sexta-feira, 3 de junho de 2022

Praça JK

 

Praça de baixo: de circos e touradas a JK….


O povoado do Rio do Peixe desenvolveu-se inicialmente no entorno da atual Praça da Matriz, aproveitando as terras mais secas, apropriadas para a construção das casas de taipa. Os velhos caminhos que ligavam fazendas, aí se encontravam, gerando um “largo”, atual Praça Nominato Duque.

Neste largo, mais tarde denominado Largo da Liberdade, prevaleciam os eventos religiosos, as “festas da Santa” erguendo ranchos e barracas para leilões, venda de comidas e bebidas e apresentações de bandas e conjuntos musicais.

O caminho que levava às terras dos Delgado gerou a atual Rua Antonio Carlos, principal artéria da cidade. Ali se concentraram as moradias dos ilustres, o comércio, e as repartições públicas e administrativas, advindas com a elevação do povoado à vila e sede de municipio.

O Rossio, ainda sem a praça
1910. Acervo Afranio de Paula

A Câmara Municipal, seguindo a tradição herdada de Portugal, logo fez a aquisição de um terreno de grandes dimensões, no lado direito da rua principal, na época batizada de Rua General Osório (atual Antonio Carlos,) um pouco abaixo do Prédio da Câmara. gerando o Rossio, terreno público, fruído em comum, pelos habitantes da povoação.

Neste terreno aplainado e guarnecido de valas laterais de drenagem, eram realizados os festejos públicos, erguidos os circos, arenas de touradas e parques de diversões. Fotos antigas registram o terreno com uma dessas estruturas montadas.

Em 1886, é erguida num dos lados do Rossio a Igreja do Rosário. Em 1899, o Rossio perde espaço para o prédio do Fórum e Cadeia (atual Prefeitura), mantendo-se ainda o restante, entre a Igreja do Rosário e o Fórum, como terreno plano e descampado.


O Rossio por volta de 1930


Somente em 1930 a área seria transformada em praça ajardinada, com canteiros artisticamente construídos, plantio de árvores e arbustos artisticamente podados. Um piso de saibro, sempre mantido bem varrido, permitia a circulação entre os canteiros. Este jardim recebeu elogios de muitos que chegavam à cidade, por seu bonito aspecto.

A praça, conhecida pelo povo como Praça do Rosário, recebeu oficialmente o nome de Praca Paiva Duque, uma homenagem ao Dr. Nominato de Paiva Duque, tendo em 17 de abril de 1932, sido nela inaugurado pelo Prefeito Alfredo Catão, um sistema de iluminação com energia elétrica.

Em 1937, Lima Duarte recebeu a visita do Governador do Estado de Minas Gerais, que veio inaugurar o início das obras da estrada de carro para Bom Jardim de Minas. A Prefeitura, aproveitando o ensejo, presta-lhe homenagem e a praça passou a ser denominada

A praça em 1945
Praça Governador Benedito Valadares.

Em 20 de novembro de 1948, por força da lei nº 39, passou a ser denominada Praça Virgílio de Melo Franco, denominação que permaneceu até 11 de maio de 1951, quando voltou a ser denominada Praça Paiva Duque, por determinação da Lei nº 109, de 11 de maio de 1951, nome que parece não ter “pegado”, haja visto que seguiu denominada Virgilio de Melo Franco...

No final da década de 1960, a praça perde mais um pouco de sua área, ao ser erguido ao lado da Igreja do Rosário o atual prédio do Fórum. Paralelo a isso, é feita uma remodelação da praça, com corte de árvores e eliminação de canteiros. Ao centro, de uma grande área retangular com piso de lajes de concreto, foi erguido um monumento em concreto, com as iniciais “LD” revestidas em pastilhas cerâmicas, dentro de um corpo d’água circular, mais tarde preenchido com areia. Pela Lei nº 535, de 16 de novembro de 1976, a Praça Virgílio de Melo Franco passou a ser denominada Praça Juscelino Kubistcheck, nome que permanece até os dias atuais.

A praça assim permaneceu até 1984, quando em nova reforma, demoliu-se o “LD”. A informação divulgada na época, dizia que, no local intencionava-se erguer um coreto, nada se concretizando porém. Por essa época ganhou um busto de Juscelino Kubistcheck.

Uma última reforma foi verificada nos primeiros anos do novo século, quando a Praça ganhou a forma que hoje apresenta, com um relógio de sol no centro, logo alvo de vandalismo e nunca mais refeito.

No casario ao redor da praça funcionaram ao longo do tempo os Correios, o Parque Azul, local de grandes eventos musiciais e artísticos, a Rodoviária da cidade, o Posto de Gasolina do Sr. Dalmácio... Num de seus lados, num ponto estratégico, buscando segurança em tempos sombrios, está a Igreja Metodista, primeiro templo não católico da cidade.

A “Praça de Baixo”, segue hoje sua sina, animada pelo Bar Alternativa, consagrado point da cidade!


quarta-feira, 4 de maio de 2022

Praça Vigário Maia

 

Praça Vigário Maia: de roça de milho a praça pública



    No centro da cidade de Lima Duarte, servindo de pedestal para a velha Matriz das Dores, está a Praça Vigário Maia, popularmente conhecida como “Praça da Matriz”.

    A pequena ermida que deu origem à atual igreja foi erguida em 1808, em terras da Fazenda do Engenho de Inácia Maria da Assunção Delgado, num dos espigões que seguem diretamente do vale do Rio do Peixe ao alto da Serra de Lima Duarte, local escolhido certamente por sua importância para os povos que aqui habitaram antes da chegada dos primeiros mineradores e posseiros.

  
 
Em 1838, nos relatórios do Governo da Província de Minas Gerais, a futura matriz de Lima Duarte é descrita como “
capela de Nossa Senhora das Dores, situada numa elevação cercada por uma roça de milho com acesso por uma tronqueira. O templo de madeira, (certamente em reformas) está por concluir”.

    Sendo assim, a encosta onde hoje está a praça Vigário Maia, era primitivamente uma roça de milho, cortada pela trilha que dava acesso à Capela, cercada pelo cemitério.

Praça da Matriz antes de 1922
       O passar dos anos e elevação à sede de Paróquia, levou à extinção a roça de milho, formando-se em seu lugar um pasto de gramíneas, cortado por tosco caminho em diagonal.

    A grande reforma de 1891, transferiu do adro o cemitério, demoliu a velha Matriz de taipa e promoveu um amplo desaterro do morro, além de erguer um muro de arrimo ao redor da nova matriz. Ainda assim, a subida se fazia com dificuldade, por meio de toscos lajões de pedra assentados na encosta.

 Somente em1922, sendo pároco o Padre Carlos

Praça da Vig. Maia em 1926

Muller e Presidente da Câmara o Dr. Nominato Duque, aproveitando o ensejo das comemorações do Centenário da Independência do Brasil, promoveu-se o ajardinamento da encosta, construindo-se a longa escadaria que liga o adro da matriz à base da elevação, dividida em cinco lances num total de 50 degraus. Unindo os patamares entre os lances, rampas calçadas em pedra permitiam a ascensão da colina pelas laterais até o penúltimo patamar, do qual partia o último lance em direção ao adro do templo. A área recebeu grama, meio fios em pedra, bancos de cimento, arbustos podados artisticamente e algumas árvores, formando um conjunto de agradável aspecto. A parca iluminação era garantida pelos postes das ruas laterais, fornecida pela Companhia Regional de Luz e Força.

Praça Vig. Maia em 1940
    Assim permaneceu por mais de 40 anos. Por essa época a praça recebeu a denominação de Praça Vigário Maia, uma homenagem ao primeiro Vigário da Matriz de Nossa Senhora das Dores, Padre Joaquim da Silva Maia, que tomou posse como Capelão e Cura em 11 de agosto de 1845 permanecendo após 27 de junho de 1859 como Vigário, até falecer em 05 de julho de 1875.

    A partir de 1966, por ocasião da reforma da Matriz, a Comissão Reconstrutora procedeu o capeamento dos meio-fios e rampas com argamassa de areia e concreto, imitando calçamento poliédrico. Os arbustos e árvores foram substituídos por palmeiras, sendo instalados bancos de concreto, oferecidos pelo comércio local e modernos postes de iluminação. Por essa mesma época, as ruas que delimitam por dois lados a praça, foram calçadas com pedra, melhorando o acesso para pedestres e veículos.

    Anos depois a iluminação foi sendo substituída, recebendo luminárias com globos de vidro em meados da década de 1980, até os atuais postes. Houve também substituição das espécies ali plantadas, chegando ao estado atual. Flores de curta duração e farta florada, espécies utilizadas em cercas vivas também foram acrescentadas, formando belo aspecto por alguns meses, sem continuidade ou manutenção.

    Além disso, a velha praça recebeu apenas caiação de meio fios e pequenos consertos, sem nenhum outro melhoramento de porte. As ruas de pedra receberam cobertura asfática e as velhas palmeiras plantadas em 1966 foram cortadas e substituídas por outras espécies. Recentemente a longa escadaria recebeu corrimões, facilitando o acesso.

    


Num breve relato, assim se formou a Praça da Matriz!


quinta-feira, 7 de abril de 2022

Passos Públicos

Os Passos Públicos em Lima Duarte



    A Semana Santa passou. Depois de dois anos, por conta das restrições impostas pelas autoridades na pandemia de coronavírus, voltou a ser celebrada com atos externos, abertos aos fiéis e ao público.

    O ponto forte dessa semana é a recordação da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, por meio da celebração in memorian, dos fatos ocorridos no ano 33 d.C. em Jerusalém, culminando com sua morte na cruz e ressurreição, tal como relatado nas Sagradas Escrituras.

    De novo, pudemos ver as belas procissões nas cidades ditas errôneamente “históricas”, recheadas de velhas tradições e devoções, com seu aparato de imagens em andores artisticamente ornamentados, irmandades e ordens decentemente vestidas, lanternas, cruzes processionais reluzentes e as tradicionais vias sacras públicas, celebradas nos “Passos”.

    O costume de relembrar os “Passos de Jesus” veio para a Europa com os cruzados e peregrinos, que retornando da Terra Santa, copiaram em suas povoações a Via Sacra de Jerusalém, a partir do século X.

    Da Europa, foram trazidos à América, por portugueses e espanhóis.

    Inicialmente marcadas apenas com uma cruz, as estações, ou paradas de oração, evoluíram para oratórios, altares e finalmente capelas, erguidas nas ruas tronco ou principais das antigas povoações pelas Irmandade dos Passos, formada por homens que promoviam e financiavam as construções, além de zelarem pelas imagens, paramentos, lanternas, cruzes, andores e todo o aparato de alfaias, utilizados nas celebrações dos Passos.

    Nas povoações maiores, antigas vilas-sede de município, as Capelas ou Passos, figuravam em número de cinco, tendo em vista que o primeiro e o último passo da série obrigatória de sete passos, eram montados na igreja que iniciava o cortejo da procissão, geralmente na Matriz, as vezes indo de uma Matriz à outra Matriz, caso de Ouro Preto, ou da matriz a uma capela de maior importância, caso de Mariana e outras vilas.

    Você sabia que Lima Duarte também já teve Passos?

    Segundo Alexandre Miranda Delgado, a Irmandade dos Passos da Paróquia de Nossa Senhora das Dores, foi ereta canonicamente por volta de 1890, ainda no Paroquiato do Padre Pedro Nogueira da Silva, que aqui exerceu a função de vigário de 1881 a 1906.

    A elevação da vila do Rio do Peixe a sede de município, em 1881, trouxe uma necessidade de modernização, manifestada no alinhamento de ruas, abastecimento d’água, iluminação pública com lampiões de carbureto, construção do Casarão da Câmara e Cadeia e Fórum.

       Na parte que concerne à Igreja, foram construídos o cemitério canônico e a Igreja do Rosário e demolida a velha Matriz, sendo erguida uma nova, ampla e bela, com aquisição de novas imagens, alfaias e paramentos.

    Nesse contexto, surgem também os passos públicos, para maior decência das procissões da Semana Santa, como se fazia nas outras cidades do estado.

    Consultando os livros da Irmandade que existiam na paróquia, o historiador observou que seus integrantes eram fazendeiros, servidores públicos federais, estaduais e municipais e comerciantes, todos ativos participantes da vida da paróquia.

    Essa irmandade promoveu a construção dos Passos na Rua Quinze de Novembro e Praça da Liberdade e adquiriu a bela imagem do Nosso Senhor dos Passos, que ocupava um dos retábulos da antiga Matriz de 1891, providenciando também a imagem do Senhor Morto, que junto com a imagem da Senhora das Dores, compunham o elenco mínimo necessário de imagens para os atos público da Semana Santa.

O Passo, visto no canto inferior direito


    Dos “Passos” públicos da Rua Quinze, atual Antonio Carlos, apenas de um temos foto. Situava-se onde hoje esta a Galeria Paula Guedes, entre a Associação Atlética e a Leiteria Central, e sobreviveu pelo menos até a década de 1960, quando ocorre uma “modernização” das construções no centro da cidade.

    Seguimos na pesquisa para identificar a localização dos outros passos.

Vista do Passo à esquerda, entre os dois sobrados.
Acervo E.E.P.D
    A Irmandade dos Passos, que tantos serviços prestou, não existia nas relações de associações religiosas da década de 1950, tendo possivelmente sido extinta anteriormente, fato sobre o qual seguimos em pesquisas.

    Os Passos, perdendo sua função, caíram em desuso, sendo demolidos um a um, empobrecendo o aparato das celebrações públicas de fé, que hoje admiramos em outras cidades.

    E você? Se lembra ou sabe da localização de outros passos?

    Interaja conosco e vamos reavivando a memória de nossa querida Lima Duarte, ajudando-a a reencontrar seus passos.




sexta-feira, 4 de março de 2022

Visitando Tineca França

Manoel Delgado da Silva - o Tineca França

    Já se vão 214 anos de fundação da primitiva Capela de Nossa Senhora das Dores, marco zero da povoação que hoje se chama Lima Duarte. Nas conversas e nas redes sociais, o desenvolvimento do município ainda é pauta frequente, apesar das sensíveis melhorias obtidas ao longo do tempo.

    Município com baixa arrecadação de tributos, Lima Duarte teve com atraso, todos os fatores de indução ao progresso. Quase todo o progresso técnico, social e científico, foi resultado de empreendimentos custeados pela iniciativa privada, que com seus próprios recursos, muitas vezes sem retorno ou lucro, trabalhou pela melhoria da qualidade de vida de todos.

    Olhando a História, pululam exemplos os mais diversos de cidadãos que, desprezando a inércia viciosa da política, tomaram a si a tarefa de promover o desenvolvimento, por meio de iniciativas e empreendimentos.

    Sobre um desses cidadãos, Manoel Delgado da Silva, nascido no dia 25 de março de 1878, trazemos um artigo, publicado no jornal O GATURAMO, 21 de abril de 1907.

    Este jornal, era publicado pelos alunos do Colégio Lima Duarte, estabelecimento particular de ensino básico e secundário, fundado por Pedro Paz. O Colégio tinha como atividade curricular um passeio pelos subúrbios da cidade, visando conhecer a realidade local.

Manoel Delgado da Silva
AMD

       Um dos locais visitados foi a Fazenda do Barulho, pertencente a Manoel Delgado da Silva, o nosso Tineca França.

    Sobre ela segue o texto abaixo, direto de 1907, no túnel do tempo: 

O município de Lima Duarte progride a olhos vistos dia a dia vencendo novos estágios na rota do Progresso.

Estabelecimentos industriais de primeira ordem, casas de comércio girando com avultados capitais, lavoura aparelhada com os mais aperfeiçoados os instrumentos de trabalho, criação de gado feita segundo moldes adiantados.

Todo este conjunto está a demonstrar a veracidade: Lima Duarte progride, e é tanto mais para ser notado este fato auspicioso, quando salientamos ou quando atentamos na indiferença dos altos poderes públicos do estado em relação o nosso município.

Há poucos dias, no costumado passeio que fazemos pela nossa zona Suburbana, tivemos ocasião de visitar um estabelecimento que em nosso espírito deixou indelével impressão.

Estávamos longe de supor que houvesse em nossa cidade uma oficina de fundição, montada com toda a proeficiência e aparelhada de modo a nela se poder executar obras e consertos em peças de ferro, o que até hoje só se podia fazer fora deste município e com grande dispêndio.

O senhor Manuel Delgado Silva é o proprietário e o diretor desta oficina, que honra sobremaneira o nosso meio industrial. Filho deste município, sem nunca haver saído daqui, sem ter cursado escolas superiores, o senhor Manuel Delgado da Silva, é no entanto, por um dom natural, hábil mecânico, sendo para admirar as provas que tem dado de sua capacidade em tal ramo.

Em sua fazenda, montou ele uma pequena máquina para o fabrico de manteiga, sem que importasse uma só peça. Estabeleceu também um telefone, ligando a fábrica à casa de residência e este aparelho delicadíssimo ele mesmo o engenhou, sendo o autor das diversas peças componentes.

Agora no lugar denominado Barulho, próximo à cidade, acaba de fundar uma oficina, com excelente torno para ferro, um torno para madeira, obra sua, uma serra para madeira, um moinho para fubá, e, omo que querendo coroar uma série de alentados e empreendimentos, vai montar o mesmo no local, uma excelente máquina para beneficiar arroz.

O capitão Jacinto Honório de Paula, outro benemérito de Lima Duarte muito tem auxiliado o digno conterrâneo Sr. Manoel Delgado da Silva. Agora mesmo trata ele de fazer uma caução aproximada da safra de arroz, influindo junto aos seus amigos para que venham em auxílio do distinto filho de Lima Duarte, que com a modéstia própria dos espíritos privilegiados, vai colaborando eficazmente na obra de engrandecimento do seu torrão natal.

Destas colunas erguemos um brado de animação ao senhor Manoel Delgado Silva digno de todo o amparo por parte dos limaduartinos, que se podem justamente orgulhar de um conterrâneo de sua envergadura.

LABOR OMNIA VINCIT. (O labor vence tudo) é a divisa do esforçado senhor Manoel Delgado da Silva.

Que Deus abençoe o seu trabalho fazendo com que os seus novos esforços sejam coroados de tudo êxito.”


    Que Deus inspire novos Tinecas Franças, a promoverem novas iniciativas!

    
Lima Duarte precisa e merece!



terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Um francês na Ibitipoca


 

SAINT HILAIRE EM IBITIPOCA


    Em 15 de fevereiro desse ano, comemora-se os 200 anos da visita do botânico francês Auguste de Saint Hilaire, à serra de Ibitipoca. Por meio de seu diário, transcrevemos, resumidamente, seus passos por nossa terra.

    Partindo do Rio de Janeiro, em 29 de janeiro de 1822, acompanhado de um novo arrieiro, seu amigo Laruotte e dois indios guaranis montados, Saint Hilaire tomou rumo diverso do que adotou em sua primeira viagem, buscando os caminhos que o levassem à povoação de Rio Preto, onde chega, oito dias depois.


06 de fevereiro de 1822:

    Após atravessar o Rio Preto, chega à povoação do Presídio do Rio Preto. Nessa época, o território de Rio Preto pertencia ao Distrito e Freguesia de Conceição de Ibitipoca, integrando o municipio de Barbacena.

    Assinalou que a povoação “...era dotada de apenas uma rua, larga e paralela ao rio (Preto), casas todas térreas, pequenas e com jardinzinho plantado de bananeiras...”

    Cumprindo as determinações legais, apresentou-se no Registro que controlava a entrada e saída da Província de Minas Gerais e apresentou as credecnciais que havia obtido de Dom Pedro I e do vice Presidente da Junta das Minas, sendo logo acolhido na casa do Comandante do Registro, onde pernoitou.


    07 de fevereiro de 1822

Seguindo viagem, serra acima, pela Estrada Geral do Rio Preto, atingiu o rancho de São Gabriel, três léguas adiante de Rio Preto, no dia 7 de fevereiro de 1822. Aí permaneceu colhendo amostras de plantas até o dia 10 de fevereiro.

    11 de fevereiro de 1822

Percorre mais um trecho do caminho, atingindo as cercanias do local hoje conhecido como Encruzilhada, onde a Estrada Geral do Rio Preto se bifurcava em dois caminhos: a esquerda a Estrada do Comércio, que seguia via Taboão a Bom Jardim, Turvo (Andrelândia), Madre de Deus e Piedade do Rio Grande, seguindo por São Miguel do Cajuru até São João Del Rei, e a direita a Estrada Geral da Polícia da Corte, que seguia pela Serra Negra, em direção à Barbacena.

Saint Hilaire, toma então a Estrada da Polícia, dobrando a Serra Negra e descendo pelo lado de Olaria, atingindo a Fazenda São João ainda em 11 de fevereiro, três léguas após São Gabriel.


    12 de fevereiro 1822:

Da Fazenda São João, a comitiva vai ao Rancho de Antonio Vieira, uma légua e meia adiante, encontrando-se com outros viajantes que, da vila de Oliveira seguiam ao Rio de Janeiro, aí pernoitando.


    13 de fevereiro de 1822

Seguindo viagem, à um quarto de légua de Antonio Vieira, atravessam, por uma ponte de madeira, “...um pequeno rio, chamado Rio do Peixe…”, próximo ao Pão de Angu, pernoitando no Rancho de Antonio Pereira.


    14 de fevereiro:

Seguindo de Antonio Pereira, por Várzea do Brumado e Rancharia, atinge a região dos campos. Deslumbrado, anota em seu dário: “...À vista dos belos campos que se apresentaram hoje aos meus olhos, não pude deixar de sentir verdadeiro aperto de coração, pensando que logo os deixarei para sempre…”.

Entrando na Vila de Ibitipoca, não pode deixar de externar sua admiração, pois “… embora cabeça de Distrito que se estende até Rio Preto, consta esta vila de algumas casinholas apenas, e do pior aspecto…” Ali, perguntando sobre que fazenda se situava mais perto da “serra”, é informado de a fazenda do Tanque é a mais próxima e para lá se dirige. Na Fazenda do Tanque, é acolhido e pernoita.


    15 de fevereiro

    Dirige-se à Serra de Ibitipoca, guiado por duas crianças da fazenda do Tanque. Botânico que era, foca sua atenção nas plantas, Fora estas, descreve um pequeno rio, que diz se chamar Rio do Sal (na verdade Salto), e visita, num dos rochedos, o Santo Antonio de Pedra, uma formação de líquens que assumia a aparência de um monge, vestido com hábito e livro na mão, ganhando o nome do santo padroeiro de Lisboa.

    Seguindo rio acima, encontra um rancho de taipa, coberto de sapé, com portas feitas com couro de onças abatidas na serra, habitado por uma família, egressa da região de Rio Preto. Com eles, o sábio francês comeu queijo, farinha e bananas.

    Com o chefe da família, estendeu longa conversação, contando-lhe este que para ali se estabelecer e poder criar animais, teve que matar dez onças, garantindo assim segurança para o gado.

    Convidado a servir-lhe de guia ao alto da serra, o bom homem logo se prontificou a fazê-lo, saindo todos a cavalo, logo após o almoço, em direção ao Pico do Pião.

    Ali, nos dias claros, anotou em seu diário, “avista-se até as montanhas dos arredores do Rio de Janeiro”. Descrevendo o abismo formado pelo paredão da serra para as bandas de Mogol e Bias Fortes, não deixou de exprimir um certo terror, provocado pela imensa profundidade do vale, “de espessas florestas em sombrios vales”.

    Impressionaram-lhe os pastos da serra, por sua qualidade e viço, capazes de alimentar prodigiosa quantidade de animais… Por um tempo perambulou ainda pela parte alta da serra, a colher amostras de plantas, receoso de causar enfado ao seu guia, parando a cada nova espécie que avistava. Como já se fazia tarde, retornaram todos ao casebre do Monjolinho, onde a anfitriã já os aguardava com um prato de palmitos e uma cuia de excelente leite, que comeram rápido, seguindo de novo ao Tanque, onde pernoitaram.


    16 de fevereiro

    Agradecendo a boa hospedagem aos hospedeiros, pôe-se a caminho seguindo em direção à Ibitipoca. Dessa vez, com mais tempo, observa e descreve melhor a impressão que a vila causa-lhe, anotando em seu diário: Atravessamos primeiro a vila de Ibitipoca, que conhecia mal, e julgava ainda mais insignificante do que realmente é. Fica, como já expliquei, situada numa colina e compoêm-se de pequena igreja e meia dúzia de casas que a rodeiam, cuja maioria está abandonada, além de algumas outras, igualmente miseráveis, construídas na encosta de outra colina. Não espanta pois, que inultilmente haja eu procurado, ontem, nessa pobre aldeia, os gêneros mais necessários à vida.”

    De Ibitipoca, segue em direção à fazenda da Ponte Alta, onde pernoita. Apesar da ausência dos donos, seus escravos consentem em que ele e sua comitiva ali pernoitem. Em seu diário, observa a simplicidade do interior da fazenda e a ocorrência de grande quantidade de araucárias.


    17 de fevereiro de 1822

    Partindo da fazenda Ponte Alta, voltando a lugares por que passou na viagem de 1817, Saint Hilaire chega à Santa Rita de Ibitipoca. A povoação causa-lhe melhor impressão, como se vê pelo que anotou em seu diário: Esta aldeia situada em agradável posição, à encosta de uma colina, não é senão, uma sucursal de Ibitipoca, embora importante. Compõem-se de uma única rua, mas ali se vêem algumas bonitas lojas”.

    De Santa Rita o francês e sua pequena comitiva seguiram para Barbacena, de onde a viagem se prolongou até São Paulo.

    Para visualizar o conteúdo completo da viagem acesse: http://brasilianadigital.com.br/obras/segunda-viagem-do-rio-de-janeiro-a-minas-gerais-e-a-sao-paulo-1822/


sábado, 1 de janeiro de 2022

As velhas chuvas de janeiro...

 

As velhas chuvas de Janeiro


A cada mês de janeiro, ocorrem as inundações e danos causados pelo excesso das chuvas, na cidade e nos distritos. No passado, os danos eram menores na cidade, uma vez que esta, seguindo o costume dos antigos, ocupava apenas os terrenos mais elevados, distantes dos cursos d’água, limitando-se ao eixo das atuais ruas Olimpio Otacílio de Paula, Antonio Carlos, Vieira Pinto, José de Sales e Rua Velha, além da Praça Vigário Maia.

As demais ruas que hoje existem surgem mais tarde, quando a população urbana aumenta, a mancha urbana se expande e as várzeas são ocupadas indevidamente.

Uma interessante descrição, publicada na Gazeta de Notícias em 20 de janeiro de 1888, traz uma interessante descrição de uma tromba d’água ocorrida na região de Ibitipoca.

Observe os detalhes e a dimensão dos danos...


Terrível inundação.

Barbacena, 14/01/1888

Chegaram aqui notícias do fenômeno que se deu das 8 para as 9 horas da noite, do corrente, na Serra de Ibitipoca, desta comarca. Depois de forte trovoada, caiu uma manga d’água que produziu ali enorme enchente nos Ribeirões do Salto e Vermelho, que tem seus afluentes na mesma serra; as águas foram elevadas de trinta a quarenta metros acima do nível natural, no Ribeirão do Salto, produzindo horríveis estragos por inundação.

Os moradores marginais aglomeraram-se em pontos mais elevados da colina. As casas eram varridas pelas águas, que carregavam móveis, criação, etc.

Da serra caíram enormes moles de pedras e árvores de grossos troncos, entre as quais perobas de mais de 80 palmos.

Toda essa avalanche de destroços percorreu uma distância de mais de nove quilômetros. Calcula-se que dará para duzentos carros a madeira que se acha reunida em um só ponto da Fazenda da Ponte Alta.

Ficou quase inutilizada a estrada da Conceição da Ibitipoca a Lima Duarte, por sulcos das águas e barrancos de areia. O terreno ficou grandemente transformado, numa distância de 18 quilômetros.

Felizmente não houve morte.

A chuva durou seis horas.

Janeiro segue, com fortes chuvas!


sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Lima Duarte morre em dezembro

Lima Duarte morreu em dezembro


    Aos 3 de dezembro de 1896, aos 70 anos, falecia no Rio de Janeiro, José Rodrigues de Lima Duarte.     Em 20 de julho de 1889, meses antes da proclamação da República, ocorrida sete anos antes de seu falecimento, havia sido agraciado por Sua Majestade, Dom Pedro II, com o título de Visconde, com grandeza, passando a ser titulado com a honraria de “Visconde de Lima Duarte”.

    Com o advento da República, esteve durante algum tempo absolutamente retirado de cargos públicos. Em 1892 recebeu do governo de Minas Gerais a nomeação para Superintendente Geral do Serviço de Imigração, cargo que exerceu até falecer.

    A Câmara dos Deputados e o Senado Federal, ao terem notícia do seu passamento, por voto unânime, fizeram consignar nas atas respectivas, o profundo pesar com que receberam aquela triste notícia, prestando tributo à memória do distinto mineiro, tão respeitável pela honradez de caráter, como estimado pelos dotes do seu bondoso coração.

    Sobre sua morte assim se manifestou um colunista, no Minas Gerais, de 4 de dezembro de 1896: “No cemitério de São Francisco de Paula no Catumbi, Rio de Janeiro repousam os restos mortais do Conselheiro Lima Duarte.

Natural do estado de Minas Gerais, o Conselheiro Lima Duarte conseguiu pela sua qualidade e pelo desprendimento de bens materiais impôr-se à veneração de seus conterrâneos.

Médico, o doutor Lima Duarte levava tanto aos ricos como aos desafortunados a sua ciência, sem que de leve deixasse perceber o mais longe interesse. Daí o Doutor José Rodrigues ser na realidade, um dos mais prestigiosos chefes do partido Liberal, desde que se dedicou a política.

Deputado, ministro da Marinha, Senador, Conselheiro de Estado de Sua Magestade, essa influência nunca o empalideceu, por que não vinha de paixões, mas do reconhecimento baseado em interesses na mais pura amizade popular.

Na Câmara dos Deputados foi elevado a suprema posição de Presidente, tanto a se recomendar a pela sua circunspecção como por sua imparcialidade, pelo seu bom senso. Sendo adversário, nunca recorreu à violência; ao contrário sabia honrar o seu adversário, reconhecendo nele os méritos. Tendo o Visconde do Rio Branco, conservador, seu principal oponente, cometido o crime de batalhar em prol da aprovação da Lei do Ventre Livre, recebeu o ódio dos conservadores negreiros que se disciplinaram em ataques ferozes e desumanos ao Visconde do Rio Branco. Lima Duarte, sendo liberal, gelou as veias dos conservadores, ao declarar-se solidário com ele.

Era assim que o ilustre chefe Liberal fazia política.

Sofrendo forte oposição quando ocupou a chefia do Ministério da Marinha, o Conselheiro Lima. Duarte a venceu com serenidade, ao final ninguém ousando duvidar de tão puro caráter.

Lima Duarte comprometeu a sua fortuna em confiança a empregados, que abusaram dos seus cargos, reduzindo-o à pobreza. Apesar disso, não tinha uma queixa, quanto aos que abusaram de sua boa-fé. A República, deixo-o em situação financeira precária, e já velho, saiu a buscar trabalho no Rio de Janeiro. Como médico já não podia fazer a clínica penosa em seu estado, pois desde moço nunca teve o hábito de cobrar honorários pelo exercício de sua Sagrada profissão de médico.

Abandonou definitivamente a política, escolhendo não se opor de forma altiva à República, mantendo-se mais calmamente fiel ao seu passado monarquista.

Dircursando emocionado em suas exéquias, o Visconde de Ibituruna, bem resumiu em poucas palavras o caráter do falecido:

“Galgado às mais altas posições sociais, Lima Duarte, nunca deixou de ser o que sempre fora e o que é mais assombroso, também não conseguiram fazer com que mudasse”

Em tempos de política como simples exercício de paixão e de favorecimentos a aliados, que sua memória se mantenha viva entre nós, mantendo acesa a luz dos valores que sempre vivenciou: honradez, honestidade, caráter e zelo com a política.



domingo, 7 de novembro de 2021

O Paço da Câmara

 

Paço da Câmara Municipal


    O dia 11 de novembro, entra para a história da cidade de Lima Duarte com a triste ocorrência de um incêndio no prédio da Câmara Municipal. 

    A construção, situada na esquina entre as Ruas Antonio Carlos e Tancredo Alves, notabiliza-se por sua imponência e singularidade, distinguindo-se das demais por sua elegância e estilo.

    Conheçamos um pouco de sua história...

    A ereção de um prédio específico para o funcionamento da Câmara e Cadeia, e a de um prédio para sediar a escola de primeiras letras, fazia parte das exigências legais, determinadas pela Lei que regulava a criação dos municípios no Império, bem como a eleição dos primeiros vereadores.

    Os antigos líderes de nosso município, então apenas um distrito com o nome de Dores do Rio do Peixe, deram logo conta das exigências locais, erigindo no local um belo sobrado, erguido na rua principal da vila,  de linhas retas, telhado de quatro águas e beirais largos, coberto com telhas capa e canal, que eram amplamente usadas antes da chegada das telhas francesas.

    Nesse prédio foi instalada a nossa primeira Câmara de Vereadores em 29 de dezembro de 1884, passando depois a sediar a Intendência, a partir da Proclamação da República, em 1889.

    O velho sobrado, possuía aos fundos, no térreo, uma cela, onde funcionou a Cadeia Pública até o ano de 1899, quando foi inaugurado o prédio do Fórum e Cadeia (atual Prefeitura).

    Na década de 1930, são criadas as Prefeituras e a figura do Prefeito em todo o Brasil, passando o gabinete do prefeito e salas das repartições públicas a funcionarem no térreo do prédio da Câmara, até 1984, quando são transferidos para o prédio atual, na praça, antigo Fórum.

    Vivendo a cidade um surto de modernização nas décadas de 1920 e 1930, impulsionada pela chegada da ferrovia, foi remodelado o velho sobrado que sediava a Câmara e a Prefeitura. A construção ganhou o aspecto do estilo mais moderno que havia na época, o Art Déco, caracterizado pelo uso de platibandas, planos recuados na fachada, prevalência de linhas retas e escalonados, além de revestimento externo em pó de pedra.

    


O projeto do novo paço coube ao engenheiro e então Prefeito Municipal, Moacyr Duque Catão (MDC), cujas iniciais grafadas em ferro podem ser vistas encrustradas no nicho no alto da platibanda da fachada principal, tendo sido o novo Paço Municipal inaugurado em 31 de janeiro de 1937.

    O prédio foi palco de muitos eventos significativos de nossa história, recepcionando ilustres visitantes, acolhendo famosos bailes, formaturas e cerimônias.

    No hall de entrada merecem destaque a escada em madeira em estilo Art Déco e os pisos hidráulicos; no Salão Nobre, os lustres, a bancada da Mesa da Cãmara e a grade também em madeira no mesmo estilo do prédio. Há também o Livro que contém a Ata de Instalação do Município de Lima Duarte, com a assinatura dos primeiros sete vereadores e autoridades de Barbacena,  importante relíquia dos primeiros tempos da Câmara.

    Preservar esse prédio é manter viva uma parte de nossa História!


domingo, 3 de outubro de 2021

Poetas lima duartinos II

 

POETAS LIMA DUARTINOS II


YMAH THÉRES

    Imaculada Therezinha Miranda Ribeiro, conhecida literariamente como Ymah Théres, nasceu em 28 de julho de 1939,em Lima Duarte- MG., e faleceu no dia 12 de setembro de 2008, aos 69 anos em Juiz de Fora, cidade para onde emigrou ainda criança, com seus pais.

    


Seu pai, João leitor voraz e também poeta,muito influenciou sua escrita, e ela o dedicava muito amor e admiração.A poetisa tinha a saúde debilitada e sua produção poética fala de uma solidão sem limites. Formou-se Bacharel em Jornalismo pela antiga Faculdade de Filosofia e Letras - Fafile (UFJF). Apesar do formação de jornalista entrou para a História como uma grande poetisa. Era dona de uma poética rica e delicada.

    Aos 24 anos, ingressou na Câmara Municipal de Juiz de Fora, onde, por 28 anos, serviu como chefe e posteriormente, como Diretora da Seção de Expediente, aposentando-se em 1991.
    Durante mais de 30 anos, colaborou como articulista em inúmeros periódicos mineiros.

    JORNAIS COM OS QUAIS A POETISA COLABOROU:
1. GAZETA COMERCIAL- Juiz de Fora, MG.
2. JORNAL RODA VIVA ( Órgão das ex-alunas do Colégio Stella Matutina)- Juiz de Fora, MG.
3. FOLHA DA MANTIQUEIRA Juiz de Fora, MG.
4. DIÁRIO MERCANTIL - Juiz de Fora, MG.
5. O IMPARCIAL de Rio Pomba, MG.
6. CORREIO DO SUL - Varginha, MG.
7. TRIBUNA DE MINAS - Juiz de Fora, MG.
8. JORNAL DO POVO - Lima Duarte, MG.
9. JORNAL O LUME - Juiz de Fora, MG.
10. JORNAL VIVA A VIDA( de Cida Rigotti)- Juiz de Fora, MG.
11. BOTIJA PARDA de Araguari, MG.
12. SUPLEMENTO LITERÁRIO DE MINAS GERAIS - Belo Horizonte, MG.
13. VOZ DE SÃO JOÃO DE São João Nepomuceno - MG.

    Ymah Theres e
ra membro titular e fundadora da Academia Juizforana de Letras (1982). Teve seu talento reconhecido por meio de inúmeras premiações e menções honrosas recebidas em diversos concursos literários.

    SEUS LIVROS:

1973 - ELEGIAS. Juiz de Fora: Esdeva. (poemas)
1985 - ESCRÍNIO/ ASA DE BORBOLETA). Juiz de Fora: Cave. ( poemas em parceria com seu pai, poeta João Ribeiro de Oliveira
1986 - MUSGOS E GERÂNIOS Juiz de Fora: Esdeva. ( poemas em prosa e verso):
1987 - BIGODINHO, O GATO ENJEITADO. Juiz de Fora: Cave. ( infantil).
1988 - CANÇÔES DE CONVÉS OU DO AMOR PRESSAGO. Juiz de Fora: Gráfica e papelaria Gonçalves. (poemas).
1989 - HAICAIS. Juiz de Fora: Gráfica e Editora FORMIGA MARIA..
1991 - NA CONCHA DO OUVIDO. Juiz de Fora: Zas Gráfica e Editora. (prosa poética)
1992 - DIÁRIO ESPARSO DE MARIANA. Juiz de Fora: Zas Gráfica e Editora. (prosa Poética).
1992 - SOLO DE FLAUTA DOCE. Juiz de Fora: Edições de Minas. (poemas).
1992 - ACERVO DE CRISTAIS. Juiz de Fora: Edições de Minas. (contos e outros textos).
1992 - TREZE CARTAS DOS VENTOS DE AGOSTO). Juiz de Fora: Edições de Minas. (prosa poética).
- Dos arquivos do anjo dromedário.
1993 - ANJO, ALAÚDE ; PAIXÕES. Juiz de Fora:Edições de Minas .
1994 - FLOR e CIPRESTE: JOâO RIBEIRO DE OLIVEIRA. Juiz de Fora: Edições de Minas (Publicação / Póstuma de poemas do Pai da autora).
1994 - MENINA COM FLOR. Juiz de Fora: Edições de Minas. (poemas).
1998 - RAMILHETE E ALECRIM. Juiz de Fora. (editoração eletrônica: William F. Ruheno).
1999 - FLOR DE OUTONO. Juiz de Fora
2003 - ANELO DE LUA NOVA . Juiz de Fora: Funalfa.

    A Associação Caminho da Serra, na Beira Rio, em Lima Duarte é a guardiã de pertences e objetos pessoais de Imah Théres, doados após seus falecimento em 2009, por sue primo - irmão Alexandre de Miranda Delgado. Uma sala chamada Sala da Poesia, foi construída para resguardar esse acervo, aberta à visitação. Lá estão sua rica bilioteca(prova de sua erudição e bom gosto literário, suas fotografias e quadros pintados por amigos artistas. Um local para se reverenciar e louvar sua memória a poesia!

    Segue um de seus poemas, de que muito gosto...

ENIGMA


Desarmado, o coraçãoo
reborda a orla do poço,
que segue além do limite
do alcance amorfo da mão.
E
as coisas vãs se transformam,
se transmigram, se mitigam
no consumido silêncio
que redime esse sol-posto
das ventanias possessas.
É
o amor devagarinho
formando o ocaso do enredo
que folgou de brisa e invento
no eterno e puro brinquedo.
E
os anjos, com seus arminhos
de alaúdes afagados,
sorriem, leves, sorriem
mas fogem com suas asas
pra longe, prum outro lado.
S
em flor ou cor, sem perfume
de gerânio macerado
no inenarrável segredo
vencido, desvencilhado.

Ymah Théres
Juiz de Fora, 24 . 03. 99