A construção do ramal ferroviário
que ligaria Juiz de Fora a Bom Jardim, passando por Lima Duarte, foi uma obra
federal muito custosa, que se arrastou por longos anos, consumindo vultosos
recursos públicos e demandando muito esforço de corpos técnicos, empreiteiros,
fornecedores e operários.
Iniciada
em 1911, dividiu-se em duas grandes etapas: o trecho de Benfica a Lima Duarte e
o trecho de Lima Duarte a Bom Jardim do Turvo (atual Bom Jardim de Minas). As
obras foram marcadas por várias paralisações e corte de verbas, fazendo com que
muitos engenheiros se sucedessem na chefia das obras neste período.
Um deles, o Dr Jurandyr de Castro Pires Ferreira, ficou famoso por chefiar as obras no seu final de primeiro trecho, a chegada a Lima Duarte, tornando-se o mais conhecido dos vários engenheiros que chefiaram as obras.
Jurandyr de Castro Pires Ferreira, foi engenheiro civil, geólogo, professor universitário, jornalista e político brasileiro. Nasceu no Rio de Janeiro a 22 de fevereiro de 1900. Fez o Curso de humanidades no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro e formou-se Engenheiro Civil pela Escola Politécnica no Rio de Janeiro..
Começou sua carreira aos 20 anos
como Fiscal no Porto do Rio de Janeiro. Ainda jovem, como engenheiro, atuou na
Estrada de Ferro Central do Brasil, assumindo em 27 de dezembro de 1922 a
chefia de construção do Ramal Juiz de Fora a Bom Jardim de Minas, no trecho de
Benfica a Lima Duarte. As obras da ferrovia estavam paralisadas desde 1914 em
Penido, havendo até próximo de Lima Duarte apenas o leito, faltando a conclusão
das obras de arte menores, da ponte sobre o Rio do Peixe e estação em Várzea do
Carmo (atual Valadares), do túnel, e principalmente da passagem da ferrovia
pelo centro de Lima Duarte, colocada como um “grande desafio”.
O jovem engenheiro logo “mostra
serviço”, fazendo com que as obras avançassem, executando logo as ações de
prolongamento dos trilhos até Várzea do Carmo. Por outro lado, apresentou à
Central um novo projeto de passagem pelo centro da cidade, determinando o
prosseguimento das obras até atingir o Barulho, trecho onde foram necessárias
muitas obras de contenção de encostas e longos e elevados aterros e cortes.
Projetou também as plantas das estações ferroviárias de Várzea do Carmo (atual
Valadares), Orvalho, Manejo, Parada de Lima Duarte e Estação de Lima Duarte
(Barreira).
Seu maior objetivo era fazer com que
os trilhos atingissem a cidade de Lima Duarte,
fato que ocorreu pela primeira vez em 08 de dezembro de 1925, com a
chegada de uma comitiva vinda de Juiz de Fora num “trem de lastro”, na Parada
de Lima Duarte, construída em terrenos de João Avelar, hoje área conhecida como
bairro Paradinha!
Atingindo seu objetivo, o Dr.
Jurandyr permanece em Lima Duarte, chefiando as obras do ramal até 29 de
dezembro de 1927. Meses antes havia pedido afastamento da função por não
concordar com os valores majorados pagos pela Estrada de Ferro Central nas
medições...
De Lima Duarte vai assumir a chefia
das obras do ramal Petrolina a Teresina. Logo em seguida assume a função de
Chefe de Gabinete do Ministro da Viação e Obras Públicas.
Inicia então sua carreira politica.
Foi também deputado federal nas legislaturas de 1946-1951 e 1959-1963, sendo
Deputado Federal Constituinte pelo Estado da Guanabara, filiado à UDN. No mesmo
ano, deixa a UDN e filia-se ao PSD.
Paralelas
às atividades partidárias segue sua carreira profissional. Em 1950 é nomeado
Diretor comercial da Estrada de Ferro Central do Brasil. Em 1951 é nomeado
Presidente do IBGE. Exerce também a Cadeira de Professor de Urbanismo e
Arquitetura, Escola de Engenharia da Universidade do Brasil.
Como
jornalista, dirigiu a revista Técnica e Arte, colaborou nas revistas O
Brasil Técnico, Viação, Diretrizes, Revistas das Estradas
de Ferro e Revista do Clube de Engenharia.
Foi
também Presidente da Confederação das Associações de Engenheiros Ferroviários
do Brasil.
Como
estudioso e pesquisador compôs e publicou o Trato de Mecânica econômica;
Derrocada de preconceitos; Esnobismos técnicos; Príncipios
gerais da higiene hospitalar; Tendências do estilo; Abaixo as Máscaras.
Faleceu no Rio de Janeiro a 4 de
maio de 1982.
