quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Jurandyr Pires de Castro Ferreira, engenheiro chefe do Ramal de Lima Duarte.

 

A construção do ramal ferroviário que ligaria Juiz de Fora a Bom Jardim, passando por Lima Duarte, foi uma obra federal muito custosa, que se arrastou por longos anos, consumindo vultosos recursos públicos e demandando muito esforço de corpos técnicos, empreiteiros, fornecedores e operários.

            Iniciada em 1911, dividiu-se em duas grandes etapas: o trecho de Benfica a Lima Duarte e o trecho de Lima Duarte a Bom Jardim do Turvo (atual Bom Jardim de Minas). As obras foram marcadas por várias paralisações e corte de verbas, fazendo com que muitos engenheiros se sucedessem na chefia das obras neste período.

            Um deles, o Dr Jurandyr de Castro Pires Ferreira, ficou famoso por chefiar as obras no seu final de primeiro trecho, a chegada a Lima Duarte, tornando-se o mais conhecido dos vários engenheiros que chefiaram as obras. 

           Jurandyr de Castro Pires Ferreira, foi engenheiro civil, geólogo, professor universitário, jornalista e político brasileiro. Nasceu no Rio de Janeiro a 22 de fevereiro de 1900. Fez o Curso de humanidades no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro e formou-se Engenheiro Civil pela Escola Politécnica no Rio de Janeiro..

            Começou sua carreira aos 20 anos como Fiscal no Porto do Rio de Janeiro. Ainda jovem, como engenheiro, atuou na Estrada de Ferro Central do Brasil, assumindo em 27 de dezembro de 1922 a chefia de construção do Ramal Juiz de Fora a Bom Jardim de Minas, no trecho de Benfica a Lima Duarte. As obras da ferrovia estavam paralisadas desde 1914 em Penido, havendo até próximo de Lima Duarte apenas o leito, faltando a conclusão das obras de arte menores, da ponte sobre o Rio do Peixe e estação em Várzea do Carmo (atual Valadares), do túnel, e principalmente da passagem da ferrovia pelo centro de Lima Duarte, colocada como um “grande desafio”.

        


    O jovem engenheiro logo “mostra serviço”, fazendo com que as obras avançassem, executando logo as ações de prolongamento dos trilhos até Várzea do Carmo. Por outro lado, apresentou à Central um novo projeto de passagem pelo centro da cidade, determinando o prosseguimento das obras até atingir o Barulho, trecho onde foram necessárias muitas obras de contenção de encostas e longos e elevados aterros e cortes. Projetou também as plantas das estações ferroviárias de Várzea do Carmo (atual Valadares), Orvalho, Manejo, Parada de Lima Duarte e Estação de Lima Duarte (Barreira).

            Seu maior objetivo era fazer com que os trilhos atingissem a cidade de Lima Duarte,  fato que ocorreu pela primeira vez em 08 de dezembro de 1925, com a chegada de uma comitiva vinda de Juiz de Fora num “trem de lastro”, na Parada de Lima Duarte, construída em terrenos de João Avelar, hoje área conhecida como bairro Paradinha!

            Atingindo seu objetivo, o Dr. Jurandyr permanece em Lima Duarte, chefiando as obras do ramal até 29 de dezembro de 1927. Meses antes havia pedido afastamento da função por não concordar com os valores majorados pagos pela Estrada de Ferro Central nas medições...

            De Lima Duarte vai assumir a chefia das obras do ramal Petrolina a Teresina. Logo em seguida assume a função de Chefe de Gabinete do Ministro da Viação e Obras Públicas.

            Inicia então sua carreira politica. Foi também deputado federal nas legislaturas de 1946-1951 e 1959-1963, sendo Deputado Federal Constituinte pelo Estado da Guanabara, filiado à UDN. No mesmo ano, deixa a UDN e filia-se ao PSD.         

            Paralelas às atividades partidárias segue sua carreira profissional. Em 1950 é nomeado Diretor comercial da Estrada de Ferro Central do Brasil. Em 1951 é nomeado Presidente do IBGE. Exerce também a Cadeira de Professor de Urbanismo e Arquitetura, Escola de Engenharia da Universidade do Brasil.

            Como jornalista, dirigiu a revista Técnica e Arte, colaborou nas revistas O Brasil Técnico, Viação, Diretrizes, Revistas das Estradas de Ferro e Revista do Clube de Engenharia.

            Foi também Presidente da Confederação das Associações de Engenheiros Ferroviários do Brasil.          

            Como estudioso e pesquisador compôs e publicou o Trato de Mecânica econômica; Derrocada de preconceitos; Esnobismos técnicos; Príncipios gerais da higiene hospitalar; Tendências do estilo; Abaixo as Máscaras.

            Faleceu no Rio de Janeiro a 4 de maio de 1982.

 

terça-feira, 8 de agosto de 2023

Oscar Baumgratz, o grande construtor.

 

No século XIX, quando a povoação do Rio do Peixe deu seus primeiros passos em direção à urbanização, com a formação do núcleo original da atual cidade, as construções eram feitas com materiais encontrados na própria natureza.

            As árvores de lei, como perobas, braúnas e aroeiras, por sua resistência aos cupins, viravam esteios, linhas e vigas das paredes e telhados. Os cedros e canelas, macios e facilmente trabalháveis, viravam folhas de portas e janelas, resistentes às chuvas e ao sol.         As palmeiras eram derrubadas e abertas a machado, gerando as ripas que suportavam as telhas de capa e bica, por aqui mesmo fabricadas.

            As paredes eram feitas de trançados de bambus, ripas de coqueiro ou bambu, barreadas com uma mistura de terra de barranco, esterco de boi, capim picado e tabatinga.

            Tudo isso repousava sobre alicerces de pedra seca, tiradas dos matacões no meio dos pastos ou nas pedreiras. Assim foram construídos todos os prédios, da mais humilde casa dos homens à Matriz, até 1872.

            Por volta de 1870, uma família de imigrantes alemães chega à cidade, liderada por Carlos Frederico Baumgratz, que acabara de construir a Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte em Barbacena. O fazendeiro João Ribeiro de Paiva o convidou para construir em nossa cidade a Igreja do Rosário.

            Aqui chegando, Carlos se estabeleceu na “Várzea”, entre a Barreira e o centro, formando sua olaria e construindo em 1872, a primeira casa erguida em tijolos da vila do Rio do Peixe, atual cidade de Lima Duarte. Casando-se com Ana Hotun, em 1876, Carlos teve com ela, cinco filhos, dos quais um se destaca, seguindo a tradição construtora do pai.

            Oscar von Baumgratz nasceu na então vila do Rio do Peixe, atual Lima Duarte, aos 8 de setembro de 1881. Foi sem dúvida, um dos maiores construtores do início do século XX em Lima Duarte.

Oscar Baumgtatz e Rita Venâncio


 

















    Suas obras incluem muitos casarões no centro da cidade, igrejas como a do Rosário em Ibitipoca e   inúmeras fazendas, espalhadas pelo interior do município.

            Naquela época era comum o empreiteiro   assumir toda a cadeia de produção, desde a   preparação do terreno com aterros e desaterros, a   extração e transporte de pedras para os alicerces, a   fabricação de tijolos, derrubada e preparação de todo   o madeirame para telhados, assoalhos, portas e     janelas. Os tijolos fabricados por Oscar são conhecidos por sua qualidade e dimensões, em torno de 24cm x12cm x7cm,  além de suas iniciais “OB” gravadas em baixo relevo numa das faces. Alguns dos casarões que ergueu ainda se mantém na Rua José de Sales e outras ruas do centro, testemunhando sua obra na cidade.

            Nos quadros de segunda linha do Exército, atingiu a patente de Coronel, sendo relacionado nos Almanaques da República compondo grupo de oficiais com José de Sales, João Honório de Paula Mota, Jacinto Honório, Carlos Moreira, dentre outros.

            Faleceu em Lima Duarte aos 21 de abril de 1950, deixando ilustre e numerosa descendência, fruto de seu casamento com Rita Venância.

 

quarta-feira, 12 de julho de 2023

Maximiano Nepomuceno, pioneiro da música em Lima Duarte.

 

            Um dos mais destacados cidadãos lima duartinos de seu tempo, com realizações que persistem ativas até o dia de hoje, Maximiano Estevão Nepomuceno marcou sua trajetória com atuação no magistério, na vida forense, no apostolado católico, nas atividades sociais e  filantrópicas.

            Como tantos outros, não nasceu em Lima Duarte, mas para cá se transferiu e galgou posição muito mais elevada e distinta que muitos “nativos”, por sua honradez, honestidade e fino caráter.

            Nascido aos 2 de setembro de 1855 na histórica cidade de São José d’El Rei, atual Tiradentes, onde viveu até que se fizesse jovem e completasse os estudos, transferiu-se posteriormente para Lima Duarte.

            Em Lima Duarte radicou-se inicialmente na Fazenda da Samambaia, onde vivia de ensinar as primeiras letras.

            Como era oriundo de uma região com muita tradição na música, o jovem Maximiano também era músico e passou a ensinar a teoria e prática musical aos que se interessavam, formando logo um pequeno grupo musical. A prática levou os jovens a tomar gosto pela música, surgindo logo a idéia de fundar-se uma banda de música.

            Juntamente com Jerônimo Rodrigues de Oliveira e Carlos José da Silva, Maximiano funda a primeira banda de música de Lima Duarte, a Banda Sagrado Coração de Jesus, que estreou na então Vila do Rio do Peixe, seus primeiros acordes públicos em 24 de junho de 1884.


          Transferindo-se da fazenda da Samambaia à cidade, prossegue no Magistério com ótima atuação. Prestando concurso para a carreira forense, é aprovado, e em fevereiro de 1896 tomou posse do cargo de escrivão do Primeiro Ofício profissão, encerrando sua carreira forense como Tabelião do 1º Ofício.

   

      Na foto ao lado, extraída do Album dos Municipios de 1925, vemos Maximiano Nepomuceno, integrando a Família Forense. Da esquerda para a direita, sentados: Senador Alfredo Catão, advogado -- Dr. José Maria Filgueiras, juiz municipal--Major Maximiano Nepomuceno, escrivão--- Major Francisco Neves-Escrivão De pé: Aderbal Neves, escrevente-- Pedro de Oliveira Coelho, contador, distribuidor, partidor -- Dr. Hesichio Seabra Azaror, advogado-- Tenente Nestor Neves, escrivão do crime.

         Católico praticante, frequentava assiduamente as missas e eventos paroquiais, compondo o Coral Sacro que tocava nos ofícios divinos, juntamente com Dona Altina Pires Tavares. Atuou também na Irmandade dos Passos no Apostolado da Oração e na Sociedade de São Vicente de Paulo.

            Casou-se com Dona Ambrosina Nepomuceno, de Lima Duarte, com quem teve duas filhas: Rita Nepomuceno e Maria Nepomuceno, ambas formadas professoras no Colégio Nossa Senhora das Dores em São João del Rei exrcendo por longos anos o magistério no Grupo Escolar Bias Fortes, com louvor.

            Mas nem só de música se fez a vida de Maximiano!

            Participou ativamente da criação do Grupo Escolar Bias Fortes, sendo tesoureiro da Caixa Escolar; atuou forte e incisivamente na criação da Santa Casa de Misericórdia de Lima Duarte, destacando-se no empenho pela construção das instalações e tomando posse como tesoureiro em 1923.

            Faleceu em Lima Duarte, aos 16 de novembro de 1930.

            Por seu pioneirismo na introdução da música em terras lima duartinas, foi honrado como patrono da Escola e Banda de Música Maximiano Nepomuceno.

quarta-feira, 14 de junho de 2023

Dom Rodrigo: A visita que abre o Sertão !

    

         
            Em 08 de Junho de 1781, uma comitiva deixa a cidade de Vila Rica, capital da Capitania de Minas Gerais. Em destaque, montado ricamente, desloca-se um jovem governador, conhecido por sua perícia e fino trato, Dom Rodrigo José de Meneses, que tinha o título de Conde de Cavaleiros, que tomou posse como Capitão General da Capitania de Minas Gerais em 20 de fevereiro de 1780, sucedendo ao governador Antonio Noronha.


Dom Rodrigo José de Meneses

            Informado dos desvios e extravios de ouro no Sertão do Rio do Peixe, resolve ele mesmo por fim àqueles crimes, integrando o Sertão Proibido ao mapa da capitania. O chamado Sertão Proibido ou Àrea Proibida” se estendia à quase toda a região banhada pelo Rio do Peixe e seus afluentes, compreendendo hoje parte do Município de Lima Duarte (distrito da Sede), parte de São Domingos da Bocaina que verte águas para o Ribeirão da Bocaina (atual Ribeirão Rosa Gomes), município de Olaria, distrito de Taboão (hoje pertencente a Bom Jardim de Minas), parte de Rio Preto (vale do Pirapetinga e Ribeirão Monte verde), município de Bias Fortes e município de Pedro Teixeira

            De Vila Rica, Dom Rodrigo chega dia 15 ao local denominado Passa Três, bem próximo às cabeceiras do Rio Paraibuna, de onde embrenha-se pelo Sertão Proibido, atingindo o vale do Ribeirão Santa Rita, atual Ribeirão Vermelho, atualmente municípios de Santa Rita de Ibitipoca e Bias Fortes, descendo 5 léguas pelo Sertão abaixo, que achou densamente povoado e ocupado por caminhos largos e trafegados, picadas, roças, ranchos e garimpos, numa área em que oficialmente ninguém poderia morar, plantar ou criar, em vista de leis promulgadas por seus antecessores desde 1736…

            Seguindo o ribeirão, a comitiva de Dom Rodrigo foi ter ao Rio Grão Mogol e deste às margens do Rio do Peixe, onde era aguardada por grande número de posseiros, com suas famílias e escravos.

            Formou-se no local logo um povoado, pontilhado de ranchos toscos, abrigando a comitiva e os posseiros, avisados da vinda do Capitão General. Este povoado foi denominado por anos seguidos de Quartel General do Rio do Peixe ou simplesmente Quartel General, como se vê em alguns mapas da época. Pela posição em que está nos primitivos mapas, a localidade situava-se em algum lugar próximo a Manejo.                                                                                                                

            Dom Rodrigo se fez acompanhar de seu ajudante de Ordens tenente Francisco Antonio Rabelo, que estivera meses antes no sertão do Rio do Peixe elaborando a lista de posseiros, e do Ouvidor Geral da Comarca do Rio das Velhas Dr. Luís Beltrão de Gouveia e Almeida, que lhe serviu de auxiliar, escrivão e secretário.

            Permaneceu quatro dias neste povoado improvisado, aproveitando para recolher e despachar mais de oitocentos requerimentos de posseiros, pretendentes à posse de sesmarias e datas minerais. Neste intervalo, fabricaram-se canoas, utilizadas pela comitiva para navegarem pelo Rio do Peixe, investigando seu potencial aurífero com uso de ferros.    Na mesma ocasião, o governador nomeou um Inspetor, Guarda Mores e seus substitutos, de forma a fiscalizarem a extração de ouro, concederem novas sesmarias e datas minerais e a arrecadação de tributos.

            Do Quartel General, Dom Rodrigo foi à barra do Rio Pirapetinga, cujo vale subiu, atingindo a região de Rio Preto. Desta localidade subiu ao vale do Rio Grande, tomando o caminho para Rio das Mortes (São João del Rei), dirigindo-se daí à Borda do Campo e Vila Rica

            Assim nasceu o Distrito do Rio do Peixe, origem do atual município de Lima Duarte.

quarta-feira, 10 de maio de 2023

Inauguração do Prédio do Fórum, Prefeitura Municipal de Lima Duarte até 2024

 


 

            Erguendo-se numa das pontas da Praça Juscelino Kubistcheck, o prédio da Prefeitura Municipal ocupa espaço privilegiado no espaço urbano de Lima Duarte.

            Construído para sediar a Comarca de Lima Duarte, que desde 1889 funcionou em prédio provisório, o edificio foi projetado em 1896, pelo Engenheiro do Estado de Minas Gerais Ernesto Von Sperling, que deu à construção as severas e sóbrias linhas herdadas do estilo clássico, renovadas e simplificadas, sem perda de essência.

            De sua inauguração trazemos as seguintes notas, publicadas pelo Jornal Diario de Minas, em 26 de abril de 1899;

 

INAUGURAÇÃO DO FÓRUM

 

            A 9 do corrente (abril de 1899) realizou-se festivamente a instalação do Fôro e das prisões no novo edificio da Cadeia, cujas obras foram contratadas por 69 contos de réis com o Major Joaquim Delgado Motta.

            É uma casa muito elegante pela sua moderna arquitetura.

            Essa festa, promovida pelas autoridades e membros do Fôro, revestiu-se de grande solenidade e foi muito concorrida.

            Presidiu a sessão o honrado Juiz de Direito da Comarca, Dr. Hamilton de Paula, tendo aos lados o Dr. Canuto Peixoto, juiz substituto, Alfredo Catão – Promotor de Justiça, Alferes Jerônymo Rodrigues de Oliveira Junior – Delegado de Polícia e Jacintho de Paula – 1º Juiz de Paz, servindo o escrivão Francisco Neves.

            Antes da instalação, pelo Reverendíssimo Padre Pedro Nogueira, foi dada a benção ao edifício. O Dr. Hamilton de Paula proferiu um belo discurso que foi muito aplaudido e depois falou o Promotor de Justiça. Entusiásticas aclamações foram feitas pelos oradores aos nomes dos Drs. Bias Fortes, Henrique Diniz, Alfredo Pinto e major Joaquim Delgado Motta, bem como ao governo do Dr. Silviano Brandão.

            Tocou durante o ato a excelente banda de Música Guarani.

quarta-feira, 5 de abril de 2023

Vila Belmiro ou Vila Belmira?

     È comum vermos as duas formas sendo ditas, repetidas e defendidas.

    Até mesmo órgãos do Governo Municipal tropeçarem na grafia deste belo bairro, situado à margem da BR 267, tendo como vizinhos os bairros Patrimônio e Afonso Pena.

    Dos bairros da cidade é relativamente recente, posterior à abertura da BR 267, na década de 1960, que cortou e isolou terras de pasto pertencentes à Chácara dos Duque.

    Neste local residia Lincoln Moreira Duque, um dos herdeiros, que vislumbrou a possibilidade de lotear a área isolada pela “Estrada Nova”, transformando-a em mais um bairro da cidade.

    A iniciativa obteve pleno êxito, sendo afixada uma grande placa no local, anunciando a venda de lotes no local.

Lincoln Duque em momento de descontração com jovens desportistas
Acervo Clodoveu Riolino 

    Para denominar o novo bairro, Lincoln Duque e herdeiros escolheram homenagear sua mãe Belmira Moreira Duque.

    Dessa forma, fica claro que o nome do bairro é VILA BELMIRA e não Vila Belmiro.

    Mas de onde vem o tal Belmiro?

    Machismo à parte, todo bom lima duartino sabe da importância e do amor de Lincoln Duque para com o esporte, principalmente o futebol, de que foi grande incentivador. Como sabemos, Vila Belmiro é a sede do Santos Futebol Clube, cremos que acabou ocorrendo aí uma associação de idéia do amor pelo futebol com uma homenagem a um grande clube.

    Se você já sabia, parabéns, tem boa memória e informação.

    Se não sabia, ajude outros a conhecer, compartilhando a informação!

quarta-feira, 15 de março de 2023

Ibitipoca x Campos do Jordão: uma saudável disputa



    No início do século XX, a tuberculose ceifava vidas em todas as classes sociais, levando à sepultura milhares de pessoas, muitos deles ainda muito jovens. A sociedade da época mobilizou-se criando em cada estado grandes movimentos de combate à doenca, que cuidaram de buscar o que de melhor havia na profilaxia e tratamento. Em Minas Gerais foi criada a Liga Mineira contra a Tuberculose, tendo como principal articulador o médico Dr. Eduardo Augusto de Menezes.

Dr. Eduardo Augusto de Menezes

    Naquela época ainda não haviam sido produzidos os antibióticos, e o tratamento das afecções respiratórias mais graves como a tuberculose era feito basicamente com a remoção dos pacientes para locais mais frios e secos, onde eram submetidos a isolamento, dietas específicas e até cirurgias corretivas. Locais com clima seco e frio ficaram famosos, abrigando pacientes durante todo o tratamento ou mesmo até a morte, fato corriqueiro e quase certo na maioria dos casos.

    A fama do clima de Conceição de Ibitipoca, facilitado pela elevada altitude, fez com que para ali se dirigissem por recomendação médica, muitas pessoas em busca da cura, caso do proprietário da Fazenda do Tanque, do Padre Manoel Maria e do famoso Cônego Carlos Octaviano Dias, todos "curados" pelo bom clima de Ibitipoca.

    Em 1906, João de Deus Duque Neto animado pela idéia de cooperar na luta contra a tuberculose, entrou em contato com as autoridades do município de Juiz de Fora, com o objetivo de instalar na Serra Grande (Ibitipoca) um grande hospital para tratamento de tuberculosos. Destes encontros, formalizou-se a criação de uma comissão de notáveis, que de Juiz de Fora veio a Lima Duarte em agosto de 1906, chefiada pelos médicos Eduardo de menezes e João Penido Filho. A "Comissão Científica" visitou a cidade e também a Serra Grande, onde efetuou vários testes e experimentos, comprovando a excelência do clima da "Serra"para o tratamento da tuberculose. Destes experimentos elaborou minucioso relatório que foi apresentado às autoridades sanitárias e governamentais, solicitando recursos para a instalação do empreendimento no planalto ao pé do Pico do Pião.

        Ao mesmo tempo, os paulistas buscavam apoio para a instalação de empreendimento de mesma proporção em Campos do Jordão, região também notável pela excelência de seu clima. Nos dois locais, a dificuldade era o acesso, comprometendo-se o Dr. Eduardo deMenezes a promover, ele mesmo a construção de uma rodovia ou ramal ferroviário de Juiz de Fora a Lima Duarte e de lá à Ibitipoca.

    Dos dois lados nenhum esforço foi poupado pelo sucesso da iniciativa, tendo em vista o terror provocado pela doença e o grande numero de perdas por ela provocadas. O governo do Estado de São Paulo saiu na frente e em 1910, assumiu o compromisso de implantar uma ferrovia entre a cidade de Pindamonhangaba e os "Campos do Jordão". Ibitipoca, apesar de todos os requisitos favoráveis, e do empenho da grande cidade de Juiz de Fora, a mais desenvolvida de Minas Gerais na época, perdeu a disputa, caindo em esquecimento o projeto e todos os benefícios que poderia oferecer.

    De minha parte fico a imaginar como seria Ibitipoca hoje, caso o empreendimento tivesse sido implantado...



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

Uma pista de pouso de aviões em Lima Duarte

    Em 07 de Abril de 1931, o oficial Tenente Paulo Tavares Drummmond, integrante do Corpo de Aviação da Marinha, esteve em Lima Duarte. Aqui chegando, entrou em contato com as autoridades municipais, sendo recebido pelo então Prefeito Municipal Alfredo Catão e seu filho Engenheiro Moacyr Catão.

    O oficial comunicou-lhes a missão de estabelecer em Lima Duarte uma base para pouso e decolagem de aeronaves do Corpo de Aviação da Marinha, que iriam empreender uma missão de reconhecimento do território brasileiro, partindo do Rio de Janeiro a Belém do Pará, passando pela cidade de Formosa em Goiás.

    Lima Duarte foi escolhida por ser ponta de linha da Estrada de Ferro Central do Brasil, possibilitando a chegada por ferrovia de combustível até a base de apoio, possibilitando o reabastecimento de combustível das aeronaves. 

    Catão de pronto apoiou a iniciativa, seguido por seu filho Moacyr, que imediatamente apresentou ao Tenente Paulo Drummond, mapas com indicações de vários locais onde se poderia abrigar a tal pista.

    Dentre estes locais, foi escolhida a Várzea do Dr. Nominato, perto da Estação da Barreira, sendo rapidamente executados ali serviços de roçada, capina, drenagem e nivelamento do terreno.

    A Expedição cumpriu seu cronograma, com pouso e decolagem das aeronaves em Lima Duarte.

    Agradecida, a Marinha expediu moção de agradecimento ao Município de Lima Duarte, pelo zelo e competência demonstrados na rápida execução da pista.

    A passagem de aviões por Lima Duarte repercutiu positivamente. Houve inclusive a fundação de um Aero Club na cidade, noticiada em jornais do Rio de Janeiro, iniciativa que, cremos, não foi avante. Apesar da duração efêmera, a pista entra para a História da cidade como primeiro local de pouso e decolagem de aviões, ainda que de pequeno porte.

    Na foto que ilustra a matéria, da 1ª Turma de Aviadores do Corpo de Aviação da Marinha, o Tenente Paulo Drummond, assinalado por uma seta.