terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Um francês na Ibitipoca


 

SAINT HILAIRE EM IBITIPOCA


    Em 15 de fevereiro desse ano, comemora-se os 200 anos da visita do botânico francês Auguste de Saint Hilaire, à serra de Ibitipoca. Por meio de seu diário, transcrevemos, resumidamente, seus passos por nossa terra.

    Partindo do Rio de Janeiro, em 29 de janeiro de 1822, acompanhado de um novo arrieiro, seu amigo Laruotte e dois indios guaranis montados, Saint Hilaire tomou rumo diverso do que adotou em sua primeira viagem, buscando os caminhos que o levassem à povoação de Rio Preto, onde chega, oito dias depois.


06 de fevereiro de 1822:

    Após atravessar o Rio Preto, chega à povoação do Presídio do Rio Preto. Nessa época, o território de Rio Preto pertencia ao Distrito e Freguesia de Conceição de Ibitipoca, integrando o municipio de Barbacena.

    Assinalou que a povoação “...era dotada de apenas uma rua, larga e paralela ao rio (Preto), casas todas térreas, pequenas e com jardinzinho plantado de bananeiras...”

    Cumprindo as determinações legais, apresentou-se no Registro que controlava a entrada e saída da Província de Minas Gerais e apresentou as credecnciais que havia obtido de Dom Pedro I e do vice Presidente da Junta das Minas, sendo logo acolhido na casa do Comandante do Registro, onde pernoitou.


    07 de fevereiro de 1822

Seguindo viagem, serra acima, pela Estrada Geral do Rio Preto, atingiu o rancho de São Gabriel, três léguas adiante de Rio Preto, no dia 7 de fevereiro de 1822. Aí permaneceu colhendo amostras de plantas até o dia 10 de fevereiro.

    11 de fevereiro de 1822

Percorre mais um trecho do caminho, atingindo as cercanias do local hoje conhecido como Encruzilhada, onde a Estrada Geral do Rio Preto se bifurcava em dois caminhos: a esquerda a Estrada do Comércio, que seguia via Taboão a Bom Jardim, Turvo (Andrelândia), Madre de Deus e Piedade do Rio Grande, seguindo por São Miguel do Cajuru até São João Del Rei, e a direita a Estrada Geral da Polícia da Corte, que seguia pela Serra Negra, em direção à Barbacena.

Saint Hilaire, toma então a Estrada da Polícia, dobrando a Serra Negra e descendo pelo lado de Olaria, atingindo a Fazenda São João ainda em 11 de fevereiro, três léguas após São Gabriel.


    12 de fevereiro 1822:

Da Fazenda São João, a comitiva vai ao Rancho de Antonio Vieira, uma légua e meia adiante, encontrando-se com outros viajantes que, da vila de Oliveira seguiam ao Rio de Janeiro, aí pernoitando.


    13 de fevereiro de 1822

Seguindo viagem, à um quarto de légua de Antonio Vieira, atravessam, por uma ponte de madeira, “...um pequeno rio, chamado Rio do Peixe…”, próximo ao Pão de Angu, pernoitando no Rancho de Antonio Pereira.


    14 de fevereiro:

Seguindo de Antonio Pereira, por Várzea do Brumado e Rancharia, atinge a região dos campos. Deslumbrado, anota em seu dário: “...À vista dos belos campos que se apresentaram hoje aos meus olhos, não pude deixar de sentir verdadeiro aperto de coração, pensando que logo os deixarei para sempre…”.

Entrando na Vila de Ibitipoca, não pode deixar de externar sua admiração, pois “… embora cabeça de Distrito que se estende até Rio Preto, consta esta vila de algumas casinholas apenas, e do pior aspecto…” Ali, perguntando sobre que fazenda se situava mais perto da “serra”, é informado de a fazenda do Tanque é a mais próxima e para lá se dirige. Na Fazenda do Tanque, é acolhido e pernoita.


    15 de fevereiro

    Dirige-se à Serra de Ibitipoca, guiado por duas crianças da fazenda do Tanque. Botânico que era, foca sua atenção nas plantas, Fora estas, descreve um pequeno rio, que diz se chamar Rio do Sal (na verdade Salto), e visita, num dos rochedos, o Santo Antonio de Pedra, uma formação de líquens que assumia a aparência de um monge, vestido com hábito e livro na mão, ganhando o nome do santo padroeiro de Lisboa.

    Seguindo rio acima, encontra um rancho de taipa, coberto de sapé, com portas feitas com couro de onças abatidas na serra, habitado por uma família, egressa da região de Rio Preto. Com eles, o sábio francês comeu queijo, farinha e bananas.

    Com o chefe da família, estendeu longa conversação, contando-lhe este que para ali se estabelecer e poder criar animais, teve que matar dez onças, garantindo assim segurança para o gado.

    Convidado a servir-lhe de guia ao alto da serra, o bom homem logo se prontificou a fazê-lo, saindo todos a cavalo, logo após o almoço, em direção ao Pico do Pião.

    Ali, nos dias claros, anotou em seu diário, “avista-se até as montanhas dos arredores do Rio de Janeiro”. Descrevendo o abismo formado pelo paredão da serra para as bandas de Mogol e Bias Fortes, não deixou de exprimir um certo terror, provocado pela imensa profundidade do vale, “de espessas florestas em sombrios vales”.

    Impressionaram-lhe os pastos da serra, por sua qualidade e viço, capazes de alimentar prodigiosa quantidade de animais… Por um tempo perambulou ainda pela parte alta da serra, a colher amostras de plantas, receoso de causar enfado ao seu guia, parando a cada nova espécie que avistava. Como já se fazia tarde, retornaram todos ao casebre do Monjolinho, onde a anfitriã já os aguardava com um prato de palmitos e uma cuia de excelente leite, que comeram rápido, seguindo de novo ao Tanque, onde pernoitaram.


    16 de fevereiro

    Agradecendo a boa hospedagem aos hospedeiros, pôe-se a caminho seguindo em direção à Ibitipoca. Dessa vez, com mais tempo, observa e descreve melhor a impressão que a vila causa-lhe, anotando em seu diário: Atravessamos primeiro a vila de Ibitipoca, que conhecia mal, e julgava ainda mais insignificante do que realmente é. Fica, como já expliquei, situada numa colina e compoêm-se de pequena igreja e meia dúzia de casas que a rodeiam, cuja maioria está abandonada, além de algumas outras, igualmente miseráveis, construídas na encosta de outra colina. Não espanta pois, que inultilmente haja eu procurado, ontem, nessa pobre aldeia, os gêneros mais necessários à vida.”

    De Ibitipoca, segue em direção à fazenda da Ponte Alta, onde pernoita. Apesar da ausência dos donos, seus escravos consentem em que ele e sua comitiva ali pernoitem. Em seu diário, observa a simplicidade do interior da fazenda e a ocorrência de grande quantidade de araucárias.


    17 de fevereiro de 1822

    Partindo da fazenda Ponte Alta, voltando a lugares por que passou na viagem de 1817, Saint Hilaire chega à Santa Rita de Ibitipoca. A povoação causa-lhe melhor impressão, como se vê pelo que anotou em seu diário: Esta aldeia situada em agradável posição, à encosta de uma colina, não é senão, uma sucursal de Ibitipoca, embora importante. Compõem-se de uma única rua, mas ali se vêem algumas bonitas lojas”.

    De Santa Rita o francês e sua pequena comitiva seguiram para Barbacena, de onde a viagem se prolongou até São Paulo.

    Para visualizar o conteúdo completo da viagem acesse: http://brasilianadigital.com.br/obras/segunda-viagem-do-rio-de-janeiro-a-minas-gerais-e-a-sao-paulo-1822/


sábado, 1 de janeiro de 2022

As velhas chuvas de janeiro...

 

As velhas chuvas de Janeiro


A cada mês de janeiro, ocorrem as inundações e danos causados pelo excesso das chuvas, na cidade e nos distritos. No passado, os danos eram menores na cidade, uma vez que esta, seguindo o costume dos antigos, ocupava apenas os terrenos mais elevados, distantes dos cursos d’água, limitando-se ao eixo das atuais ruas Olimpio Otacílio de Paula, Antonio Carlos, Vieira Pinto, José de Sales e Rua Velha, além da Praça Vigário Maia.

As demais ruas que hoje existem surgem mais tarde, quando a população urbana aumenta, a mancha urbana se expande e as várzeas são ocupadas indevidamente.

Uma interessante descrição, publicada na Gazeta de Notícias em 20 de janeiro de 1888, traz uma interessante descrição de uma tromba d’água ocorrida na região de Ibitipoca.

Observe os detalhes e a dimensão dos danos...


Terrível inundação.

Barbacena, 14/01/1888

Chegaram aqui notícias do fenômeno que se deu das 8 para as 9 horas da noite, do corrente, na Serra de Ibitipoca, desta comarca. Depois de forte trovoada, caiu uma manga d’água que produziu ali enorme enchente nos Ribeirões do Salto e Vermelho, que tem seus afluentes na mesma serra; as águas foram elevadas de trinta a quarenta metros acima do nível natural, no Ribeirão do Salto, produzindo horríveis estragos por inundação.

Os moradores marginais aglomeraram-se em pontos mais elevados da colina. As casas eram varridas pelas águas, que carregavam móveis, criação, etc.

Da serra caíram enormes moles de pedras e árvores de grossos troncos, entre as quais perobas de mais de 80 palmos.

Toda essa avalanche de destroços percorreu uma distância de mais de nove quilômetros. Calcula-se que dará para duzentos carros a madeira que se acha reunida em um só ponto da Fazenda da Ponte Alta.

Ficou quase inutilizada a estrada da Conceição da Ibitipoca a Lima Duarte, por sulcos das águas e barrancos de areia. O terreno ficou grandemente transformado, numa distância de 18 quilômetros.

Felizmente não houve morte.

A chuva durou seis horas.

Janeiro segue, com fortes chuvas!


sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Lima Duarte morre em dezembro

Lima Duarte morreu em dezembro


    Aos 3 de dezembro de 1896, aos 70 anos, falecia no Rio de Janeiro, José Rodrigues de Lima Duarte.     Em 20 de julho de 1889, meses antes da proclamação da República, ocorrida sete anos antes de seu falecimento, havia sido agraciado por Sua Majestade, Dom Pedro II, com o título de Visconde, com grandeza, passando a ser titulado com a honraria de “Visconde de Lima Duarte”.

    Com o advento da República, esteve durante algum tempo absolutamente retirado de cargos públicos. Em 1892 recebeu do governo de Minas Gerais a nomeação para Superintendente Geral do Serviço de Imigração, cargo que exerceu até falecer.

    A Câmara dos Deputados e o Senado Federal, ao terem notícia do seu passamento, por voto unânime, fizeram consignar nas atas respectivas, o profundo pesar com que receberam aquela triste notícia, prestando tributo à memória do distinto mineiro, tão respeitável pela honradez de caráter, como estimado pelos dotes do seu bondoso coração.

    Sobre sua morte assim se manifestou um colunista, no Minas Gerais, de 4 de dezembro de 1896: “No cemitério de São Francisco de Paula no Catumbi, Rio de Janeiro repousam os restos mortais do Conselheiro Lima Duarte.

Natural do estado de Minas Gerais, o Conselheiro Lima Duarte conseguiu pela sua qualidade e pelo desprendimento de bens materiais impôr-se à veneração de seus conterrâneos.

Médico, o doutor Lima Duarte levava tanto aos ricos como aos desafortunados a sua ciência, sem que de leve deixasse perceber o mais longe interesse. Daí o Doutor José Rodrigues ser na realidade, um dos mais prestigiosos chefes do partido Liberal, desde que se dedicou a política.

Deputado, ministro da Marinha, Senador, Conselheiro de Estado de Sua Magestade, essa influência nunca o empalideceu, por que não vinha de paixões, mas do reconhecimento baseado em interesses na mais pura amizade popular.

Na Câmara dos Deputados foi elevado a suprema posição de Presidente, tanto a se recomendar a pela sua circunspecção como por sua imparcialidade, pelo seu bom senso. Sendo adversário, nunca recorreu à violência; ao contrário sabia honrar o seu adversário, reconhecendo nele os méritos. Tendo o Visconde do Rio Branco, conservador, seu principal oponente, cometido o crime de batalhar em prol da aprovação da Lei do Ventre Livre, recebeu o ódio dos conservadores negreiros que se disciplinaram em ataques ferozes e desumanos ao Visconde do Rio Branco. Lima Duarte, sendo liberal, gelou as veias dos conservadores, ao declarar-se solidário com ele.

Era assim que o ilustre chefe Liberal fazia política.

Sofrendo forte oposição quando ocupou a chefia do Ministério da Marinha, o Conselheiro Lima. Duarte a venceu com serenidade, ao final ninguém ousando duvidar de tão puro caráter.

Lima Duarte comprometeu a sua fortuna em confiança a empregados, que abusaram dos seus cargos, reduzindo-o à pobreza. Apesar disso, não tinha uma queixa, quanto aos que abusaram de sua boa-fé. A República, deixo-o em situação financeira precária, e já velho, saiu a buscar trabalho no Rio de Janeiro. Como médico já não podia fazer a clínica penosa em seu estado, pois desde moço nunca teve o hábito de cobrar honorários pelo exercício de sua Sagrada profissão de médico.

Abandonou definitivamente a política, escolhendo não se opor de forma altiva à República, mantendo-se mais calmamente fiel ao seu passado monarquista.

Dircursando emocionado em suas exéquias, o Visconde de Ibituruna, bem resumiu em poucas palavras o caráter do falecido:

“Galgado às mais altas posições sociais, Lima Duarte, nunca deixou de ser o que sempre fora e o que é mais assombroso, também não conseguiram fazer com que mudasse”

Em tempos de política como simples exercício de paixão e de favorecimentos a aliados, que sua memória se mantenha viva entre nós, mantendo acesa a luz dos valores que sempre vivenciou: honradez, honestidade, caráter e zelo com a política.



domingo, 7 de novembro de 2021

O Paço da Câmara

 

Paço da Câmara Municipal


    O dia 11 de novembro, entra para a história da cidade de Lima Duarte com a triste ocorrência de um incêndio no prédio da Câmara Municipal. 

    A construção, situada na esquina entre as Ruas Antonio Carlos e Tancredo Alves, notabiliza-se por sua imponência e singularidade, distinguindo-se das demais por sua elegância e estilo.

    Conheçamos um pouco de sua história...

    A ereção de um prédio específico para o funcionamento da Câmara e Cadeia, e a de um prédio para sediar a escola de primeiras letras, fazia parte das exigências legais, determinadas pela Lei que regulava a criação dos municípios no Império, bem como a eleição dos primeiros vereadores.

    Os antigos líderes de nosso município, então apenas um distrito com o nome de Dores do Rio do Peixe, deram logo conta das exigências locais, erigindo no local um belo sobrado, erguido na rua principal da vila,  de linhas retas, telhado de quatro águas e beirais largos, coberto com telhas capa e canal, que eram amplamente usadas antes da chegada das telhas francesas.

    Nesse prédio foi instalada a nossa primeira Câmara de Vereadores em 29 de dezembro de 1884, passando depois a sediar a Intendência, a partir da Proclamação da República, em 1889.

    O velho sobrado, possuía aos fundos, no térreo, uma cela, onde funcionou a Cadeia Pública até o ano de 1899, quando foi inaugurado o prédio do Fórum e Cadeia (atual Prefeitura).

    Na década de 1930, são criadas as Prefeituras e a figura do Prefeito em todo o Brasil, passando o gabinete do prefeito e salas das repartições públicas a funcionarem no térreo do prédio da Câmara, até 1984, quando são transferidos para o prédio atual, na praça, antigo Fórum.

    Vivendo a cidade um surto de modernização nas décadas de 1920 e 1930, impulsionada pela chegada da ferrovia, foi remodelado o velho sobrado que sediava a Câmara e a Prefeitura. A construção ganhou o aspecto do estilo mais moderno que havia na época, o Art Déco, caracterizado pelo uso de platibandas, planos recuados na fachada, prevalência de linhas retas e escalonados, além de revestimento externo em pó de pedra.

    


O projeto do novo paço coube ao engenheiro e então Prefeito Municipal, Moacyr Duque Catão (MDC), cujas iniciais grafadas em ferro podem ser vistas encrustradas no nicho no alto da platibanda da fachada principal, tendo sido o novo Paço Municipal inaugurado em 31 de janeiro de 1937.

    O prédio foi palco de muitos eventos significativos de nossa história, recepcionando ilustres visitantes, acolhendo famosos bailes, formaturas e cerimônias.

    No hall de entrada merecem destaque a escada em madeira em estilo Art Déco e os pisos hidráulicos; no Salão Nobre, os lustres, a bancada da Mesa da Cãmara e a grade também em madeira no mesmo estilo do prédio. Há também o Livro que contém a Ata de Instalação do Município de Lima Duarte, com a assinatura dos primeiros sete vereadores e autoridades de Barbacena,  importante relíquia dos primeiros tempos da Câmara.

    Preservar esse prédio é manter viva uma parte de nossa História!


domingo, 3 de outubro de 2021

Poetas lima duartinos II

 

POETAS LIMA DUARTINOS II


YMAH THÉRES

    Imaculada Therezinha Miranda Ribeiro, conhecida literariamente como Ymah Théres, nasceu em 28 de julho de 1939,em Lima Duarte- MG., e faleceu no dia 12 de setembro de 2008, aos 69 anos em Juiz de Fora, cidade para onde emigrou ainda criança, com seus pais.

    


Seu pai, João leitor voraz e também poeta,muito influenciou sua escrita, e ela o dedicava muito amor e admiração.A poetisa tinha a saúde debilitada e sua produção poética fala de uma solidão sem limites. Formou-se Bacharel em Jornalismo pela antiga Faculdade de Filosofia e Letras - Fafile (UFJF). Apesar do formação de jornalista entrou para a História como uma grande poetisa. Era dona de uma poética rica e delicada.

    Aos 24 anos, ingressou na Câmara Municipal de Juiz de Fora, onde, por 28 anos, serviu como chefe e posteriormente, como Diretora da Seção de Expediente, aposentando-se em 1991.
    Durante mais de 30 anos, colaborou como articulista em inúmeros periódicos mineiros.

    JORNAIS COM OS QUAIS A POETISA COLABOROU:
1. GAZETA COMERCIAL- Juiz de Fora, MG.
2. JORNAL RODA VIVA ( Órgão das ex-alunas do Colégio Stella Matutina)- Juiz de Fora, MG.
3. FOLHA DA MANTIQUEIRA Juiz de Fora, MG.
4. DIÁRIO MERCANTIL - Juiz de Fora, MG.
5. O IMPARCIAL de Rio Pomba, MG.
6. CORREIO DO SUL - Varginha, MG.
7. TRIBUNA DE MINAS - Juiz de Fora, MG.
8. JORNAL DO POVO - Lima Duarte, MG.
9. JORNAL O LUME - Juiz de Fora, MG.
10. JORNAL VIVA A VIDA( de Cida Rigotti)- Juiz de Fora, MG.
11. BOTIJA PARDA de Araguari, MG.
12. SUPLEMENTO LITERÁRIO DE MINAS GERAIS - Belo Horizonte, MG.
13. VOZ DE SÃO JOÃO DE São João Nepomuceno - MG.

    Ymah Theres e
ra membro titular e fundadora da Academia Juizforana de Letras (1982). Teve seu talento reconhecido por meio de inúmeras premiações e menções honrosas recebidas em diversos concursos literários.

    SEUS LIVROS:

1973 - ELEGIAS. Juiz de Fora: Esdeva. (poemas)
1985 - ESCRÍNIO/ ASA DE BORBOLETA). Juiz de Fora: Cave. ( poemas em parceria com seu pai, poeta João Ribeiro de Oliveira
1986 - MUSGOS E GERÂNIOS Juiz de Fora: Esdeva. ( poemas em prosa e verso):
1987 - BIGODINHO, O GATO ENJEITADO. Juiz de Fora: Cave. ( infantil).
1988 - CANÇÔES DE CONVÉS OU DO AMOR PRESSAGO. Juiz de Fora: Gráfica e papelaria Gonçalves. (poemas).
1989 - HAICAIS. Juiz de Fora: Gráfica e Editora FORMIGA MARIA..
1991 - NA CONCHA DO OUVIDO. Juiz de Fora: Zas Gráfica e Editora. (prosa poética)
1992 - DIÁRIO ESPARSO DE MARIANA. Juiz de Fora: Zas Gráfica e Editora. (prosa Poética).
1992 - SOLO DE FLAUTA DOCE. Juiz de Fora: Edições de Minas. (poemas).
1992 - ACERVO DE CRISTAIS. Juiz de Fora: Edições de Minas. (contos e outros textos).
1992 - TREZE CARTAS DOS VENTOS DE AGOSTO). Juiz de Fora: Edições de Minas. (prosa poética).
- Dos arquivos do anjo dromedário.
1993 - ANJO, ALAÚDE ; PAIXÕES. Juiz de Fora:Edições de Minas .
1994 - FLOR e CIPRESTE: JOâO RIBEIRO DE OLIVEIRA. Juiz de Fora: Edições de Minas (Publicação / Póstuma de poemas do Pai da autora).
1994 - MENINA COM FLOR. Juiz de Fora: Edições de Minas. (poemas).
1998 - RAMILHETE E ALECRIM. Juiz de Fora. (editoração eletrônica: William F. Ruheno).
1999 - FLOR DE OUTONO. Juiz de Fora
2003 - ANELO DE LUA NOVA . Juiz de Fora: Funalfa.

    A Associação Caminho da Serra, na Beira Rio, em Lima Duarte é a guardiã de pertences e objetos pessoais de Imah Théres, doados após seus falecimento em 2009, por sue primo - irmão Alexandre de Miranda Delgado. Uma sala chamada Sala da Poesia, foi construída para resguardar esse acervo, aberta à visitação. Lá estão sua rica bilioteca(prova de sua erudição e bom gosto literário, suas fotografias e quadros pintados por amigos artistas. Um local para se reverenciar e louvar sua memória a poesia!

    Segue um de seus poemas, de que muito gosto...

ENIGMA


Desarmado, o coraçãoo
reborda a orla do poço,
que segue além do limite
do alcance amorfo da mão.
E
as coisas vãs se transformam,
se transmigram, se mitigam
no consumido silêncio
que redime esse sol-posto
das ventanias possessas.
É
o amor devagarinho
formando o ocaso do enredo
que folgou de brisa e invento
no eterno e puro brinquedo.
E
os anjos, com seus arminhos
de alaúdes afagados,
sorriem, leves, sorriem
mas fogem com suas asas
pra longe, prum outro lado.
S
em flor ou cor, sem perfume
de gerânio macerado
no inenarrável segredo
vencido, desvencilhado.

Ymah Théres
Juiz de Fora, 24 . 03. 99

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Poetas lima duartinos

 Poetas lima duartinos



Lima Duarte também tem seus poetas!

    Seres de alma elevada, que conseguem traduzir em palavras os amores a as dores do mundo, tecer versos sobre o palácio ou um barraco, a flor ou o estrume, a treva, ou o lume... Avivam a chama do desejo, abrandado no sentimento puro. E cantam sem pejo, da traição, o golpe duro...

    Trazem a lembrança dos dias de sol, a força das tempestade sombria, das luzes em arrebol ou da manhã fria...

   


    Em 
seu tempo, o maior poeta da terrinha foi Pedro Mendes da Paz, nascido em Sapucaia-RJ em 21/11/1878 que aqui chegou, com 22 anos, recém formado em Barbacena, no ano de 1900. Seus versos ilustraram jornais, sua oratória ecoou em dias solenes ou tristes. Orador oficial da cidade, era convidado a saudar visitantes e autoridades, o que fazia com maestria, seja em prosa ou verso.

    Muitos versos compôs, a maioria inédito, escondidos em cadernos, que pude ainda ver, com folhas amarelecidas pelo tempo. Muitos lima duartinos ganharam de presente, poesias suas, sonetos guardados ainda hoje com carinho. Faleceu em Juiz de Fora em 19/07/1940, sendo sepultado em Lima Duarte.

Segue um de seus inspirados sonetos:


O pior dos males


Que há pior que o temporal infando,

Que tudo estrue, derriba, arrasa, leva,

Pior que os vagalhões do mar na treva,

De encontro à rocha, as naus, esmigalhando?


Que há pior que o incêndio devastando,

Numa fúria infernal, medonha, seva,

Tudo o que encontra, num furor nefando,

Da choupana ao palácio que se eleva?


Que existe mais horrendo que a peste,

Do que a guerra feroz que ruge, investe,

Trazendo a fome, o luto, a mortandade?


Pior que o incêndio, a fome, a peste a guerra,

Pior que o inferno existe sobre a terra,

Pior que tudo – a torva falsidade.




    Outro que lhe faz par, é Oranice Franco, nascido em Lima Duarte aos 02 de novembro de 1919 e falecido em São João Del Rei em 02 de novembro de 1999. 

     Oranice, cujo apelido era Orana, foi mais conhecido como jornalista e locutor da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, onde às terças e quintas, às 17h30 minutos, apresentava o prestigiado programa “Histórias do Tio Janjão”, dedicado às crianças, além da famosa e esperada “Crônica da Cidade”. 

    Lançou vários livros de poesia, todos inspirados em Minas Gerais, como o Minha Rua de Minas, Mares de Minas e O Poço da Memória, dentre outros.        Produziu ainda contos, crônicas e radionovelas. De Oranice, trazemos:


Canção do Voltará


Esta flor que lhe dou

é do país de Minas Gerais.

Ponha-a junto ao peito

-ela tem muito de céu.


Este amor que lhe dou

é um amor de mil amores.

Ponha-o junto ao seio

-ele tem muito de flor.


Quando vier, estarei à espera.

Quando chegar, terei ido embora.

O apelo das serras é um imã

-pois tem muito de céu.

O encontro de hoje fica para amanhã

ou para depois, depois, depois.

O dia está lindo demais para encontros,

Vou passá-lo comigo mesmo.

Voltarei, um dia,

Com mais flores, o mesmo amor,

e virei, transfigurado, para ficar.

Teremos, então, muita coisa de céu.




segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Epidemias em Lima Duarte

 

Epidemias em Lima Duarte


    Desde tempos imemoriais, a humanidade convive com os surtos e epidenias, comunmente designadas como pestes. Muitas dessas doenças foram ao longo do tempo erradicadas, seja pela melhoria das condições de higiene e saneamento, quanto pelo esforço da medicina.

    Lima Duarte também registrou ao longo de sua existência diversas epidemias, a maior parte delas relativas à Gripe Espanhola em 1918, ou à Varíola, entre nós conhecida como “Bexiga”.

    Sobre a varíola, o jornal O Pharol de Juiz de Fora traz algumas informações a respeito de nossa cidade em 1904. Nesse ano, começaram a surgir na cidade de Juiz de Fora numerosos casos da doença.     A população, alarmada, solicitou providências às autoridades. Era Agente Executivo Municipal e Presidente da Câmara Municipal o Dr. Manoel Brito de Vieira Pinto, médico de profissão, que nomeou o farmacêutico Álvaro Rangel, Delegado Municipal de Higiene, dando-lhe autoridade para tomar as medidas que fossem necessárias para que a doença não atingisse a cidade.

    Este, tão logo pode, decretou o fechamento das fronteiras e o estabelecimento de quarentena. As medidas, editadas em 2 de setembro de 1904, foram divulgadas pelo jornal “O Pharol:

O farmacêutico Álvaro Rangel, delegado de Higiene Municipal, em comissão.

De ordem do exmo. sr. Dr, Agente Executivo Municipal faço público que, enquanto durar a epidemia d varíola em diversos pontos do município de Juiz de Fora, fica proibida a entrada neste município de pessoas, tropas e veículos vindos daquela, sem terem estado de observação durante 5 dias nos postos de passagem, onde foram estabelecidos cordões sanitários.

Lima Duarte, 2 de setembro de 1904.

O Delegado de Higiene municipal - Farmacêutico Alvaro Rangel


    O rigor e determinação do Delegado de Higiene não perdoou nem o Juiz de Direito da Comarca, Dr. Canuto Gonçalves Pereira de Sá Peixoto, conforme nota publicada no mesmo “O Pharol”, sete dias após a publicação das medidas:


O cordão sanitário de Lima Duarte está sendo posto em prática com extraordinária energia. A primeira vitima foi o juiz de direito da Comarca, o qual, tendo ido desta cidade, foi obrigado a purgar, com sua família, cinco dias de quarentena no luxuoso lazareto instalado pelo Agente Executivo, especialmente para aquela autoridade.

Como o lazareto se acha situado fora da Comarca, não pode o magistrado prisioneiro despachar o expediente de sua vara nem conceder a si mesmo uma ordem de auto habbeas corpus.

A higiene pública de Lima Duarte prefere ficar sem Justiça a correr o risco de ter justiça… com bexigas!


    Apesar do esforço das autoridades, tomando todas as medidas que julgaram cabíveis, a varíola seguiu fazendo muitas vítimas em todo o município. As vitimas eram sepultadas fora das povoações, em cemitérios que ficaram conhecidos como “Cemitérios dos Bexiguentos”, alguns deles ainda hoje existentes, testemunhando o sofrimento de tantos seres humanos.

    A varíola voltaria com força em outras ocasiões, deixando marcas profundas em muitas gerações. Em 14 de setembro de 1919, a Diretoria de Higiene do Estado recebeu telegrama de Lima Duarte, pedindo urgentemente vacinas antivariólicas. Foram enviados 150 tubos. Com o avanço da doença, o Dr. Luiz de Mello Brandão, inspetor de Higiene do Estado de Minas Gerais, recebeu ordens do Governo do Estado para proceder vacinação em todos os habitantes das circunvizinhanças de Lima Duarte.

    Documentar as epidemias, resgatar as estorias de dor e sofrimento de tantos lima duartinos e preservar os Cemitérios dos Bexiguentos é manter viva a nossa História.


quinta-feira, 1 de julho de 2021

A imprensa em Lima Duarte - o primeiro jornal

 

O Primeiro jornal de Lima Duarte


    Muitos periódicos surgiram ao longo de nossa história, alguns perdurando por décadas, outros com apenas algumas edições. Muitos certamente se lembram da “Tribuna de Lima Duarte”, de Paulo Modesto, com seu Olho Vivo e Pinga Fogo. Ou ainda, do pequeno “O Sabiá”, sempre aguardado.

    Distante de outras cidades e isolada em seu início de meios mais rápidos de comunicação, a cidade não dispunha de um periodico. Por isso, jornais de outras cidades eram por aqui aguardados com avidez, alguns viajando dias em lombo de burro, trazidos pelo Correio. 

Primeira Pagina de A Tribuna.
1904
Acervo Vicentina Salgado
E assim, os leitores de O Pharol, Jornal do Comércio, A Noite, dentre outros, aguardavam ansiosamente a chegada do malote, em busca das novidades.

    A primeira iniciativa de criar em Lima Duarte um jornal, coube a Alfredo Catão, que por volta de 1900, adquiriu uma impressora, trazida a Lima Duarte em carro de boi. Uma vez instalada no andar térreo do prédio da Câmara, Catão compôs e fez imprimir o primeiro jornal de que se tem conhecimento em Lima Duarte, chamado de “A Tribuna”.

    O valente jornal circulou por cerca de 10 anos, prestando bons serviços aos cidadãos de Lima Duarte. A pena de Catão, primorosa, antenava Lima Duarte com a civilização, elevando os corações e mentes aos deveres para com a Pátria, o Civismo, a Democracia e o Direito.

    Pelo jornal travou Catão a luta pela implantação do ensino médio na cidade, a defesa da ferrovia, a melhoria do sistema de abastecimento d’água, bem como a repercussão dos fatos da política nacional.

    Matérias desse periódico são encontradas no jornal O Pharol de Juiz de Fora, de que Alfredo Catão era correspondente. Uma delas anunciava em 1911: “...Vai ressurgir até o fim do corrente ano A Tribuna, valente orgam que se publicava em Lima Duarte, sob a competente direcção do Cel. Alfredo Catão. O confrade vira bater-se dessassombradamente pelos legítimo direitos civis, dando franco combate ao hermismo daninho. Aguardemol-o.”

    Apesar do anuncio de sua reabertura, A Tribuna acabou encerrando suas atividades. Surgiram logo muitas outras iniciativas, todas importantes na trajetória da nossa imprensa.


quinta-feira, 6 de maio de 2021

Os primeiros vereadores - Manoel Victório Nardy

Emancipado do município de Barbacena em 03 de outubro de 1881, o município de Rio do Peixe (atual Lima Duarte) não foi instalado em ato contínuo, como determinava a lei. A instalação foi postergada pelas autoridades de Barbacena, que alegavam vários motivos para não efetuá-la, ainda que a povoação já tivesse cumprido todas as exigências previstas em lei, como dispor de prédio para escola de primeiras letras e prédio para as instalações da Câmara. Somente em 1884, quase quatro anos depois, sob pressão da população da Vila do Rio do Peixe e Assembléia Provincial, as autoridades de Barbacena determinaram a realização de eleições em todo o distrito, de modo a que se elegessem os primeiros vereadores, um deles, sendo o Agente Executivo do novo município. O voto, naquela época era censitário, podendo votar e ser votados apenas cidadãos que tivessem renda mínima estabelecida por lei.
Em 07 de setembro de 1884, foi eleita a primeira Câmara de Vereadores do Município de Rio do Peixe, a ultima das exigências legais para a instalação do município. Era composta de sete "homens bons"os quais tomaram posse no dia 29 de dezembro do mesmo ano, na presença do Presidente da Câmara e Agente Executivo de Barbacena, Antonio Carlos Ribeiro de Andrada.

Um destes eleitos era Manoel Victório Nardy, conhecido proprietário de terras da região de São Domingos da Bocaina e adjacências. Dono de grandes extensões de terra na região, suas propriedades rurais se estendessem pelas terras dos atuais municipios de Lima Duarte, Olaria, Rio Preto e Bom Jardim, possibilitando sua candidatura e eleição em quaisquer desses distritos eleitorais.

Enterro de Manoel Victorio Nardy.
Manoel Victório Nardy nasceu em São Sebastião - SP, aos 28 de Novembro de 1845, filho de João Victorio Nardy, francês da cidade de Lyon e de Dona Rita de Jesus Nardy, natural de São Sebastião- SP. Em 1867, aos 22 anos de idade, veio para Minas Gerais, radicando-se na região de São Domingos da Bocaina, onde se casou com Dona Francisca Cândida de Paula, a qual adotou seu sobrenome. Dessa união, tiveram os seguintes filhos:
Domício de Paula Nardy. nascido aos 7 de fevereiro de 1885, ordenado padre e Vigário Geral da Arquidiocese de Mariana e posteriormente Monsenhor e Vigário Geral da Diocese de Juiz de Fora, cidade onde faleceu a 30 de Maio de 1940 aos 55 anos.
Rita Nardy
Aristeu Victório Nardy
Domingos Victório Nardy
Faleceu em Bom Jardim em 1º de Novembro de 1914, vítima de aguda e implacável bronquite.


.


domingo, 5 de abril de 2020

O Cemitério de Lima Duarte

Cemitério de Lima Duarte


    A origem do cemitério da cidade de Lima Duarte está ligada à da antiga ermida de Nossa Senhora das Dores do Sertão do Rio do Peixe, desde seu início, capela filial da Freguesia de Nossa Senhora da Piedade de Barbacena.
    Nestor MASSENA, em sua obra A Igreja em Barbacena, página 81, relata que a capela de Nossa Senhora das Dores do Rio do Peixe foi erguida em 1808, sendo distante "dezessete léguas da Matriz", o que perfaz 102 quilômetros. A se julgar por essa distância, é lícito supor que a primitiva capela fosse dotada do básico para a cura d'almas. Nisso incluem-se a pia batismal, vasos para a guarda dos  Santos Òleos, Sacrário fixo e inamovível e o cemitério, seja em campas ou no adro. 
    A decência do culto era mantida pelas irmandades, compostas por destacados aplicados da capela. Em 1809, João Pedro Fortes de Bustamante de Sá, proprietário da Fazenda do Engenho Novo da Conceição do Salto, deixou em testamento, "para as Obras da Irmandade da Senhora das Dores do Rio do Peixe, da mesma Aplicação de Ebitipoca, a quantia de seis mil réis, a serem entregues na sobredita por seu testamenteiro. A doação indica a existência da Irmandade e sua fábrica, responsável pelo patrimônio, paramentos e alfaias.
    Por essa época, os sepultamentos eram feitos em duas modalidades: em campas, aberturas situadas no assoalho das capelas, destinadas aos membros das irmandades, membros do clero e cidadãos de maior linhagem e prestígio,  e nos adros,  áreas planas cercadas ao redor dos templos, destinados aos cidadãos livres de menor poder aquisitivo e escravos. Ao longo do século XIX, a pressão das autoridades civis fará aos poucos cessar o costume de se sepultar dentro dos templos e os cemitérios acabam por se  desenvolver nos adros, na maioria dos lugares.
    Assim foi na capela das Dores do Rio do Peixe, que acabou por desenvolver seu cemitério no adro, circundando o velho templo de estrutura em madeira, que seguindo o desenvolvimento da localidade, vai sendo remodelado, ornamentado e provisionado. 
    Em 1831, a capela é levada à sede de Curato, passando a ter seu capelão e Livros de Registros de Sacramentos e Tombo. A povoação torna-se Distrito de Paz em 1839. E   m 27 de junho de 1859 a Capela é elevada à categoria de Igreja Matriz, sediando a Freguesia de Nossa Senhora das Dores do Rio do Peixe. Em 1881, o distrito é emancipado de Barbacena, com o nome de Rio do Peixe. Essa evolução é acompanhada pelo pequeno templo, já incapaz de acolher tantos fiéis e indigno de uma sede municipal , pelo que buscou-se sua reforma e ampliação.
    Por essa época era Pároco o Padre Pedro Nogueira da Silva, que em 1883 reuniu os fiéis para deliberar sobre a reforma ou ampliação do templo. Estes optaram pelo desaterro do adro e ampliação da igreja. Para que isso fosse feito, fez-se necessaria a transferência do Cemitério para outro local. O Tenente Coronel João de Deus Duque faz então a doação do terreno, que era um pasto, situado atrás da matriz, numa encosta. Padre Pedro, solicitou então à Cúria em Mariana a autorização para construção do novo cemitério. 
    Em 21 de Junho de 1883, o Bispo de Mariana, Dom Antônio Maria Corrêa de Sá e Benevides, concedeu licença para a edificação do novo cemitério do Rio do Peixe. A provisão, minuciosa nos detalhes, determinava como condições para a obra: "...deverá ser bem cercado, ter porta e chave e defendido para não serem profanadas as sepulturas... No centro levantar-se-á uma cruz que aos vivos indique ali estarem sepultados os que nos precederam no sinal da Fé... No interior do cemitério, de um lado, se deixará sem benção, espaço bem discriminado para os que não a tiverem em sagrado..." 
    Aos 21 de Janeiro de 1884, era solenemente bento e inaugurado o novo cemitério de Lima Duarte. Da cerimônia, foi lavrado pelo Padre Pedro Nogueira, um Termo de Benção, que assim ficou registrado no Livro de Tombo: "Aos vinte e um dias do mês de janeiro de 1884, depois de visitar o cemitério novamente construído nessa freguesia, achando-o conforme as Leis da Igreja, tapado com muro de pedra e decente, o BENZI, deixando para o lado do fundo do mesmo, um canto sem benção, sendo este bem separado do cemitério dos católicos. E para constar, lavrei este termo que assino. Rio do Peixe, 21 de janeiro de 1884. O Vigário Padre Pedro Nogueira da Silva. No mesmo dia foi benta no cemitério a Capelinha de São José, a qual foi dotada de um sino de finados e recebeu em campa situada em seu presbitério, os restos mortais do primeiro vigário, padre Joaquim da Silva Maia, falecido em 1875
    Com as obras do cemitério e transladação dos restos mortais dos ali sepultados, foi possível demolir a velha Matriz, desaterrar e aplainar o terreno, sendo o novo templo erguido em alvenaria de tijolos aparentes, sob o comando de Luiz Klotz e inaugurado em 20 de junho de 1891. 
    O cemitério, atendendo à demanda por mais espaço, foi ampliado mais tarde para a frente, descendo a ladeira, ( a parte mais íngreme da sua rampa central de acesso, com restos do antigo muro de arrimo e muros). Cresceu também em direção à Rua Antônio Duque Filho, depois até a margem da BR 267 e ultimamente em direção aos fundos da Rua Souza Paula, de acesso ao centro Esportivo Lincoln Moreira Duque.
    Guarda ainda no gradio da entrada de acesso, no lado esquerdo de quem entra, o portão lateral por onde entravam os ferétros dos pagãos, ateus e suicidas. Com o fim da proibição de se sepultar no mesmo cemitério católicos e não católicos, a soleira foi preenchida com tijolos e o portão chumbado, ficando apenas o portão principal. Na parte reservada aos não católicos estão túmulos como o de Dona Raquel Viana da paz Fortuna e outros metodistas históricos, além de espiritas conhecidos e ateus confessos.
    A capelinha de São José sofreu reforma em 1968, tomando a aparência que hoje possui em estrutura mista em concreto armado e tijolos. Guarda atrás do altar, sob lápides de mármore, os restos mortais do Vigário Joaquim da Silva Maia e do Padre Henrique Guilherme da Silva. Seu sino, segundo a tradição oral, foi enviado à capela de Santa Teresinha. Da imagem de São José não se registrou o paradeiro.
    Cemitério canônico desde sua origem, administrado pela Paróquia de Nossa Senhora das Dores de Lima Duarte, foi transferido à Administração Municipal em 1988, por determinação da Mitra Arquidiocesana de Juiz de Fora, sendo pároco o Padre Elpídio José Barbosa.
    Foram zeladores, dentre outros, Manoel Joaquim Rodrigues (Quinzola), Diomedes Guimarães, Vicente Nunes (Vica), Jacy Manoel da Silva. Coveiros: Vicente Correa de Oliveira e Tião Serrinha, 


domingo, 9 de março de 2014

Capela de São Joaquim dos Almeidas


Quem passa pela ponte sobre o Rio do Peixe, adiante da povoação de Manejo, indo para o Taboado, nem de longe imagina o que representa a velha capelinha, erguida próxima à ponte, à margem esquerda do Rio do Peixe. Defronte à ponte, à jusante, o rio se espraia, formando um extenso poço, onde as águas rodam, lentas e profundas. 

Entulhos da ponte demolida, colocados entre os pegões da margem direita e o central, forçam as águas pra margem esquerda e elas assim, batem no barranco e desenvolvem um grande círculo.




As margens aos poucos recuperam a vegetação que as cobria, dando à paisagem um ar selvagem e natural, não fossem a estrutura pesada da ponte com seus pilares e pegões, e a capelinha, com paredes azul claro desbotado, sujo e  os muros descascados. O terreno ao lado da capelinha, tinha sido arado para semeio de milho para forragem, plantio que ocupa a longa várzea dantes pertencente à Fazenda do Manejo, que se estende até abaixo da Vila São Geraldo, a uns cinco quilômetros rio abaixo...



Trata-se da Capela de São Joaquim, tendo próxima a si um jovem gerivá e um pequeno cemitério, cercado por velhos muros de tijolos descascados e vedado por um portão de ferro enferrujado.
Essa capela era parte da povoação de São Joaquim dos Almeidas, nome que tinha a margem "de lá" do rio, antes do advento da ferrovia e sua estação. Era a parte mais habitada então, desde meados do século XVIII, época em que o primeiro dos Almeidas aportou por essas terras vindo de Santa Rita de Ibitipoca.
A capela de São Joaquim dos Almeidas sediava regulares missas e festas, sendo em seu cemitério sepultados todos os que morreram na região antes de 1989, ano em que foi inaugurado o cemitério atual, atrás da Igreja de Nossa Senhora Aparecida. Não se sabe ao certo quando foram erigidos a capela e o cemitério. As origens da capela, certamente votiva, acreditamos serem relacionadas as epidemias ocorridas no final do século XIX e início do XX, ocasião em que os sepultamentos eram feitos longe das povoações e moradias, como medida de higiene.Situada bem próxima à sede da Fazenda do Manejo, de Manoel de Almeida Ramos, atualmente demolida e conhecida como Fazenda dos Cândidos, a velha capelinha sediou ate 1939, os atos religiosos da região, sendo notáveis as festas que aí eram celebradas em honra do padroeiro.

A despeito de sua importância histórica, religiosa e social, jaz a capelinha em meio ao mato e ao abandono. Prova do esquecimento a que foi relegada, uma colméia de abelhas segue, suspensa em uma de suas paredes laterais. A cobertura, de telhas de amianto, forma um telhado desigual e exógeno, apresentando rachaduras e as paredes, mal chapiscadas, escondem a boa alvenaria de tijolos, revelada na cimalha  escalonada que coroa as paredes. Percebe-se que, tanto o cemitério quanto a capela sofreram ao longo do tempo muitas intervenções, chamadas de reformas.
A porta única foi substituída por uma porta de ferro e vidro, por certo por sua maior resistência ao tempo. Apesar de mais resistente e barata, nada tem a ver com o conjunto. O calçamento em redor foi removido, de forma que o mato invade a base cavoucada das paredes. O frontão revela alteração com retirada da platibanda e perpasse do telhado de amianto, tirando da capela as características comuns de um templo católico, já que atualmente não dispõe nem de uma cruz que o assinale. Pelos vidros da porta olhamos o interior! O altar, único, revela alterações, já que é executado em alvenaria argamassada. Nada tem de artístico e original, a não ser a imagem do Padroeiro, de uns 40 cm de altura creio e outras imagens devocionais, a maioria  desbotada e apresentando partes quebradas. Da capela original, ou pelo menos anterior à atual, localizei dois restos de peanhas nas paredes laterais, possivelmente partes do antigo retábulo em madeira. O piso também sofreu alterações, bem visíveis. Nas paredes laterais há dois óculos em forma de cruz de cada lado, possivelmente para ventilação. Num desses óculos a tal colméia se instalou, na parede que dá pro lado do rio.

O cemitério, situado atrás da capela, também traz as marcas do abandono. Cheio de dracenas altas e antigas, já não apresenta os tradicionais amontoamentos das covas. A erosão provocada pelo tempo e pelas capinas acabou por rebaixar e nivelar o solo, expondo em vários lugares as pedras do alicerce dos muros, que apresentam, por isso, várias fissuras, desalinhamentos e desnivelamentos, denunciando o movimento da estrutura de alvenaria.

O cruzeiro caiu e só identificamos seu possível pé, por conta dos restos de imagens e borras de velas amontoadas no que era sua base, ao fundo do cemitério. O portão apresenta também partes deterioradas e muito ferrugem, resultado da exposição às intempéries e à falta de manutenção periódica. Curiosamente, é o primeiro portão de cemitério que vejo na vida de uma só bandeira o que pra mim atesta outra alteração. Intrigado com o fato da capela estar virada para o "nada", de costas para a estrada, indaguei a moradores locais a respeito do fato. Fui então informado de que a antiga ponte ficava situada bem abaixo da atual, onde hoje existem umas moitas de bambu,  e que o rio corria em um leito bem diverso do atual, ou seja, a estrada antigamente passava defronte à atual capela. Por moradores locais também fui informado de que as terras ao lado da capela pertencem ao senhor Joaquim Campos Pereira, proprietário também da Fazenda Pão de Angu, tendo-a comprada do senhor Manoel Teixeira Lopes, que teria dado ordem a um tratorista para demolir a capela e o cemitério. O tratorista, não se sabe se por medo, zelo, ou cuidado, desligou o trator desceu e deu a chave ao então dono dizendo-lhe que "isso eu não faço...suba e faça o senhor mesmo". Diante da negativa deste, o tratorista seguiu a arar terra pra outro lado, e a centenária capela e seu cemitério foram poupados.



 Outra ameaça que se faz constante ao conjunto é a erosão marginal do Rio do Peixe. Por ocasião da demolição da plataforma da estação, foram os restos jogados na margem do rio, provocando um alinhamento da força das águas em direção ao outro lado da margem, onde está a capela, provocando sua erosão. Há poucos anos, a ponte apresentou problemas estruturais graves, ocasionados pela retirada indiscriminada de areia do leito. Foi então demolida em parte e refeita. Os moradores pediram então que os entulhos fossem jogados na margem onde está a capela, como forma de conter o avanço da correnteza. Tal pedido não foi atendido, mas as preces do povo sim. O rio alargou defronte à ponte, diminuindo a força da correnteza, agora mais direcionadas pro meio do leito do rio. As margens desde então se estabilizaram e a vegetação se recompõe naturalmente.


Na foto da ponte vista de perto da capela, os entulhos sob o tabuleiro, responsáveis pelo estreitamento do leito e direcionamento das águas à margem esquerda, persistem.

Apesar de supostamente abandonada, a capela de São Joaquim dispõe de zelador, um senhor que faz o que pode em sua defesa. Herdou de seu pai a guarda da capela e de certa forma é o único a se preocupar com sua existência, já que nem a Arquidiocese, a Paróquia e a Prefeitura zelam pelo conjunto. Esse encargo hereditário faz com que aja até com certo extremismo, negando-se a abrir a igreja e tratando os curiosos com desconfiança. Ato completamente compreensível de quem com as chaves deve ter herdado a tristeza, o sofrimento e  a dor de ver o solo onde foram batizados, casados  e sepultados seu pai, mãe, avós, bisavós e tetravós a ponto de virar entulho e ser empurrado pra dentro do rio.