro de 1881, o município de Rio do Peixe (atual Lima Duarte) não foi instalado em ato contínuo, como determinava a lei. A instalação foi postergada pelas autoridades de Barbacena, que alegavam vários motivos para não efetuá-la, ainda que a povoação já tivesse cumprido todas as exigências previstas em lei, como dispor de prédio para escola de primeiras letras e prédio para as instalações da Câmara. Somente em 1884, quase quatro anos depois, sob pressão da população da Vila do Rio do Peixe e Assembléia Provincial, as autoridades de Barbacena determinaram a realização de eleições em todo o distrito, de modo a que se elegessem os primeiros vereadores, um deles, sendo o Agente Executivo do novo município. O voto, naquela época era censitário, podendo votar e ser votados apenas cidadãos que tivessem renda mínima estabelecida por lei.
Em 07 de setembro de 1884, foi eleita a primeira Câmara de Vereadores do Município de Rio do Peixe, a ultima das exigências legais para a instalação do município. Era composta de sete "homens bons"os quais tomaram posse no dia 29 de dezembro do mesmo ano, na presença do Presidente da Câmara e Agente Executivo de Barbacena, Antonio Carlos Ribeiro de Andrada.

Um destes eleitos era Manoel Victório Nardy, conhecido proprietário de terras da região de São Domingos da Bocaina e adjacências. Dono de grandes extensões de terra na região, suas propriedades rurais se estendessem pelas terras dos atuais municipios de Lima Duarte, Olaria, Rio Preto e Bom Jardim, possibilitando sua candidatura e eleição em quaisquer desses distritos eleitorais.

Enterro de Manoel Victorio Nardy.
Manoel Victório Nardy nasceu em São Sebastião - SP, aos 28 de Novembro de 1845, filho de João Victorio Nardy, francês da cidade de Lyon e de Dona Rita de Jesus Nardy, natural de São Sebastião- SP. Em 1867, aos 22 anos de idade, veio para Minas Gerais, radicando-se na região de São Domingos da Bocaina, onde se casou com Dona Francisca Cândida de Paula, a qual adotou seu sobrenome. Dessa união, tiveram os seguintes filhos:
Domício de Paula Nardy. nascido aos 7 de fevereiro de 1885, ordenado padre e Vigário Geral da Arquidiocese de Mariana e posteriormente Monsenhor e Vigário Geral da Diocese de Juiz de Fora, cidade onde faleceu a 30 de Maio de 1940 aos 55 anos.
Rita Nardy
Aristeu Victório Nardy
Domingos Victório Nardy
Faleceu em Bom Jardim em 1º de Novembro de 1914, vítima de aguda e implacável bronquite.


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domingo, 5 de abril de 2020

O Cemitério de Lima Duarte

Cemitério de Lima Duarte


    A origem do cemitério da cidade de Lima Duarte está ligada à da antiga ermida de Nossa Senhora das Dores do Sertão do Rio do Peixe, desde seu início, capela filial da Freguesia de Nossa Senhora da Piedade de Barbacena.
    Nestor MASSENA, em sua obra A Igreja em Barbacena, página 81, relata que a capela de Nossa Senhora das Dores do Rio do Peixe foi erguida em 1808, sendo distante "dezessete léguas da Matriz", o que perfaz 102 quilômetros. A se julgar por essa distância, é lícito supor que a primitiva capela fosse dotada do básico para a cura d'almas. Nisso incluem-se a pia batismal, vasos para a guarda dos  Santos Òleos, Sacrário fixo e inamovível e o cemitério, seja em campas ou no adro. 
    A decência do culto era mantida pelas irmandades, compostas por destacados aplicados da capela. Em 1809, João Pedro Fortes de Bustamante de Sá, proprietário da Fazenda do Engenho Novo da Conceição do Salto, deixou em testamento, "para as Obras da Irmandade da Senhora das Dores do Rio do Peixe, da mesma Aplicação de Ebitipoca, a quantia de seis mil réis, a serem entregues na sobredita por seu testamenteiro. A doação indica a existência da Irmandade e sua fábrica, responsável pelo patrimônio, paramentos e alfaias.
    Por essa época, os sepultamentos eram feitos em duas modalidades: em campas, aberturas situadas no assoalho das capelas, destinadas aos membros das irmandades, membros do clero e cidadãos de maior linhagem e prestígio,  e nos adros,  áreas planas cercadas ao redor dos templos, destinados aos cidadãos livres de menor poder aquisitivo e escravos. Ao longo do século XIX, a pressão das autoridades civis fará aos poucos cessar o costume de se sepultar dentro dos templos e os cemitérios acabam por se  desenvolver nos adros, na maioria dos lugares.
    Assim foi na capela das Dores do Rio do Peixe, que acabou por desenvolver seu cemitério no adro, circundando o velho templo de estrutura em madeira, que seguindo o desenvolvimento da localidade, vai sendo remodelado, ornamentado e provisionado. 
    Em 1831, a capela é levada à sede de Curato, passando a ter seu capelão e Livros de Registros de Sacramentos e Tombo. A povoação torna-se Distrito de Paz em 1839. E   m 27 de junho de 1859 a Capela é elevada à categoria de Igreja Matriz, sediando a Freguesia de Nossa Senhora das Dores do Rio do Peixe. Em 1881, o distrito é emancipado de Barbacena, com o nome de Rio do Peixe. Essa evolução é acompanhada pelo pequeno templo, já incapaz de acolher tantos fiéis e indigno de uma sede municipal , pelo que buscou-se sua reforma e ampliação.
    Por essa época era Pároco o Padre Pedro Nogueira da Silva, que em 1883 reuniu os fiéis para deliberar sobre a reforma ou ampliação do templo. Estes optaram pelo desaterro do adro e ampliação da igreja. Para que isso fosse feito, fez-se necessaria a transferência do Cemitério para outro local. O Tenente Coronel João de Deus Duque faz então a doação do terreno, que era um pasto, situado atrás da matriz, numa encosta. Padre Pedro, solicitou então à Cúria em Mariana a autorização para construção do novo cemitério. 
    Em 21 de Junho de 1883, o Bispo de Mariana, Dom Antônio Maria Corrêa de Sá e Benevides, concedeu licença para a edificação do novo cemitério do Rio do Peixe. A provisão, minuciosa nos detalhes, determinava como condições para a obra: "...deverá ser bem cercado, ter porta e chave e defendido para não serem profanadas as sepulturas... No centro levantar-se-á uma cruz que aos vivos indique ali estarem sepultados os que nos precederam no sinal da Fé... No interior do cemitério, de um lado, se deixará sem benção, espaço bem discriminado para os que não a tiverem em sagrado..." 
    Aos 21 de Janeiro de 1884, era solenemente bento e inaugurado o novo cemitério de Lima Duarte. Da cerimônia, foi lavrado pelo Padre Pedro Nogueira, um Termo de Benção, que assim ficou registrado no Livro de Tombo: "Aos vinte e um dias do mês de janeiro de 1884, depois de visitar o cemitério novamente construído nessa freguesia, achando-o conforme as Leis da Igreja, tapado com muro de pedra e decente, o BENZI, deixando para o lado do fundo do mesmo, um canto sem benção, sendo este bem separado do cemitério dos católicos. E para constar, lavrei este termo que assino. Rio do Peixe, 21 de janeiro de 1884. O Vigário Padre Pedro Nogueira da Silva. No mesmo dia foi benta no cemitério a Capelinha de São José, a qual foi dotada de um sino de finados e recebeu em campa situada em seu presbitério, os restos mortais do primeiro vigário, padre Joaquim da Silva Maia, falecido em 1875
    Com as obras do cemitério e transladação dos restos mortais dos ali sepultados, foi possível demolir a velha Matriz, desaterrar e aplainar o terreno, sendo o novo templo erguido em alvenaria de tijolos aparentes, sob o comando de Luiz Klotz e inaugurado em 20 de junho de 1891. 
    O cemitério, atendendo à demanda por mais espaço, foi ampliado mais tarde para a frente, descendo a ladeira, ( a parte mais íngreme da sua rampa central de acesso, com restos do antigo muro de arrimo e muros). Cresceu também em direção à Rua Antônio Duque Filho, depois até a margem da BR 267 e ultimamente em direção aos fundos da Rua Souza Paula, de acesso ao centro Esportivo Lincoln Moreira Duque.
    Guarda ainda no gradio da entrada de acesso, no lado esquerdo de quem entra, o portão lateral por onde entravam os ferétros dos pagãos, ateus e suicidas. Com o fim da proibição de se sepultar no mesmo cemitério católicos e não católicos, a soleira foi preenchida com tijolos e o portão chumbado, ficando apenas o portão principal. Na parte reservada aos não católicos estão túmulos como o de Dona Raquel Viana da paz Fortuna e outros metodistas históricos, além de espiritas conhecidos e ateus confessos.
    A capelinha de São José sofreu reforma em 1968, tomando a aparência que hoje possui em estrutura mista em concreto armado e tijolos. Guarda atrás do altar, sob lápides de mármore, os restos mortais do Vigário Joaquim da Silva Maia e do Padre Henrique Guilherme da Silva. Seu sino, segundo a tradição oral, foi enviado à capela de Santa Teresinha. Da imagem de São José não se registrou o paradeiro.
    Cemitério canônico desde sua origem, administrado pela Paróquia de Nossa Senhora das Dores de Lima Duarte, foi transferido à Administração Municipal em 1988, por determinação da Mitra Arquidiocesana de Juiz de Fora, sendo pároco o Padre Elpídio José Barbosa.
    Foram zeladores, dentre outros, Manoel Joaquim Rodrigues (Quinzola), Diomedes Guimarães, Vicente Nunes (Vica), Jacy Manoel da Silva. Coveiros: Vicente Correa de Oliveira e Tião Serrinha, 


domingo, 9 de março de 2014

Capela de São Joaquim dos Almeidas


Quem passa pela ponte sobre o Rio do Peixe, adiante da povoação de Manejo, indo para o Taboado, nem de longe imagina o que representa a velha capelinha, erguida próxima à ponte, à margem esquerda do Rio do Peixe. Defronte à ponte, à jusante, o rio se espraia, formando um extenso poço, onde as águas rodam, lentas e profundas. 

Entulhos da ponte demolida, colocados entre os pegões da margem direita e o central, forçam as águas pra margem esquerda e elas assim, batem no barranco e desenvolvem um grande círculo.




As margens aos poucos recuperam a vegetação que as cobria, dando à paisagem um ar selvagem e natural, não fossem a estrutura pesada da ponte com seus pilares e pegões, e a capelinha, com paredes azul claro desbotado, sujo e  os muros descascados. O terreno ao lado da capelinha, tinha sido arado para semeio de milho para forragem, plantio que ocupa a longa várzea dantes pertencente à Fazenda do Manejo, que se estende até abaixo da Vila São Geraldo, a uns cinco quilômetros rio abaixo...



Trata-se da Capela de São Joaquim, tendo próxima a si um jovem gerivá e um pequeno cemitério, cercado por velhos muros de tijolos descascados e vedado por um portão de ferro enferrujado.
Essa capela era parte da povoação de São Joaquim dos Almeidas, nome que tinha a margem "de lá" do rio, antes do advento da ferrovia e sua estação. Era a parte mais habitada então, desde meados do século XVIII, época em que o primeiro dos Almeidas aportou por essas terras vindo de Santa Rita de Ibitipoca.
A capela de São Joaquim dos Almeidas sediava regulares missas e festas, sendo em seu cemitério sepultados todos os que morreram na região antes de 1989, ano em que foi inaugurado o cemitério atual, atrás da Igreja de Nossa Senhora Aparecida. Não se sabe ao certo quando foram erigidos a capela e o cemitério. As origens da capela, certamente votiva, acreditamos serem relacionadas as epidemias ocorridas no final do século XIX e início do XX, ocasião em que os sepultamentos eram feitos longe das povoações e moradias, como medida de higiene.Situada bem próxima à sede da Fazenda do Manejo, de Manoel de Almeida Ramos, atualmente demolida e conhecida como Fazenda dos Cândidos, a velha capelinha sediou ate 1939, os atos religiosos da região, sendo notáveis as festas que aí eram celebradas em honra do padroeiro.

A despeito de sua importância histórica, religiosa e social, jaz a capelinha em meio ao mato e ao abandono. Prova do esquecimento a que foi relegada, uma colméia de abelhas segue, suspensa em uma de suas paredes laterais. A cobertura, de telhas de amianto, forma um telhado desigual e exógeno, apresentando rachaduras e as paredes, mal chapiscadas, escondem a boa alvenaria de tijolos, revelada na cimalha  escalonada que coroa as paredes. Percebe-se que, tanto o cemitério quanto a capela sofreram ao longo do tempo muitas intervenções, chamadas de reformas.
A porta única foi substituída por uma porta de ferro e vidro, por certo por sua maior resistência ao tempo. Apesar de mais resistente e barata, nada tem a ver com o conjunto. O calçamento em redor foi removido, de forma que o mato invade a base cavoucada das paredes. O frontão revela alteração com retirada da platibanda e perpasse do telhado de amianto, tirando da capela as características comuns de um templo católico, já que atualmente não dispõe nem de uma cruz que o assinale. Pelos vidros da porta olhamos o interior! O altar, único, revela alterações, já que é executado em alvenaria argamassada. Nada tem de artístico e original, a não ser a imagem do Padroeiro, de uns 40 cm de altura creio e outras imagens devocionais, a maioria  desbotada e apresentando partes quebradas. Da capela original, ou pelo menos anterior à atual, localizei dois restos de peanhas nas paredes laterais, possivelmente partes do antigo retábulo em madeira. O piso também sofreu alterações, bem visíveis. Nas paredes laterais há dois óculos em forma de cruz de cada lado, possivelmente para ventilação. Num desses óculos a tal colméia se instalou, na parede que dá pro lado do rio.

O cemitério, situado atrás da capela, também traz as marcas do abandono. Cheio de dracenas altas e antigas, já não apresenta os tradicionais amontoamentos das covas. A erosão provocada pelo tempo e pelas capinas acabou por rebaixar e nivelar o solo, expondo em vários lugares as pedras do alicerce dos muros, que apresentam, por isso, várias fissuras, desalinhamentos e desnivelamentos, denunciando o movimento da estrutura de alvenaria.

O cruzeiro caiu e só identificamos seu possível pé, por conta dos restos de imagens e borras de velas amontoadas no que era sua base, ao fundo do cemitério. O portão apresenta também partes deterioradas e muito ferrugem, resultado da exposição às intempéries e à falta de manutenção periódica. Curiosamente, é o primeiro portão de cemitério que vejo na vida de uma só bandeira o que pra mim atesta outra alteração. Intrigado com o fato da capela estar virada para o "nada", de costas para a estrada, indaguei a moradores locais a respeito do fato. Fui então informado de que a antiga ponte ficava situada bem abaixo da atual, onde hoje existem umas moitas de bambu,  e que o rio corria em um leito bem diverso do atual, ou seja, a estrada antigamente passava defronte à atual capela. Por moradores locais também fui informado de que as terras ao lado da capela pertencem ao senhor Joaquim Campos Pereira, proprietário também da Fazenda Pão de Angu, tendo-a comprada do senhor Manoel Teixeira Lopes, que teria dado ordem a um tratorista para demolir a capela e o cemitério. O tratorista, não se sabe se por medo, zelo, ou cuidado, desligou o trator desceu e deu a chave ao então dono dizendo-lhe que "isso eu não faço...suba e faça o senhor mesmo". Diante da negativa deste, o tratorista seguiu a arar terra pra outro lado, e a centenária capela e seu cemitério foram poupados.



 Outra ameaça que se faz constante ao conjunto é a erosão marginal do Rio do Peixe. Por ocasião da demolição da plataforma da estação, foram os restos jogados na margem do rio, provocando um alinhamento da força das águas em direção ao outro lado da margem, onde está a capela, provocando sua erosão. Há poucos anos, a ponte apresentou problemas estruturais graves, ocasionados pela retirada indiscriminada de areia do leito. Foi então demolida em parte e refeita. Os moradores pediram então que os entulhos fossem jogados na margem onde está a capela, como forma de conter o avanço da correnteza. Tal pedido não foi atendido, mas as preces do povo sim. O rio alargou defronte à ponte, diminuindo a força da correnteza, agora mais direcionadas pro meio do leito do rio. As margens desde então se estabilizaram e a vegetação se recompõe naturalmente.


Na foto da ponte vista de perto da capela, os entulhos sob o tabuleiro, responsáveis pelo estreitamento do leito e direcionamento das águas à margem esquerda, persistem.

Apesar de supostamente abandonada, a capela de São Joaquim dispõe de zelador, um senhor que faz o que pode em sua defesa. Herdou de seu pai a guarda da capela e de certa forma é o único a se preocupar com sua existência, já que nem a Arquidiocese, a Paróquia e a Prefeitura zelam pelo conjunto. Esse encargo hereditário faz com que aja até com certo extremismo, negando-se a abrir a igreja e tratando os curiosos com desconfiança. Ato completamente compreensível de quem com as chaves deve ter herdado a tristeza, o sofrimento e  a dor de ver o solo onde foram batizados, casados  e sepultados seu pai, mãe, avós, bisavós e tetravós a ponto de virar entulho e ser empurrado pra dentro do rio.












quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Um cascavel no Exército, o visconde e o artista...



Minha primeira experiência fora de Lima Duarte foi passada  um ano e dezenove dias em Juiz de Fora! Jovem, 18 anos, apresentei-me ao Serviço Militar e fui selecionado, indo servir no Décimo Sétimo Batalhão Logístico, com quartéis no Bairro Fábrica e ao lado do Museu, no Mariano Procópio. Um belo prédio antigo, comprido e alto, assoalhado e com muitas janelas seria minha casa, "laranjeiro", como tantos outros que de fora de Juiz de Fora vieram...
Conversa vai, conversa vem, vamos aos poucos descobrindo as origens dos desconhecidos membros da companhia , que sairá dali grupo de amigos: Rio Pomba,(gêneros em desalinho) Divino (que se falasse "de Carangola", dava briga), Leopoldina, Muriaé, Matias Barbosa (quase sempre só "Matias"), Tombos, Tabuleiro(que não podia  nunca ser "do Pomba"), Bicas(na verdade São Manoel)... Fora os procedentes de bairros e distritos de Juiz de Fora, muitos...

_ Mas e tu? De onde é? pergunta um vizinho, carioca do brejo...
_ Sou de Lima Duarte, respondo.
_ Ah, é cascavel! kkkk ..... E o apelido já pega...
_ Lima Duarte? Onde fica? _ retruca outro.
_ Perto daqui, pro Sul de Minas, respondo....
_ Ah, aquele artista da Globo, né, eu sei, arrisca outro.
_ Mas por que cascavel?
_ O Lima Duarte nasceu lá?...

Nessas perguntas muito de nossa identidade, mais ainda de nossa História...

Desde criança ouvia casos de onças, assombrações e cobras! As cobras, eram tantas que apareciam em todos os lugares, dormindo no meio das lenhas, dentro do quentinho dos fornos, saindo dos cupins ou dos buracos de tatu. Eram ditas como traiçoeiras, perigosas, por isso deveriam ser mortas. Morrer "ofendido de cobra" era coisa comum por aqui, fosse cascavel, jararaca ou urutu... Muitos ganharam o apelido de Cascavéis por sua qualidades parecidas com a do réptil...
A fartura de cobra era tanta que virou artigo de exportação: de trem, seguia de Lima Duarte para o Instituto Butantã um vagão cheio de caixas de cobras, sempre na rabeira, caso descarrilasse...
E dizem que um descarrilou, enchendo de lima duartinos(ops, cascavéis) o terreno perto de Igrejinha...
Assim mais a fama aumentou, a ponto de cascavel ficar sinônimo de lima duartino.

A "Terra do Cascavel" nasceu Dores do Rio do Peixe, sendo parte da Comarca do Rio das Mortes (atual São João Del Rei, que em 1791 foi dividida, ficando o nosso território  pertencendo à Vila de Barbacena. O Dores é uma referencia à Padroeira Nossa Senhora das Dores, e o Rio do Peixe, ao principal curso d'água da região, vertendo águas para a  Bacia do Paraíba do Sul. Em 1839, o arraial virou vila sede de Distrito, passo importante para emancipar-se anos mais tarde. Em 03 de Outubro de 1881, após muita relutância de políticos de Barbacena, finalmente emancipa-se, tornando-se o Município de Rio do Peixe. Até aí, nada de Lima Duarte!!

A Lei rezava que cabia ao Presidente da Câmara do Município de origem (Barbacena) proceder a escolha dos vereadores do novo município, dar-lhes posse e instalar a nova câmara municipal. Para isso, colocava como condições a existência de um prédio decente para a Câmara e Cadeia e outro para uma escola pública de Primeiras Letras, exigênciasprontamente atendidas.A última das exigências a ser cumprida foi a eleição dos sete primeiros vereadores do município do Rio do Peixe, ocorrida em 7 de setembro de 1884, dois anos, onze meses e quatro dias dias depois da criação do município por lei e ainda assim, com muita pressão dos líderes rio peixenses sobre a Presidência da Assembléia Provincial em Ouro Preto. Faltava apenas a instalação do município. Apesar de satisfeitas as exigências legais, Barbacena retardou ao máximo a instalação do município. Era Presidente da Câmara de Barbacena o sr. Antônio Carlos Ribeiro de Andrada III ou "O senador", casado com Dona Maria Adelaide Feliciana de Lima Duarte, irmã do Barão e depois Visconde de Lima Duarte.

Barão e Visconde de Lima Duarte, era o título dado por Dom Pedro II ao médico e político brasileiro José Rodrigues de Lima Duarte, nascido em 1826 em Barbacena e falecido aos 03 de dezembro de 1896 no Rio de Janeiro. Era filho de Feliciano Coelho Duarte Badaró e de Constança Emídia Duarte Lima. Formou-se em Medicina em 1849, clinicando por muitos anos em Barbacena.  Como médico tornou-se exemplo de caridade, dedicação e abnegação, fazendo da profissão um verdadeiro sacerdócio.
Dr. José Rodrigues de Lima Duarte
Líder do Partido Liberal em Minas Gerais, era considerado um homem de coração generoso e bondoso, muito popular e querido pelos correligionários e respeitado pelos adversários filiados ao Partido Conservador. Dotado de extrema simplicidade era celebrado como homem simples, afável, consagrado às causa do povo, sempre celebrado por seu caráter reto e humano.
Entrou para a atividade política em 1854, sendo sucessivamente  Deputado Provincial e Deputado Geral Presidiu a Câmara Municipal de Barbacena de 1861 a 1881 e foi Presidente da Câmara dos Deputados de 1882 a 1884, além de Senador do Império de 1884 a 1889. De 1880 a 1882, foi Ministro da Marinha do Brasil. Por ser mineiro e nunca ter servido à Armada, era chamado de "Ministro da Marinha do Mar de Espanha".
Emancipado o Municío do Rio do Peixe aguardava sua instalação desde 1881.Sem explicações para tanto atraso, em 30 de outubro de 1884, vota-se a lei que simplesmente concedia a vila do Rio do Peixe o título de cidade, mudando seu nome para Cidade de Lima Duarte. Sessenta dias depois, em 29 de dezembro de 1884, o senhor Andrada vem à Lima Duarte, e instala o município e dá posse aos vereadores eleitos. Uma simples mudança de nome , remove todas as resistências barbacenenses e tira um atraso de três anos e dois meses no nosso processo de emancipação de Barbacena, dando ao reduto de conservadores um nome liberal...

Dezenas e dezenas de anos mais tarde, Ariclenes Martins,  um jovem ator em começo de carreira, ouve de produtores que seu nome não é apropriado para um artista. Em conversa com sua mãe, que tinha orientação espírita, essa sugere-lhe o nome do Dr. Lima Duarte, seu espírito guia de luz, para seu nome artístico..

Assim nasceram os "Cascavéis", a "Lima Duarte" e o "Lima Duarte"! Nessa ordem...














sábado, 5 de janeiro de 2013

Origens do Manejo

ERGOTOPÔNIMO (nome surgido de atividades ligadas ao trabalho humano)

Igreja N.S. Aparecida em Manejo.
A região conhecida hoje como Manejo, fica situada em extensa várzea, formada depois que o Rio do Peixe se livra da estreita formação rochosa que atravessa após receber pela margem esquerda as águas de seu principal afluente, o Rio do Salto, que nasce nos contrafortes da Serra de Ibitipoca, cortando o Parque Estadual de Ibitipoca no sentido norte - sul.
Essa grande baixada, começa acima da localidade de Ponte Nova, onde a estreitura permitiu a construção de sólida ponte e se prolonga até próximo a Orvalho, indo de novo se estreitar, no local onde a E.F.C.B. fincou sua Ponte sobre o Rio do Peixe e abriu um túnel, alargando-se logo abaixo, na barra do Ribeirão Grão Mogol, próximo à Valadares, estreitando-se rio abaixo ao cortar a Serra de Lima Duarte em seu ponto mais a leste, abaixo da ponte da BR 267 sobre o Rio do Peixe.

Essa região, plana e úmida, ideal para cultivo de cereais, foi repartida oficialmente em 1781 em ato do Governador e Capitão General de Minas Gerais, Dom Rodrigo José de Menezes, com a legalização dos vários posseiros, entre eles João Gonçalves Bahia (possível origem da localidade do mesmo nome), José Delgado Motta (esposo de Inácia Maria D'Assunção Delgado e pai de Francisco Delgado Neto), João Antônio de Paiva, Domingos Fartes de Almeida, e Manoel Antonio de Almeida Ramos, dentre outros.

Manoel Antonio de Almeida Ramos, era filho de João de Almeida Ramos, e neto de Antonio de Almeida Ramos que era português de nascimento radicado em Barbacena. Tinha a patente de Alferes, sendo em 1791 aquinhoado com a de Tenente, era proprietário de várias fazendas e nelas exercia as atividades comuns àquela época, como mineração e criação de animais. De Barbacena veio para o Sertão do Rio do Peixe, onde, à margem esquerda deste fez construir uma sede de fazenda, dedicada à lavoura.

Essa fazendas eram conhecidas como "de manejo", do verbo manejar. O termo servia para diferenciar os escravos que se dedicavam à lavoura e criação dos demais escravos, empregados na mineração, sendo aplicado genericamente também às fazendas que se ocupavam de lavoura. Dessa forma passou a designar a fazenda, situada na margem esquerda do Rio do Peixe, defronte à hoje localidade de Manejo. A extensa várzea, defronte à sede, passa assim a ser chamada de "Várzea dos Almeidas"

O Tenente  Manoel Antonio de Almeida Ramos foi sucedido por pouco tempo na direção da propriedade por seu filho João Evangelista de Almeida Ramos, mais conhecido como Barão de Santa Bárbara.
João Evangelista, radicou-se posteriormente em Santa Bárbara do Monte Verde, passando propriedade a seu filho Alferes João Batista de Almeida Ramos, que morrendo prematuramente, deixaria a propriedade a seus filhos ainda menores (um deles Raimundo Guimarães), fazendo com que a Fazenda fosse conhecida mais tarde como Fazenda dos Òrfãos.

A propriedade foi posteriormente vendida ao Capitão João de Deus Duque Neto, Francisco Delgado Duque, sendo por fim, adquirida por Joaquim Cândido da Silva, pelo que ficou hoje conhecida como Fazenda dos Cândidos. Defronte à sede, no fim do século XIX, na margem esquerda do Rio do Peixe, se ergueu uma capela dedicada a São Joaquim e em seu entorno, um cemitério. Certamente uma capela votiva, numa época de grandes epidemias, e que teve grande movimentação, haja visto que em 1930 aí se realizavam festas, como relatado nos jornais da época, indicando que a Várzea dos Almeidas era bem povoada.

Com a abertura do ramal ferroviário da Estrada de Ferro Central do Brasil, em vista da localidade oferecer ligação com Boa Vista (atual Pedro Teixeira) e Quilombo, atual (Bias Fortes), além de ser ponto de ligação com o sul (Santa Bárbara do Monte Verde e Rio Preto) decidiu-se ali construir uma estação, para carga e descarga de mercadorias e passageiros, na margem direita do rio, oposta à da antiga Fazenda do Manejo. Inaugurada em 1926, foi logo rodeada de casas de comércio, casas de Turma da E.F.C.B., casas de morada, ranchos de pouso, no povoado que passa a se chamar também Manejo, tal como o conhecemos hoje. A partir daí, a estrada de ferro passa a ser a referência e o nome Várzea dos Almeida cai no esquecimento. Mais tarde, sobre uma colina singular, situada no meio da Várzea, e próxima à estação, ergue-se uma capela dedicada à Nossa Senhora Aparecida, hoje templo principal do povoado, sendo a antiga capela de São Joaquim perdido sua importância, simbolizada na transferência de seu pequeno sino à nova capela.
Visita do ator Lima Duarte em 02-11-1976. Ainda se vê a antiga estação da EFCB.
Manejo situa-se à margem direita do Rio do Peixe, a nove quilômetros de Lima Duarte e a sete de Orvalho, pela BR 267.

A referência à Manejo da presença de inconfidentes em fazenda situada na região não tem base histórica, e se o tivesse teria sido alvo de denuncia por parte de José Ignácio de Siqueira, personagem que entrou para a História ao denunciar o Coronel José Aires Gomes e morador de Ibitipoca. Esse vivia de ensinar meninos a ler e percorria na intimidade as fazendas da região. Se houvesse inconfidentes ou colaboradores ou simpatizantes destes na região da Várzea dos Almeida, teria-os denunciado!

A outra referência diz respeito a acampamento de tropas comandadas pelo Duque de Caxias em 1842, no local! Também carece de base histórica! As tropas de Caxias, segundo roteiro documentado e publicado vieram de rio Preto pela Serra Negra, acamparam próximo ao Cemitério de Olaria e daí seguiram para a Vila do Rio do Peixe, acampando no Ribeirão de Santana. Não se tem notícia de acampamento na região hoje conhecida como Manejo, ainda que por aí, logicamente tenha que ter passado, pois era caminho.

As fotos foram compartilhadas de Raimundo P. Netto e Ronisch Baumgratz

sábado, 15 de dezembro de 2012

Caminhos antigos 2

Por falar em caminhos antigos,vale lembrar que a Rua Antonio Carlos é o primeiro deles. Como se sabe, a origem do Povoado do Rio do Peixe, que depois chamar-se-ia Lima Duarte, teve inicio na construção de uma capela dedicada a Nossa Senhra das Dores, erguida no início do século XIX, em terreno que fazia parte da Fazenda do Engenho, pertencente a Dona Inácia da Assunção Delgado, viúva de José Delgado Motta,  Cabo de Esquadra da Vila de Conceição de Ibitipoca. A Fazenda do Engenho ficava situada perto do Rio do Peixe,além da localidade hoje denominada Ponte Nova, hoje habitada pelo senhor Sílvio Delgado. Dela hoje restam apenas ruínas dos alicerces. Alí nasceu o tronco da família Delgado em Lima Duarte, dentre eles Francisco Delgado Mota, que junto com João de Deus Duque são considerados os principais fundadores da Municipalidade. O caminho da Fazenda à ermida de Nossa Senhora das Dores é a atual Rua Antonio Carlos, dantes chamada Rua XV de Novembro, mais conhecida por ser nela que fica o Calçadão de Lima Duarte. Dali a trilha se ramificava em direção ao que hoje chamamos de Barreira e para o lado da Fazenda dos Duque, onde morava o Comendador João de Deus Duque, ainda hoje existente e situada atrás da Delegacia de Polícia Civil de Lima Duarte. Daí a trilha subia em demanda da Serra do Rio do Peixe(ou de Lima Duarte) atingindo São Sebastião do Monte Verde, Santa Bárbara do Monte Verde, Rio Preto, Valença...

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Sinais do passado III

As letras na pedra em Perobas


Em postagem anterior, no dia 12 de Março de 2012, relatei alguns sinais do passado na Localidade de Perobas, entra eles a inscrição em rocha "Viva o Dr. V.A.F - 19-3-1939. Intrigado com essa inscrição, desde que a vi pela primeira vez, pus-me a pesquisar sem sucesso seu significado.Em vão fui em busca de informações que me fizessem ou ajudasse a desvendá-la.

Foi com alegria que descobri o Bloghttp://perobaslimaduarte.blogspot.com.br/Nele, Marcos Antonio da Silva (Marco Perobas), descrevia a imagem da inscrição na rocha e informava que segundo seu pai a inscrição se referia a um tal "Dr. Vasco", que teria sido o engenheiro responsável pelas obras da rodovia Lima Duarte a Bom Jardim, inciada em 1939. Com a descoberta do nome correspondente a V(Vasco) ficou mais fácil a pesquisa.


Vasco de Azevedo Filho, nasceu em Pitangui – MG em 18/12/1892, filho de Vasco de Azevedo e de dona Aurora Xavier de Azevedo, sendo irmão de Silviano Azevedo e Aurora Azevedo.
Formou-se Bacharel em Engenharia Eletricista e de Obras Públicas pelo Instituto Politécnico, Juiz de Fora, MG, 1911.
Exerceu muitas funções, sendo Engenheiro do Ministério de Aviação e Obras Públicas, diretor da Estrada de Ferro Bahia Minas, 1930 em Teófilo Otoni; chefe do 7º distrito do Departamento Nacional de Estradas e Rodovias, DNER nos Estados da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Goiás, 1950; membro do Clube de Engenharia;


Na política foi deputado federal, 1951-1955; suplente, 1955-1958, assumiu em 1955; reelegeu-se deputado federal em 1959-1963, 1967-1971. Pelos serviços que prestou foi condecorado como Cidadão das cidades baianas de Jequié, Maraú, Ubaitaba e SEABRA,além de Cidadão Baiano em 1972. Recebeu também a  Medalha de Pacificador de Caxias, Mérito Santos Dumont e Medalha de Koeler e o título de cidadão Petropolitano.
Publicou Ligação de Brasília com o Mar e o Plano Nacional de Viação.
Foi na Câmara Federal Presidente da Comissão de Transportes, Comunicações e Obras Públicas.
 

Mais um mistério desvendado