quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Jurandyr Pires de Castro Ferreira, engenheiro chefe do Ramal de Lima Duarte.

 

A construção do ramal ferroviário que ligaria Juiz de Fora a Bom Jardim, passando por Lima Duarte, foi uma obra federal muito custosa, que se arrastou por longos anos, consumindo vultosos recursos públicos e demandando muito esforço de corpos técnicos, empreiteiros, fornecedores e operários.

            Iniciada em 1911, dividiu-se em duas grandes etapas: o trecho de Benfica a Lima Duarte e o trecho de Lima Duarte a Bom Jardim do Turvo (atual Bom Jardim de Minas). As obras foram marcadas por várias paralisações e corte de verbas, fazendo com que muitos engenheiros se sucedessem na chefia das obras neste período.

            Um deles, o Dr Jurandyr de Castro Pires Ferreira, ficou famoso por chefiar as obras no seu final de primeiro trecho, a chegada a Lima Duarte, tornando-se o mais conhecido dos vários engenheiros que chefiaram as obras. 

           Jurandyr de Castro Pires Ferreira, foi engenheiro civil, geólogo, professor universitário, jornalista e político brasileiro. Nasceu no Rio de Janeiro a 22 de fevereiro de 1900. Fez o Curso de humanidades no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro e formou-se Engenheiro Civil pela Escola Politécnica no Rio de Janeiro..

            Começou sua carreira aos 20 anos como Fiscal no Porto do Rio de Janeiro. Ainda jovem, como engenheiro, atuou na Estrada de Ferro Central do Brasil, assumindo em 27 de dezembro de 1922 a chefia de construção do Ramal Juiz de Fora a Bom Jardim de Minas, no trecho de Benfica a Lima Duarte. As obras da ferrovia estavam paralisadas desde 1914 em Penido, havendo até próximo de Lima Duarte apenas o leito, faltando a conclusão das obras de arte menores, da ponte sobre o Rio do Peixe e estação em Várzea do Carmo (atual Valadares), do túnel, e principalmente da passagem da ferrovia pelo centro de Lima Duarte, colocada como um “grande desafio”.

        


    O jovem engenheiro logo “mostra serviço”, fazendo com que as obras avançassem, executando logo as ações de prolongamento dos trilhos até Várzea do Carmo. Por outro lado, apresentou à Central um novo projeto de passagem pelo centro da cidade, determinando o prosseguimento das obras até atingir o Barulho, trecho onde foram necessárias muitas obras de contenção de encostas e longos e elevados aterros e cortes. Projetou também as plantas das estações ferroviárias de Várzea do Carmo (atual Valadares), Orvalho, Manejo, Parada de Lima Duarte e Estação de Lima Duarte (Barreira).

            Seu maior objetivo era fazer com que os trilhos atingissem a cidade de Lima Duarte,  fato que ocorreu pela primeira vez em 08 de dezembro de 1925, com a chegada de uma comitiva vinda de Juiz de Fora num “trem de lastro”, na Parada de Lima Duarte, construída em terrenos de João Avelar, hoje área conhecida como bairro Paradinha!

            Atingindo seu objetivo, o Dr. Jurandyr permanece em Lima Duarte, chefiando as obras do ramal até 29 de dezembro de 1927. Meses antes havia pedido afastamento da função por não concordar com os valores majorados pagos pela Estrada de Ferro Central nas medições...

            De Lima Duarte vai assumir a chefia das obras do ramal Petrolina a Teresina. Logo em seguida assume a função de Chefe de Gabinete do Ministro da Viação e Obras Públicas.

            Inicia então sua carreira politica. Foi também deputado federal nas legislaturas de 1946-1951 e 1959-1963, sendo Deputado Federal Constituinte pelo Estado da Guanabara, filiado à UDN. No mesmo ano, deixa a UDN e filia-se ao PSD.         

            Paralelas às atividades partidárias segue sua carreira profissional. Em 1950 é nomeado Diretor comercial da Estrada de Ferro Central do Brasil. Em 1951 é nomeado Presidente do IBGE. Exerce também a Cadeira de Professor de Urbanismo e Arquitetura, Escola de Engenharia da Universidade do Brasil.

            Como jornalista, dirigiu a revista Técnica e Arte, colaborou nas revistas O Brasil Técnico, Viação, Diretrizes, Revistas das Estradas de Ferro e Revista do Clube de Engenharia.

            Foi também Presidente da Confederação das Associações de Engenheiros Ferroviários do Brasil.          

            Como estudioso e pesquisador compôs e publicou o Trato de Mecânica econômica; Derrocada de preconceitos; Esnobismos técnicos; Príncipios gerais da higiene hospitalar; Tendências do estilo; Abaixo as Máscaras.

            Faleceu no Rio de Janeiro a 4 de maio de 1982.

 

terça-feira, 8 de agosto de 2023

Oscar Baumgratz, o grande construtor.

 

No século XIX, quando a povoação do Rio do Peixe deu seus primeiros passos em direção à urbanização, com a formação do núcleo original da atual cidade, as construções eram feitas com materiais encontrados na própria natureza.

            As árvores de lei, como perobas, braúnas e aroeiras, por sua resistência aos cupins, viravam esteios, linhas e vigas das paredes e telhados. Os cedros e canelas, macios e facilmente trabalháveis, viravam folhas de portas e janelas, resistentes às chuvas e ao sol.         As palmeiras eram derrubadas e abertas a machado, gerando as ripas que suportavam as telhas de capa e bica, por aqui mesmo fabricadas.

            As paredes eram feitas de trançados de bambus, ripas de coqueiro ou bambu, barreadas com uma mistura de terra de barranco, esterco de boi, capim picado e tabatinga.

            Tudo isso repousava sobre alicerces de pedra seca, tiradas dos matacões no meio dos pastos ou nas pedreiras. Assim foram construídos todos os prédios, da mais humilde casa dos homens à Matriz, até 1872.

            Por volta de 1870, uma família de imigrantes alemães chega à cidade, liderada por Carlos Frederico Baumgratz, que acabara de construir a Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte em Barbacena. O fazendeiro João Ribeiro de Paiva o convidou para construir em nossa cidade a Igreja do Rosário.

            Aqui chegando, Carlos se estabeleceu na “Várzea”, entre a Barreira e o centro, formando sua olaria e construindo em 1872, a primeira casa erguida em tijolos da vila do Rio do Peixe, atual cidade de Lima Duarte. Casando-se com Ana Hotun, em 1876, Carlos teve com ela, cinco filhos, dos quais um se destaca, seguindo a tradição construtora do pai.

            Oscar von Baumgratz nasceu na então vila do Rio do Peixe, atual Lima Duarte, aos 8 de setembro de 1881. Foi sem dúvida, um dos maiores construtores do início do século XX em Lima Duarte.

Oscar Baumgtatz e Rita Venâncio


 

















    Suas obras incluem muitos casarões no centro da cidade, igrejas como a do Rosário em Ibitipoca e   inúmeras fazendas, espalhadas pelo interior do município.

            Naquela época era comum o empreiteiro   assumir toda a cadeia de produção, desde a   preparação do terreno com aterros e desaterros, a   extração e transporte de pedras para os alicerces, a   fabricação de tijolos, derrubada e preparação de todo   o madeirame para telhados, assoalhos, portas e     janelas. Os tijolos fabricados por Oscar são conhecidos por sua qualidade e dimensões, em torno de 24cm x12cm x7cm,  além de suas iniciais “OB” gravadas em baixo relevo numa das faces. Alguns dos casarões que ergueu ainda se mantém na Rua José de Sales e outras ruas do centro, testemunhando sua obra na cidade.

            Nos quadros de segunda linha do Exército, atingiu a patente de Coronel, sendo relacionado nos Almanaques da República compondo grupo de oficiais com José de Sales, João Honório de Paula Mota, Jacinto Honório, Carlos Moreira, dentre outros.

            Faleceu em Lima Duarte aos 21 de abril de 1950, deixando ilustre e numerosa descendência, fruto de seu casamento com Rita Venância.